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Poesia é coisa de velho? Mel Duarte prova que não em "Querem nos Calar"

Querem Nos Calar: Poemas Para Serem Lidos em Voz Alta, de curadoria de Mel Duarte reúne poemas de 15 slammers de todo o país, entre elas Anna Suav, Bell Puã, Bor Blue, Cristal Rocha, Dall Farra, Danielle Almeida, Laura Conceição, Letícia Brito, Luiza Romão, Luz Ribeiro, Mariana Félix, Meimei Bastos, Negafya, Roberta Estrela d'Alva (responsável por trazer o slam ao Brasil) e Ryane Leão.

Foto: Mariana Oliveira

Slam, a batalha de poesia falada, surgiu em Chicago (EUA) nos anos 1980. Tida como poesia marginal, o slam está agregado à cultura das ruas, ao grafite, hip hop, rap, trap e outras manifestações artísticas. O movimento nasceu em bares de jazz e aos poucos passou a ser consumido pelas periferias com o formato de campeonatos de poesia.


O termo Slam se refere tanto ao formato quanto ao evento de modo geral e slammers, são os artistas praticantes. Nas batalhas, os participantes devem recitar suas poesias em no máximo três minutos, sem o auxílio de outros objetos, como figurino ou fundo musical, por exemplo. Cada poesia deve ser inédita naquela competição e autoral.


O slam, é o palco para expressão de temas e feridas como racismo, machismo, desigualdade social, depressão e muitos mais. Com prefácio de Conceição Evaristo e ilustrações de Lela Brandão, o livro cumpre com o dito no título.Cada estrofe é possível se transportar às batalhas de slam e sentir as expressões por trás das palavras.


O grito preso em cada uma daquelas mulheres, embora diferentes, são iguais. Iguais na luta, na força, no compartilhamento, nos altos e baixos e no combate. Todas encontram na força da palavra um meio de se expressar e poder compilá-los em uma única publicação é um meio de mostrar que esta união tem muito poder.


O livro mostra que a desculpa de que “ler poesia é para pessoas super intelectuais” não pode ser mais utilizada, pois traz temas atuais e linguagem popular, nada de palavras sofisticadas ou em desuso.


"Tudo o que falo é tudo que eu vivo

E agradar os macho escroto não é minha prioridade

Sou mais uma Madalena, ousadia e alegria”

Anna Suav


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