Resenha: Ghost Story

É muito claro que o que mais nos amedronta é o "medo do desconhecido". Mas e quando esse desconhecido é o seu passado?


Peter Straub propõe essa reflexão desde a primeira frase:


“- Qual foi a pior coisa que você já fez?

- Não vou contar, mas lhe direi qual foi a pior coisa que já me aconteceu... a mais terrível...”




Logo nas primeiras páginas, você é desafiado a buscar nas entrelinhas um sentido para o que se desenrola. Acompanhado de uma aflição corriqueira em livros do gênero, ao que se avança, existe sempre aquela sensação de entender menos a história enquanto sente uma aproximação ao terror que se segue.


O enredo utiliza como plano de fundo o encontro quinzenal de velhos amigos, a Sociedade Chowder, onde algumas experiências (verdadeiras ou não) são compartilhadas entre eles.


Frederick Hawthorne, ou Ricky como é frequentemente chamado, nos possibilita um olhar mais intimista, tanto sobre os acontecimentos, quanto a relação com a própria cidade de Milburn.


Isso é muito importante, porque o livro basicamente caminha, às vezes se arrasta, pela relação entre a cidade, seus habitantes, ex-moradores e eventos sobrenaturais que ocorrem.

Você irá se deparar com várias histórias, aparentemente desconexas, mas sempre lhe surpreendendo com o desfecho amedrontador.


Dentre esse enredo, acontecimentos atuais e o mistério referente ao assassinato de um dos amigos também é colocado como elemento de suspense e desenvolvido durante toda a trama, desencadeando uma série de questionamentos que incomodam o leitor de uma forma positiva.


Peter Straub oferece uma narrativa descritiva machadiana, praticamente, o que o torna um tanto exaustivo em uma leitura prolongada.


Em suma, as longas páginas passam desapercebidas ante o suspense e a curiosidade que cada elemento lhe remete.


Se você busca uma aflição certa e dispõe de boas horas de leitura, "Ghost Story" será uma ótima opção!


Ficha Técnica

Ghost Story

Peter Straub

448 páginas

DarkSide Books

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