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© 2019 por The Feminist Patronum.

Pureza, a abolicionista do século XXI

Ontem, 14/12/2019, o The Feminist Patronum foi convidado a participar da estreia mundial do filme Pureza, no Festival do Rio. Dirigido por Renato Barbieri, e produzido por Marcus Ligocki Jr, o filme conta com Dira Paes para estrelar no papel principal e interpretar Pureza Lopes Loyola.

Foto por Yasmim Cardoso

O filme, baseado em fatos reais, retrata o drama de uma mãe e trabalhadora rural maranhense, que possui um filho que foi em busca de melhores condições para a família no garimpo e acabou desaparecendo.


Assim que Pureza passa a não receber notícias, ela sai em busca de seu filho desaparecido, e quando chega na cidade em que ele disse que seria seu destino, descobre a ação de um "gato" (homem que aliciava mão de obra escrava no campo), ficando desconfiada de que seu filho tenha sido atraído. Pureza prontamente se oferece para ser cozinheira em uma das fazendas e se infiltra no local a fim de procurar seu filho.


Lá, descobre muitas atrocidades e absurdos que ferem os direitos humanos, inclusive um regime escravagista por dívida. Disposta a agir contra algo tão cruel, Pureza foge e começa a denunciar para o Governo o que viu, com a ajuda de um padre local, e outros movimentos que já se movimentavam a favor da causa.


Entretanto, seu depoimento é "barrado" quando dizem que só suas palavras não bastam. No mesmo instante, Pureza (já jurada de morte), volta para o local e registra tudo através de fotos e gravações, e assim que é descoberta, é atacada por jagunços.


Mesmo sendo atacada e ferida, consegue voltar à cidade e com pouco tempo, libertar os escravos da Amazônia com a ajuda da Comissão Pastoral da Terra e da Secretaria Nacional da Justiça.

Mesmo não sendo conhecida como deveria, Pureza é um dos maiores nomes do abolicionismo do século XXI no Brasil, e merece total respeito e reconhecimento pela sua história e caminhada.


A escravidão ainda é uma realidade que poucos se dão conta, e uma das maiores mazelas do nosso país e do mundo, e infelizmente é uma dívida histórica que continua a ser acumulada nos dias atuais.


Que Pureza consiga trazer à população esse toque de realidade, assim como trouxe a mim, o sinal que era necessário para eu entender que essa problemática ainda é tão real como já foi há décadas, principalmente para as pessoas que vivem em situação de calamidade, e são iludidas facilmente com o discurso de que "há algo melhor para você lá fora". No fim da sessão, tive o prazer de ter um pequeno diálogo com Dona Pureza, que me disse a seguinte frase:


"O que a gente não faz por um filho, né, minha filha?


Pureza já é uma grande obra nacional, que além de promover uma grande reflexão social a cerca de práticas que ainda são tão prejudiciais, traz a sensibilidade do valor maternal, e de quão longe uma mãe iria pelos seus filhos.






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