Sufragistas brasileiras

Atualizado: 23 de Mai de 2019

A busca pela a igualdade de direitos femininos não é uma luta recente. Ao longo da nossa história, muitas mulheres, através de atitudes e ideias, se opuseram às restrições impostas pela sociedade, quebrando barreiras e influenciando muitas outras que viriam, e muitas outras que virão. No Brasil não seria diferente, e através desse post, vamos relembrar e até mesmo conhecer algumas mulheres que ajudaram a iniciar esse processo no país.


Escritoras, professoras, políticas, e até mesmo simples trabalhadoras, foram responsáveis por dar os primeiros passos em direção a conquista de direitos que hoje são essenciais para nós, além de nos inspirar positivamente.


Nísia Floresta



Escritora nordestina, Dionísia Gonçalves Pinto é mais conhecida por seu pseudônimo: Nísia Floresta Brasileira Augusta. Nasceu na cidade de Papari – renomeada de Nísia Floresta em sua homenagem-, Rio Grande do Norte, no dia 12 de outubro de 1810. A educadora, escritora e poetisa foi uma das pioneiras na expansão do movimento feminista no Brasil.

Foi responsável pela publicação de muitos textos nos jornais da época, período em que o

jornalismo ainda se iniciava. Além disso, Nísia dirigiu um colégio para moças no estado do Rio de Janeiro, e escreveu livros que abordavam a temática da defesa dos direitos das mulheres, dos índios e dos escravos. Sua família pertencia à elite nordestina, e quando tinha apenas 13 anos de idade foi obrigada a se casar. Porém, infeliz, abandonou o esposo e voltou para a casa de seus pais. Seu primeiro livro, intitulado “Direitos das mulheres e injustiças dos homens”, foi publicado quando tinha 22 anos, quando já estava na companhia de seu novo marido, com quem teve 3 filhos. Essa obra foi inspirada no livro “Vindications of The Rights of Woman”, de Mary Wollstonecraft, e foi a primeira a tratar da relação dos direitos das mulheres à instrução e o trabalho. Ainda escreveu mais três livros, todos com temáticas feministas: “Conselhos a minha filha” (1842); Opúsculo humanitário (1853) e A Mulher (1859).

Em 24 de abril de 1885, Nísia faleceu em decorrência de uma pneumonia, em Rouen, na

França.


Bertha Lutz



Nascida em São Paulo, no dia 2 de agosto de 1894, a bióloga Bertha Lutz teve participação direta no processo político que resultou nas leis de igualdade política e de direito à voto para as mulheres nos anos 20 e 30.

Filha de Adolfo Lutz, renomado médico e cientista brasileiro, foi uma das organizadoras do movimento sufragista brasileiro, depois de ter contato com os movimentos feministas

europeus, quando estudou em uma universidade francesa no início do século XX.

Foi a segunda mulher a ingressar no serviço público brasileiro (1918), criou a Liga para

Emancipação Intelectual da Mulher, a base da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (1922).

Sua intensa militância fez com que as mulheres brasileiras alcançassem o direito a voto no dia 24 de fevereiro de 1932, por meio do Decreto nº 21.076 do presidente Getúlio Vargas.

Participou do Comitê elaborador da Constituição, em 1934, que garantiu às mulheres a

igualdade de direitos políticos, e foi eleita a primeira suplente de deputado federal, assumindo a cadeira na Câmara Federal por mais de um ano, em 1936, após a morte do deputado Cândido Pereira.

Como deputada, defendeu mudanças na legislação referentes ao trabalho da mulher e do

menor, a isenção do serviço militar, a licença de três meses para a gestante e a redução da

jornada de trabalho, que era então de 13 horas.

Sua carreira política se encerra no ano seguinte, 1937, quando Vargas institui o Estado Novo. Entretanto, continua no serviço público, até 1964, quando se aposenta como chefe de

botânica do Museu Nacional. No Ano Internacional da Mulher, em 1975, ela foi convidada pelo governo brasileiro a integrar a delegação do País no primeiro Congresso Internacional da Mulher, realizado na capital do México. Este foi seu último ato em defesa da causa feminista e da igualdade de gênero. Bertha faleceu com 82 anos, na cidade do Rio de Janeiro, em 1976.


Mietta Santiago



Maria Ernestina Carneiro Manso Pereira, mais conhecida como Mietta Santiago, foi a

primeira mulher do nosso país a exercer, plenamente, seus direitos políticos: votar e

ser votada. Nasceu na cidade de Varginha, em Minas Gerais, no ano de 1903, e estudou direito na Europa, onde entrou em contato com as ideias sufragistas europeias. Quando voltou para o Brasil, em 1928, percebeu que a Constituição vigente não vetava o voto feminino. O artigo 70 da Constituição dizia o seguinte, sem discriminação de gênero: "São eleitores os cidadãos maiores de 21 anos que se alistarem

na forma da lei."

Mietta entrou com um Mandado de Segurança e, de forma inédita, conseguiu o direito de

votar e concorrer ao cargo de deputada federal. Apesar de não conseguir se eleger, o fato teve muita repercussão em todo o Brasil, um grande feito para a época. O Partido Republicano do Rio Grande do Norte notou o grande alarde causado pela

candidatura de Mietta, e lançou a candidatura de Luiza Alzira Soriano Teixeira, que se tornaria a primeira mulher a ser eleita para um mandato político no Brasil.

Publicou as obras Namorada da Deus (1936), Maria Ausência (novela, 1940), Uma consciência unitária para a humanidade (1981), As 7 poesias (1981). Seu falecimento ocorreu em 1995.


Celina Guimarães Viana



Celina Guimarães Viana, professora, foi a primeira mulher brasileira a exercer o direito de voto no país, em 1927, na cidade de Mossoró, Rio Grande do Norte.

Antes de Mietta Santiago ter solicitado o mandado de segurança que deu mais atenção para a questão de a Constituição não discriminar o gênero dos eleitores, o governador do RN, José Augusto Bezerra de Medeiros, sancionou naquele ano uma lei que estabelecia não haver mais distinção de gênero em relação ao voto naquele estado.

Entretanto, com o auxílio de seu marido, Celina se inscreveu para votar, se tornando a

primeira mulher a exercer esse direito no Brasil. Nascida em Natal, Rio Grande do Norte, no dia 15 de novembro de 1890, chega a falecer em Belo Horizonte, Minas Gerais.


Carlota Pereira de Queirós



Nascida em São Paulo, no dia 13 de fevereiro de 1892, Carlota Pereira de Queirós foi a

primeira deputada federal eleita no Brasil, dedicando todo o seu mandato as crianças e mulheres. Médica, escritora e pedagoga, estudou dietética infantil em centros médicos da Europa, onde era um grande foco das ideias feministas e do movimento sufragista. Na volta ao Brasil, à frente de 700 mulheres, organizou a assistência aos feridos da Revolução Constitucionalista, movimento em resposta à Revolução de 1930, ocorrido em São Paulo. Em maio de 1933, foi a única mulher eleita deputada à Assembleia Nacional Constituinte. Lá, Carlota integrou a Comissão de Saúde e Educação, trabalhando pela alfabetização e assistência social. Permaneceu na Câmara até 1937, quando Getúlio instituiu o Estado Novo e fechou o Congresso. A partir desse momento, Carlota passou a lutar pela redemocratização do país. Em 1942, foi eleita membro da Academia Nacional de Medicina e fundou, oito anos depois, a Academia Brasileira de Mulheres Médicas, da qual foi presidente durante alguns anos. Apoiou o golpe militar que derrubou o presidente João Goulart, em 1964. Morreu em São Paulo, em 1982, aos 90 anos de idade.


Laudelina de Campos Melo



Fundadora do primeiro sindicato de trabalhadoras domésticas do Brasil, Laudelina é uma grande referência no reconhecimento dos direitos da categoria. Nascida em Poços de Caldas, Minas Gerais, em 12 de outubro de 1904, aos 7 anos já trabalhava como empregada

doméstica. Aos 16 anos, iniciou seu engajamento com organizações de cunho cultural, quando foi eleita presidente do Clube 13 de Maio, que promovia eventos para negros de sua cidade. Aos 18 anos, ela se muda para São Paulo, casa-se e acaba ingressando num grupo cultural para negros de sua nova cidade. Em 1938, separada e com dois filhos, passa a atuar de forma mais ativa nos movimentos populares, e em 1936, após sua filiação ao Partido Comunista Brasileiro, abre a primeira Associação de Trabalhadores Domésticos do país. Quando o Estado Novo entra em vigor, a entidade é fechada, e é aberta apenas em 1946. Em 1961, morando em Campinas, funda a Associação Profissional Beneficente das Empregadas Domésticas. Essa iniciativa influencia na criação do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos, em 1988.

Laudelina faleceu em 12 de maio de 1991, em Campinas, e sua luta, especialmente na década de 1970, foi fundamental para a categoria conquistar o direito à Carteira de Trabalho e à Previdência Social.


Rose Marie Muraro



Reconhecida como patrona do Feminismo Brasileiro pelo Governo Federal em 2005, Rose

Marie Muraro, foi uma das vozes mais importantes desse movimento no nosso país. Nasceu em 11 de novembro de 1930, no Rio de Janeiro, com a visão debilitada, um dos motivos que a fizeram ter determinação suficiente para se tornar uma das mulheres mais importantes e intelectuais do nosso tempo.

É autora de livros que retratavam condições delicadas da mulher em sociedade naquela época, como a "Sexualidade da Mulher Brasileira". Rose foi uma das pioneiras do feminismo no país na década de 60 e 70, disseminando conteúdos estrangeiros sobre o assunto, traduzindo-os e editando-os. Escreveu mais de 40 livros e atuou como editora em 1600 títulos, na época que trabalhou na editora Vozes.

Morreu em 21 de junho de 2014, no Rio, aos 83 anos, em decorrência de um câncer na medula óssea, doença que a acometia há dez anos.







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