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© 2019 por The Feminist Patronum.

Um papo sobre moda sustentável

Desde que surgiu o conceito de moda sustentável, paramos para pensar o que levou a tal medida. Claro, que seria inevitável não trazer o conceito para os dias atuais  onde o consumismo exacerbado tomou conta e cada vez mais, prejudicamos a natureza como nosso modo de adquirir itens que logo depois serão descartados.


A obsolescência programada, contribui para que certos itens já tenham um “prazo de validade” e que seja impossível de consertar, para que possamos comprar um novo.


Com roupas, esse tipo de ciclo se torna um pouco mais difícil, já que são facilmente reutilizáveis.


O aumento do número de brechós pode significar também o resultado dessa nova consciência que temos adotado- a de reutilizar o que não queremos mais. Ou doar para os mais necessitados, criar uma maneira de vender ou “desapegar” do que não nos serve.


Para isso, fizemos uma entrevista mais do que bacana com a criadora de um brechó , Yasmin Christe, que propôs a responder todas as perguntas pro TFP a fim de explicar mais um pouquinho como funciona o mercado da moda sustentável e como seu brechó Go Girl tem contribuído para isso.



Como surgiu a ideia de montar um brechó?

Surgiu de uma vontade antiga minha em ter minha própria loja. Eu estava cansada do mercado tradicional, nesses tempos de crise, trabalhar com moda estava cada vez mais difícil e cansativo, decidi que era hora de tentar algo qual e pudesse fazer meu próprio dinheiro, e claro que eu gostasse.


Na sua opinião, qual a importância tem um brechó para a moda sustentável?

Moda Sustentável, é mais em relação aos processos em fazer roupa deforma que impacte menos o meio ambiente. Os brechós entram no Consumo Consciente  e pós consumo, que no caso é um nicho de mercado de extrema importância já que as pessoas continuam comprando e se desfazendo de roupas o tempo todo. Se não existissem brechós fazendo esse trabalho de recuperação e devolvendo peças de volta pra sociedade, eu não sei como estaríamos vivendo nos dias atuais. Temos roupas pra mais de 800 anos, ainda que parassem de produzir hoje.


O surgimento de brechós tem aumentado cada vez mais- seja on-line ou em lojas físicas. Como você enxerga essa mudança? Você acha que cada vez mais, com o consumismo em alta, as pessoas estão descartando mais suas roupas e desapegando para que outras entrem?

Eu acredito que essa forma de consumo está em um caminho para mudanças, mesmo que lento, vemos que pessoas estão buscando roupas com mais significado, e preocupadas com os processos como essas são feitas.

A indústria da moda e a cultura de desapegar de roupas que não nos servem mais tem se tornado cada vez mais constantes com o surgimento de brechós- sejam eles físicos ou através das redes sociais. Porém, devemos sempre pensar o quão acessível pode e devem ser esses meios de troca, de modo a abranger todas as classes, como pontua Yasmin


Qual sua opinião sobre consumo sustentável e a cultura do desapego?

Consumo Sustentável é o incrível, mas não podemos deixar de falar que não é acessível a todos. A cultura do desapego de forma geral consegue conversar com todas as classes, já que desapego você pode trocar, desapegar e não apenas trabalhar com vendas. Eu acredito nessa forma de consumir consciente, enquanto não conseguimos viabilizar a sustentabilidade para todos de modo geral.


Para você, moda sustentável e emponderamento feminino são conceitos complementares?

Eu acredito no empoderamento feminino vindo daquilo que cada uma acredita como verdade.A moda pode ser um dos caminhos.


Como podemos incentivar cada vez mais a criação de brechós e promover o desapego, na sua opinião?

Incentivar de forma formalizada. Eu acredito que brechós te um grande potencial no nicho de pós consumo, mas precisam se enxergar dessa forma. Profissionalismo é algo importante nesse momento, e acho que brechós formalizados que as pessoas colocam credibilidade e confiam tem forte potencial de influencia. Este é o caminho para conseguirmos mudar essa cultura de brechós ruim que criamos ao longos dos anos. Brechós precisam mostrar mais responsabilidade, passar confiança pra quem compra. Hoje em dias existem muitas feiras e eventos que promovem desapegos, mas é preciso trabalhar essa cultura de que roupa de segunda mão é algo ruim.


O que, para você, é estar na moda?

Estar bem e feliz, é clichê, mas é real!


Indique algumas marcas que você mais goste e trabalhe com a moda sustentável.

Eu amo a Ornamento, marca de bolsas sustentáveis e veganas!


Como você enxerga daqui pra frente a indústria da moda? Estamos no caminho para torná-la 100% sustentável?

Infelizmente em nenhuma indústria conseguimos atingir 100% de sustentabilidade. Precisamos de mudanças, a indústria de moda já entendeu que precisa procurar outras opções pra se sustentar. Eu torço para que todos busquem caminhos mais adequados e que possamos ter uma moda mais significativa e inteligente.


Cite 3 problemas que te incomodam no mercado da moda.

- Exclusão (a moda exclui pessoas o tempo todo criando padrões)

- Ego (é um mercado onde 70% é ego, o restante é trabalho duro)

- Desigualdade (não é um mercado igual pra todos)

Por tanto, podemos pensar na moda sustentável como um meio de acabar aos poucos com o consumismo exacerbado, produção desenfreada assim como o uso de recursos naturais, e  mão de obra escrava para tal, promovendo uma maneira de eliminar a exclusão e tornar o mercado da moda sempre mais acessível para todos.Assim, podemos desenvolver uma  alta rotatividade de roupas que não queremos, dando um grande passo e oportunidades para o crescimento mais sustentável do mundo.


Texto e entrevista por Clara Rabello

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