Resenha: Filhos de Sangue e Osso

Em um mundo onde a magia foi banida e os deuses já não se importam com os humanos, um reino de puro terror se instala.


Tomi Adeyemi utiliza a Mitologia de Iorubá em Filhos de Sangue, sua primeira história no mundo dos livros, e primeiro livro da trilogia O Legado de Orisha.




Zélie Adebola nasceu em um mundo onde existiam os Majis, pessoas que os deuses escolhiam para carregar um de seus dons, às vezes era algo hereditário, às vezes era alguém escolhido a dedo por algum Deus.


Quando o Rei Saran, 11 anos atrás, descobre uma forma de acabar com a magia, um terror sobre os Majis se instala. O Rei precisa assassinar todos que foram abençoados com a magia, até então, para ela deixar realmente de existir.


Apenas as crianças com menos de 13 anos, que ainda não possuem seus poderes, tiveram suas vidas poupadas.


Zélie, nossa protagonista, foi uma delas, viu sua mãe ser assassinada quando ainda era muito jovem, e essa visão marcou sua vida e a história de sua família para sempre.


Morando com o irmão, Tzain, e seu pai, eles lutam diariamente para sobreviver aos maus tratos do exército e aos altos impostos que o Rei agora cobra da população que ficou.


Os Divinais são pessoas que possuem a magia no sangue, mas não tinham idade suficiente para desenvolver a mesma antes do ataque do Rei. Essas pessoas não podem se esconder dos guardas por um único motivo: Seus cabelos são brancos. Tornando, assim, a tortura muito maior.


A história começa a desenrolar com o aparecimento de um pergaminho que pode ativar certa porcentagem de magia no sangue de um Divinal, deixando o Rei em alerta.


Quando a filha do Rei, Amari, vê sua serviçal e melhor amiga ser assassinada graças ao surgimento da magia em seu sangue, após tocar o pergaminho, ela decide roubar o artefato e fugir do castelo.


O destino (ou os Deuses) decidem unir o caminho de Zélie e Amari, iniciando uma aventura para recuperar a magia dos divinais e libertar o povo de anos de tortura e pobreza.


De um lado vemos a princesa e herdeira de um trono manchado de sangue, do outro uma jovem que deseja ver o rei pagar pelos seus atos acima de tudo.


"Você nos esmagou para construir uma monarquia sobre o nosso sangue e ossos. Seu erro foi nos deixar vivos. Foi pensar que nunca revidaríamos".

A representatividade tanto negra quanto feminina nesse livro é enorme, as duas personagens centrais da história são poderosas e extremamente corajosas, enquanto quase que 100% dos personagens são negros e se baseiam nas mitologias e história do povo africano.


Mas não para por aí, a autora também aborda assuntos como preconceito e machismo. Podemos dizer com tranquilidade que essa é uma história que nunca foi escrita antes.


Não se engane pensando que essa é uma história leve e descontraída. Ela na verdade é densa, demorada e com inúmeras reviravoltas, um universo digno de colocar a história no patamar dos best sellers.





O desenvolvimento dos personagens é um dos maiores pilares dessa leitura. A princesa Amari é o melhor exemplo disso, que deixa de ser a garota inocente e frágil do começo para se tornar uma lutadora independente (uma maravilhosa surpresa). Mas Zélie não fica para trás, deixando de lado todos os seus medos e inseguranças, para encontrar a determinação e os meios de realizar o que é necessário no final.


Falando sobre o final, esse deixa inúmeras pontas para o próximo livro, e termina de uma forma confusa. Agora, eu já me encontro fazendo contagem regressiva para ler a continuação.


Aliás, a escolha da Fantástica Rocco em manter as palavras em iorubá e acrescentar um guia de pronuncia ao final do livro é incrível, além de deixar as cenas mais emocionantes, você se sente mais próximo da mitologia do que simplesmente lendo as palavras em português.



Ficha Técnica:

Tomi Adeyemi

Fantástica Rocco

520 páginas











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