Quem foi Malala Yousafzai?

Swat Valley é uma província do Paquistão que era conhecida pelos seus habitantes como “o paraíso” antes da chegada dos Talibãs, um grupo terrorista islâmico que governou o Afeganistão entre 1996 e 2001. Esta organização extremista é conhecida por querer trazer de volta “todas as tradições do Islão”, agindo violentamente e quebrando muitos dos artigos redigidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, especialmente no que toca a mulheres e crianças.


A nossa girl power tem apenas vinte e um anos e foi a mais jovem de sempre a vencer o Prêmio Nobel da Paz pelo seu trabalho como ativista pelo direito de todos à educação e defesa dos direitos das mulheres ao redor do mundo.


Chama-se Malala Yousafzai e esta é a sua história: conheça a menina que quase foi assassinada apenas por querer estudar.


Malala foi condecorada pela revista Times uma das pessoas mais influentes do mundo

Primeiro, vamos à contextualização histórica.


Tudo isto começa no meio de uma guerra silenciosa, à qual o mundo não dava a devida atenção.


Os Talibãs são uma organização idealista islâmica que surgiu no início de 1990 no Norte do Paquistão, logo após as tropas soviéticas se retirarem da zona do Afeganistão. O seu nome arranca olhares de terror pelo mundo: estes “soldados” são famosos pelo globo não só pela sua crueldade, mas também por terem a considerada ideologia mais retrógrada em relação aos direitos das mulheres e dos seres humanos que é conhecida. Estes ganharam força em 1994, quando invadiram o Afeganistão e ocuparam outras regiões como o Paquistão. Mesmo após o ataque dos Estados Unidos a este regime, eles regressaram aos países e continuam a espalhar terror por lá.


Impunham regras que violavam os direitos humanos, e governavam de uma forma violenta. Mulheres eram as que mais sofriam com este governo, que se mostrava primitivo quanto a estas, ignorando os Direitos Humanos e marginalizando-as completamente.


"Soldados" Talibãs fotografados em 2012

Para terem uma ideia do quão extremista o regime Talibã era (e ainda é), estas são algumas das imposições que as mulheres eram obrigadas a seguir:


1. Em primeiro lugar, era expressamente proibido trabalharem em algo que não fosse cuidar dos filhos e da casa;


2. Mulheres não podiam ser tratadas por médicos do sexo masculino nem comprar produtos vendidos por estes;


3. Era restrito usar produtos de estética – como, por exemplo, verniz de unhas. Mulheres encontradas com os dedos dos pés com as unhas pintadas tinham os dedos cortados;


4. Para poderem realizar qualquer que fosse a atividade fora de casa, tinham de ir acompanhadas de um mahram (que era o parente mais próximo do sexo masculino: podia ser o marido, o pai ou um irmão);


5. A partir de certa altura, foram proibidas de estudar em qualquer instituição educacional – as escolas para meninas tornaram-se seminários religiosos;


6. Eram obrigadas a usar uma burca, uma vestimenta que cobria todo o seu corpo da cabeça aos pés: quem fugisse a estas regras era açoitada, espancada ou ofendida psicologicamente;


7. Como se considerava que estrangeiros não deveriam ser incomodados com a existência de mulheres, eram proibidas de rir alto e andar de saltos altos;


8. Caso uma mulher fosse sequer suspeita de ter relações fora do casamento, era apedrejada até à morte em frente a toda a gente;


9. Se mostrassem os tornozelos, eram açoitadas em praça pública;


10. Não podiam andar de táxi sem o mahram, aparecer em televisão, revistas ou rádio, não podiam usar roupas coloridas (os talibãs diziam que isso as tornavam “sexualmente atrativas”), entre outros milhares de coisas proibidas que, caso fossem quebradas, resultavam em castigos dolorosos ou morte.


Foi nesta situação que nasceu Malala.


Mulheres utilizando a "burca", indumentária obrigatória sob o controlo dos Talibãs

Malala Yousafzai nasceu a doze de Julho de 1997, em Mingora, uma aldeia dentro da província de Swat. O seu pai chama-se Ziauddin e a sua mãe Tor Pekai. Tem mais dois irmãos na família. Fala pachto (a língua do seu país) e inglês e é conhecida por ser uma ativista que luta pelos Direitos Humanos – destacando-se o direito universal à educação e os direitos das mulheres, que são muito oprimidas na região onde esta nasceu.


Tinha Malala treze anos quando os Talibãs ocuparam Swat, obrigando escolas públicas a fechar as portas e roubando de milhares de meninas o seu direito à educação. Por isto, a menina ficou devastada: sempre tinha sonhado em ser médica, para ajudar as pessoas, e os seus livros eram o que ela considerava mais precioso. Era inteligente, gostava de estudar e de ir à escola e, ao ver o que deveria ter direito a ter ser arrancado de si pelos terroristas, decidiu “tomar um lado”.


Foi nesta altura que ela se tornou conhecida para o mundo: ao escrever um blog sob o pseudônimo Gul Makai para a BBC, uma emissora de rádio e televisão do Reino Unido, descrevendo a sua vida durante a ocupação do regime TTP – Tehrik-i-Taliban Pakistan – e as tentativas de recuperação de Swat Valley após a invasão, que forçou Malala e a sua família a se mudarem para a periferia rural.


Malala no documentário "Class Dismissed", do New York Times

O blog de Malala causou um grande impacto no mundo. As pessoas passaram a conhecer a violência física e psicológica a que a população de Swat era sujeita. E, em 2009, foi o New York Times que se deslocou a Swat Valley para fazer o documentário “Class Dismissed”, que difundiu no mundo ainda mais a agressão dos Talibãs.


Após ver esse documentário na aula de filosofia, fiquei chocada: como é que as pessoas eram espezinhadas como insetos daquela forma? Por que é que ninguém detia os Talibãs? É realmente difícil ficar indiferente quando, do outro lado do mundo, alguém não pode ser livre como eu sou.


A 9 de Outubro de 2012, Malala foi atacada por um dos homens do TTP na sua cidade, Mingora, ao entrar num autocarro escolar. O atirador chamou-a pelo nome e disparou três tiros: uma delas atingiu o crânio, e ela teve de ser operada de urgência. Nos dias seguintes, esteve inconsciente e instável: mas logo que melhorou, foi transferida para Inglaterra, onde se acreditava que ela fosse estar segura das ameaças do TTP, que ainda afirmou que tentariam um novo ataque.


Após quase três meses internada, em 2013 Malala pôde finalmente deixar o hospital. Em Julho do mesmo ano, a menina comemorou o seu décimo sexto aniversário a discursar nas Nações Unidas da Juventude em Nova Iorque. Em Outubro, ganhou o Prémio Sakharov, cortesia do Parlamento Europeu por escolha unânime.


Em 2014, foi anunciado pelo Comitê do Nobel que o prêmio desse ano pertenceria a Malala, partilhado com o indiano Kailash Satyarthi, pela sua coragem na “luta contra a supressão das crianças e jovens e pelo direito de todos à educação”, tornando-a na pessoa mais jovem de sempre a ganhar um Prêmio Nobel.


Malala com o diploma e medalha do Prémio Nobel da Paz, em Oslo

Nem são necessárias muitas palavras para explicar o motivo de Malala Yousafzai ser a personagem escolhida para o “Quem Foi” de hoje: uma menina, no meio de uma sociedade onde era “mais fácil darem armas do que livros”, ela rebelou-se contra tudo aquilo que lhe era obrigado a engolir desde criança. Ela queria mais para si e para Swat Valley do que a opressão que os Talibãs lhe diziam que tinha que aguentar.


Inspirou outras pessoas a acreditarem que devem lutar por aquilo em que acreditam, porque o bem vai vencer sempre: embora hoje os Talibãs continuem a assombrar alguns países, eles já não têm a mesma força e, um dia, as mulheres haverão de poder rir alto nas ruas, vestir vestidos curtos, tomar cafés juntos sem nenhum homem a vigiar e irem à escola sem sofrerem castigos que não merecem apenas por quererem ser livres.


E, em parte, isto vai dever-se a uma menina que deu força e esperança – e ainda hoje dá – a milhões. E tudo começou porque uma menina queria ser médica, mas os Talibãs roubaram-lhe a escola. Malala é corajosa, uma verdadeira heroína, e uma mulher forte da história e da atualidade, que eu admiro imenso: ela salvou o seu futuro e ainda os sonhos de outras meninas: em 2015, graças a uma petição iniciada por Malala, foi criada a primeira lei de direito à educação no Paquistão.


Você pode conhecer um pouco mais da história da Malala lendo o seu livro.

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