Crítica: Um Lindo Dia na Vizinhança

Fred Rogers foi um renomado apresentador americano onde seu programa, Mister Rogers' Neighborhood (ou em tradução literal, Vizinhança do Mister Rogers), era voltado para crianças quando na prática toda a população o conhecia e idolatrava por ser considerado um herói americano. Amado por todos, Rogers foi definição de bondade e caridade por um tempo, e venerado como uma santidade, tendo seu programa encerrado em 2001 e falecendo em 2003.



O filme, que na verdade não é uma cinebiografia sobre o apresentador, conta a história do jornalista Lloyd Vogel (Matthew Rhys) e sua família conturbada. Lloyd é amargurado após traumas que envolvem a morte de sua mãe e abandono de seu pai, mora com a esposa e filho recém nascido e é conhecido no mercado jornalístico por suas matérias sérias e provavelmente muito ofensivas.


A revista em que Lloyd trabalha decide fazer uma matéria sobre os heróis americanos e ele fica encarregado de voar até Pittsburgh e entrevistar o famoso Mister Rogers (Tom Hanks), que na verdade foi a única pessoa a aceitar ser entrevistado por esse temido jornalista.


Você já espera ver Fred Rogers trazendo a luz de volta para Lloyd durante o período das entrevistas, enquanto Lloyd o estudava e tentava a todo custo provar para o mundo e para si mesmo que não existia nada de especial em Rogers, o apresentador sem perceber curou todas as dores do passado de Lloyd e ensinou-o a perdoar algumas pessoas, re-conectando toda a sua família. Mas você não imagina se deparar com a carga emocional que esse filme te proporciona. Fato que, prestei atenção às reações de outras pessoas no cinema e notei que cada um se emocionou em algum momento em específico, mas no fim não existiu ninguém naquela sessão sem lágrimas nos olhos.


Logo de início somos apresentados ao filme no formato do programa, dando a entender que estamos prestes a assistir um episódio onde conheceremos a história de Lloyd. Tom Hanks desde a primeira cena nos entrega uma atuação impecável, digna de Oscar, de um Fred Rogers santificado e bondoso, em um tom leve e vestindo as características roupas que o verdadeiro Fred utilizava em seu programa, cantando a clássica música “Won’t You Be My Neighbor?”.



É impossível escrever esse texto sem me emocionar novamente ao relembrar todos os detalhes do filme, basta segundos assistindo a incrível performance de Tom Hanks na abertura para já inserir o telespectador na história. O carisma puro do ator é perfeito para o tom da história ao ponto de que quando ele não está presente (já que afinal o filme não é unicamente sobre ele) você sente falta.


Sob direção de Marielle Heller (Poderia Me Perdoar?), assistimos um filme extremamente sincero e humano, onde existem momentos em que Rogers dá sugestões ao Lloyd e você se pega fazendo o mesmo tipo de reflexão completamente se apaixonando pelo apresentador, ao mesmo tempo que a admiração pelo trabalho de Hanks também cresce. No fim, o filme ainda te prova que até os mais pacíficos e bondosos podem ter momentos ruins, tornando a narrativa não apenas uma homenagem a Fred Rogers, mas também uma desmistificação de uma lenda, apresentando-o por fim como um ser humano.


O filme chegou aos cinemas brasileiros em 23 de Janeiro e Tom Hanks está indicado ao Oscar 2020 de Melhor Ator Coadjuvante. Confira todos os indicados ao Oscar clicando aqui.



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