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Quem foi Anne Frank?

Atualizado: 7 de Mar de 2019

A Segunda Guerra Mundial deixou cicatrizes por toda a Europa.


Afinal, quando Adolf Hitler assumiu o cargo de chanceler da Alemanha, prometendo tirar o país da crise, ninguém poderia imaginar que um alemão de um metro e setenta e cinco com um bigode engraçado começaria uma guerra de proporções assustadoras, e a um genocídio preconceituoso que tiraria vidas a milhões de pessoas, forçadas a uma vida cruel nos campos de concentração nazistas – estima-se seis milhões, mas, até hoje, não há certeza do número de pessoas que foram brutalmente assassinadas durante o holocausto.


O Diário de Anne Frank é um dos reflexos mais sinceros que chegou aos nossos dias.


É um dos livros mais vendidos do mundo e é, exatamente o Diário escrito por uma menina que tinha quinze anos quando foi enviada, com a sua família, para o mesmo campo de concentração onde viria a morrer, poucos dias antes de a Guerra terminar.

Anne Frank podia ser apenas uma menina, mas com o espírito de uma guerreira: vivia nos anos mais conflituosos da vida de uma pessoa, a adolescência, enquanto a guerra mais violenta que o mundo já viu se travava do lado de fora do esconderijo onde foi obrigada a viver, manchando as ruas de sangue – e também as mãos de Hitler e dos soldados alemães.


É por isto que Anne, a judia que foi perseguida e discriminada, é a mulher forte que o The Feminist Patronum vai apresentar para vocês essa semana na tag “Quem Foi”.


Fotografia de Anne tirada em Maio de 1952

Após a primeira guerra mundial, toda a Europa estava devastada.


Para entendermos o contexto em que eclodiu a Segunda Guerra Mundial, devemos regressar a 1914.


A Ásia e a África estavam a ser divididas entre as principais super potências europeias, nomeadamente França e Inglaterra, que ganharam direito a mais territórios durante estes acordos. Por isto, ganharam também acesso a elevadas quantidades de matérias-primas e novos mercados para exportarem os seus produtos. Havia uma forte concorrência comercial, e a Alemanha e a Itália, que ficaram de fora das partilhas coloniais, ficaram furiosas. Esta, para além da disputa pelo território de Alcácia-Lorena entre a Alemanha e a França, começaram a acumular-se.


Foi com o assassinato de um príncipe austro-húngaro que a Europa se dividiu em alianças e começou a primeira guerra mundial, que só terminaria em 1918, com a entrada dos Estados Unidos da América na Guerra e a assinatura do tratado de Versalhes pelos países derrotados.


Como os países da Tríplice Entente (Estados Unidos, Inglaterra e França) consideraram a Alemanha culpada pela guerra, este país sofreu punições ainda mais severas do que os outros derrotados. Foram obrigados a cessar a produção de armamento, a reduzir as suas tropas, a devolver todos os territórios conquistados e as suas colónias e outras imposições que causaram uma grande crise na Alemanha. Por isso, embora toda a Europa estivesse destruída após esta guerra, os alemães estavam especialmente pobres e revoltados, entrando numa profunda crise social e económica.


As pessoas sentiram desespero quando ocorreu o "crack" da bolsa de Nova Iorque

Isto no período da crise de 1929. Como a Europa estava economicamente dependente dos Estados Unidos da América, quando estes se “foram abaixo” todos os países foram arrastados para uma grande depressão, ainda hoje conhecida como a maior regressão económica do século XX. Para conseguirem sair dessa crise, os países escolheram entre dois métodos de governo:

· Governos Liberais, adotados pela Inglaterra, por Franklin D. Roosevelt nos Estados Unidos e pela França (Frente Popular);

· Governos Autoritaristas, adotados por António de Oliveira Salazar em Portugal (Estado Novo), Joseph Stalin na União Soviética (que foi apenas ligeiramente afetada, já que tinha uma economia fechada), Francisco Franco em Espanha, Benito Mussolini na Itália (Fascismo) e Adolf Hitler na Alemanha (Nazismo).


Benito Mussolini (líder do fascismo na Itália, à direita) e Adolf Hitler (líder do nazismo na Alemanha, à esquerda) quando se encontraram em Munique, a 18 de Junho de 1940

E, por aqui, vocês conseguem fazer alguns cálculos: bastou a Adolf Hitler usar as palavras de esperança que sabia que a população alemã, desesperada, pobre e com fome, queria ouvir. Embora não escondesse a sua natureza racista durante os seus discursos, prometeu que os tiraria da crise. Assim, foi a 27 de Janeiro de 1933 que um dos homens mais cruéis do mundo subiu ao poder como chanceler da Alemanha.


Claro que a Inglaterra e a França notaram que, assim que Hitler subiu ao poder, a produção de armamento e o número de soldados começaram a aumentar. Mas, com medo de provocar uma possível guerra tão devastadora como a primeira, reprimiram-se. Até ao dia em que Adolf Hitler marchou contra a Polónia e invadiu. Assim, deu-se início à Segunda Guerra Mundial.


À medida que Hitler abria terreno pela Europa, milhões de judeus eram retirados das suas casas, os seus bens penhorados, tudo o que tinham tirado, e fechados em guetos – campos de trabalho temporários dentro das cidades. Em breve, as crianças, mulheres e homens saudáveis para trabalhar eram enviados para campos de concentração, como é o caso de Auschwitz. Algumas famílias conseguiram esconder-se.


A família Frank foi uma delas.


Anne Frank (segunda a contar da direita) e a família na Praça Merwedeplein em Amsterdão, Holanda. Esta é a única foto que mostra a família inteira de que se tem conhecimento.

Annelies Marie Frank nasceu a doze de Junho de 1929 em Frankfurt am Main.


Era a filha mais nova de Edith Frank-Höllander e Otto Frank, um casal de judeus liberais – ou seja, que não seguiam à risca todos os costumes da religião –, que tinha outra filha mais velha, Margot, que podemos ver na fotografia acima. Eram uma família normal, feliz, e Anne dá a entender no seu diário que se amavam muito uns aos outros. Mais do que tudo. Calma, já chego à parte do Diário.


Foi em 1933 que a paz desta família acabou. Logo que o partido de Hitler ganhou as eleições municiais de Frankfurt, o povo alemão começou a fazer manifestações racistas que tinham como principal alvo a comunidade judaica. No mesmo ano, para se afastarem do caos que reinava em Frankfurt, mãe e filhas foram passar uma temporada com a avó, enquanto Otto ficou na cidade. A família Frank fez parte dos cerca de trezentos mil judeus que deixaram a Alemanha nesse período, e trocaram Frankfurt por Amsterdão.


Anne era feliz na Holanda, tal como o resto da sua família. Mas em 1940 a Alemanha Nazi voltou a perturbar a sua paz, invadindo os Países Baixos. Otto Frank salvou os seus negócios ao passar as ações a um amigo, Jan Gies, marido de Miep Gies. Decorem este nome: ela é muito importante para a história.


Anne viu um livro na prateleira de uma loja. Apaixonou-se por ele imediatamente, e foi o presente que o seu pai lhe ofereceu quando fez treze anos. Era um livro de autógrafos, com cores vermelhas e brancas, e um pequeno cadeado na parte da frente. Ela começou a escrever imediatamente, usando-o como Diário: deu-lhe um nome, Kitty, e fala com ele sobre aspetos mundanos da sua vida, o receio da família quando os alemães invadiram a Holanda, as restrições que foram colocadas sobre os judeus e muito mais.