Resenha: As Viúvas


Fiquei feliz ao ler um livro onde mulheres que mostram sua força e fogem do clichê, são protagonistas. Felizmente, isso está se tornando algo presente na literatura atual, e é o que Lynda La Plante mostrou ao escrever “As Viúvas” (livro que originou o filme protagonizado por Viola Davis).





O cenário do livro é carregado de aflição, suspense, mistérios e descobertas assustadoras, enquanto as quatro protagonistas, além de aprenderem a lidar com a perda, revelam uma força interior que jamais pensariam existir.


“Dolly, Linda e Shirley não eram grandes amigas nem tinham nada em comum até que os maridos morrem juntos operando uma tentativa de assalto. Cada uma a seu modo está enfrentando o luto quando Dolly é surpreendida por descrições detalhadas de todos os roubos realizados e planejados pelo marido. Ela se vê diante de uma encruzilhada: pode se livrar daquilo tudo e voltar à sua vida pacata ou entregar a descoberta aos criminosos que querem tomar o lugar do falecido. Mas ninguém cogitaria sua aposta em uma terceira alternativa: recrutar as outras viúvas e concluir aquela última missão. Sozinhas e sem experiência no mundo do crime, as três começam os preparativos para a operação, porém o caminho até o roubo perfeito não se mostra exatamente simples. Mesmo com o cenário ideal para o crime ideal, será que mulheres de luto conseguirão concretizá-lo?”


A história, apesar de girar em torno de um ambiente criminoso e cheio de conflitos, não tem um peso masculino como estamos acostumados ao assistir uma história de ação. O foco é inteiramente feminino, e as aparições masculinas na trama são feitas de um modo bastante figurativo, apenas para dizer que eles estão lá, na cola delas, vigiando o tempo todo. Mas são as mulheres que mandam.


Dolly Rawlins é a responsável pelo enredo. Ela quem une todas as outras mulheres, ela quem elabora o plano e é ela quem lidera toda a ação. Tudo isso, com a ajuda dos registros de seu falecido marido em um livro cobiçado por outros criminosos da cidade — em minha visão como leitora, achei os planos de Dolly muito melhores que o de seu marido. Em contra partida, um policial obcecado pelo antigo dono dos livros, quer colocar as mãos no objeto para provar que estava certo o tempo todo sobre o homem.



A narrativa é bem estruturada, e mesmo Lynda não descrevendo tudo em excesso, é possível se imaginar na história. Em vários momentos, senti como se eu fosse uma das viúvas e estivesse fazendo parte de todo o plano. Apesar do início da história ter sido confuso e cansativo, conforme o leitor pega o ritmo, não consegue mais parar e fica ansiosos para o final.


Foi incrível ver a construção da amizade entre as protagonistas, e fiquei maravilhada ao conhecer cada uma. Até agora estou com vontade de fazer parte do grupo de Dolly, Linda, Shirley e Bella.


As Viúvas é sobre como mulheres podem ter mais força do que demonstram ou até mesmo pensam. É sobre como podemos nos adaptar a determinadas situações e conseguir o que buscamos, mostrando muito sobre sororidade.


"Ela se levantou, alta e ereta. Então, apertou o cinto do roupão e passou as mãos pelo cabelo. Era uma lutadora: ela sempre fora e ainda havia muita força dentro dela para continuar lutando." Página 396

Um ponto negativo sobre o livro: em certas partes da narrativa, notei traços de gordofobia, o que me incomodou muito e me fez respirar fundo algumas vezes antes de continuar com a leitura.


Ponto positivo sobre o livro: te prende e te deixa ansioso para saber qual será o próximo passo das protagonistas.


Uma dica: leia antes de assistir ao filme.


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