Personagens LGBT nos games

Estamos oficialmente no Pride Month (mês do orgulho LGBT), e em homenagem ao mês colorido o The Feminist Patronum decidiu falar um pouco sobre personagens LGBT do games que, felizmente, vem ganhando espaço com os anos. Como falamos no artigo passado sobre o tabu das mulheres no meio gamer, a trajetória dos personagens LGBT não tem sido bem aceita quando se trata da aceitação dos homens que tornam a comunidade tóxica.



Os primeiros personagens LGBT dos games foram mostrados na década de 80 com os jogos para PC, ainda sim sempre retratados de formas pejorativa ou servindo de piadas; eles raramente eram realistas, e quando o faziam, serviam apenas como pano de fundo ou para vilões. Somente nos últimos anos com a expansão do universo gamer para fora da bolha do que consideram padrão nerd que as grandes empresas arriscaram trazer a representação devida à comunidade nos presenteando com protagonistas LGBT como bem somos: reais.


E pra você não ficar de fora dos games que nos trazem essa representatividade, nós separamos um top 5 personagens LGBT de games famosos que todo gamer deve conhecer.


1 — The Last of Us (PS4)



É fato que The Last of Us Part II causou alvoroço entre os fãs na E3 de 2018 com o terceiro trailer do game exibindo o beijo explícito entre a personagem principal Ellie e uma garota chamada Dina. Mas se engana quem pensa que essa é a primeira demonstração homoafetiva do game. The Last of Us nos apresentou um personagem gay logo no primeiro game, e seu nome é Bill, um personagem não jogável que ajuda Joel e Ellie durante a jornada para encontrar os vaga-lumes; ele é um dos poucos sobreviventes do fungo Cordyceps que transformou as pessoas do mundo todo em mortos vivos. Em nenhum momento é citado o relacionamento com seu parceiro Frank, que está desaparecido, mas os acontecimentos seguintes no game faz o jogador acreditar que havia algo a mais que amizade entre ambos. Mas tudo fica claro quando Ellie rouba uma revista pornográfica gay de Bill e brinca “por que as páginas grudam?”.


Se acha que acabou aí, está muito enganado. Durante o game, Ellie cita uma melhor amiga de quem gostava muito, mas nós apenas descobrimos mais sobre ela na prequel Left Behind em que controlamos Ellie antes dos eventos de The Last of Us. Talvez com Bill tenha havido burburinhos sobre sua sexualidade apesar da sutileza, mas com a prequel as coisas tomaram outro rumo. Controlando Ellie, nós conhecemos Riley, sua melhor amiga que havia sido recrutada pelos vaga-lumes e que estava de volta na cidade às escondidas para rever sua amiga. Ela nos leva à um shopping abandonado onde jogamos videogame, andamos de carrossel, fazemos guerrinha de água com armas de brinquedo, dançamos ao som de Etta James e nos beijamos. O que??? Sim, é isso! Um beijo puro e espontâneo pela parte de Ellie que está triste pela partida de Riley outra vez. O que acontece depois? Bom, você precisa jogar ou assistir pra saber.


É importante ressaltar que após essa prequel não houve uma revolta em massa contra o game porque os jogadores (preciso dizer homens?) entenderam o beijo como algo fraternal, e não romântico. E não, eu não estou brincando. Foi decidido que o beijo não passava de uma carência de um mundo pós apocalíptico onde ambas as personagens de 14 anos não entendiam o que estavam fazendo. Mas o mundo não gira, ele capota, e em 2018 a Sony decidiu abrir o maior evento de games com o excepcional trailer da segunda parte do game nos dando logo de cara um beijo com direito à língua e um belo enquadramento pra acabar de vez com todas as dúvidas: Ellie é lésbica!


"Elas parecem ser boas amigas"

Houve reclamação, petição, tentativa de boicote, e The Last of Us Part II segue sendo o jogo mais aguardado do mundo. Quem lacra, lucra, né?



2 — Overwatch (multiplataforma)



Um dos games online de tiro em primeira pessoa mais jogados dos últimos tempos que traz diversidade começando pela capa. O rostinho do game é Tracer, armada com pistolas eletromagnéticas e capaz de teleportar pelo tempo e espaço e rebobinar sua linha do tempo, a personagem foi confirmada lésbica com o lançamento de uma HQ especial de natal onde Tracer namora sua colega de quarto, Emily.


E bem no estilo “se não for pra causar eu nem saio de casa”, a Blizzard revelou recentemente a homossexualidade do Soldado 76 (um dos personagens mais populares do game) jogando a última pá de terra nos homofóbicos de plantão. Talvez o susto se deva ao fato do Soldado 76 não se enquadrar no estereótipo de homem gay com sua pose de exterminador do futuro. E mais uma vez, houve ataques homofóbicos, palavras de ódio, e o game segue sendo dos mais jogados da década. Inclusive, se você for iniciante, irá jogar o tutorial com a Tracer e o Soldado 76. Amo?


3 — Life is Strange e Before the Storm (multiplataforma)



Não podemos falar de jogos com personagens LGBT sem citar o memorável e encantador Life is Strange. No primeiro jogo nós controlamos Max, uma garota que está de volta à sua cidade natal para cursar fotografia e descobre possuir poderes de voltar no tempo bem no estilo efeito borboleta. Max reencontra sua melhor amiga de infância, Chloe, que está perturbada pelo desaparecimento de uma garota chamada Rachel, e é a partir desse momento que o jogador tem a opção de torná-las grandes amigas outra vez ou fazer com que elas se apaixonem. O game trata com tanta naturalidade a bissexualidade das personagens que faz você sentir o peso de cada decisão quando se trata da relação de ambas.


Pouco tempo depois foi lançada uma prequel do game chamada Before the Storm contando os acontecimentos antes de LIS (quando Max ainda estava fora da cidade) nos dando o controle de Chloe. Nela, nós conhecemos Rachel, a garota popular da escola que por destino da vida, ou clichê do game, acaba cruzando o caminho de Chloe. Nesse game é bem nítido os sentimentos que Rachel e Chloe desenvolvem uma pela outra logo de cara, mas ainda sim é possível fazer com que elas sejam apenas amigas se assim o jogador escolher por meio das decisões.


É inexplicável a forma como que ambos os games conseguem abordar assuntos importantes com tanta delicadeza como depressão, suicídio, sexualidade, amizade, família, drogas, e sempre trazendo uma mensagem por trás de cada viagem no tempo. Se você optar pelo romance entre Chloe e Rachel, terá a história mais clichê e romântica que terá jogado ou assistido.


Mas esteja avisado: prepare lencinhos para as lágrimas e o Spotify para baixar as musicas de Soundtrack. Você não irá se arrepender.


4 — Mass Effect (multiplataforma)



Mass Effect é uma franquia de jogos RPG de ficção científica ambientada no espaço. Nos dois primeiros jogos da franquia era possível ter um romance com uma personagem feminina se você estivesse jogando com uma personagem feminina, mas não era possível um romance com personagem masculino se você estivesse controlando um personagem masculino. Mais tarde, no terceiro game, foram apresentadas opções de romance gay com personagens exclusivamente homossexuais. Já em Mass Effect: Andromeda, fomos apresentados a personagens transsexuais, bissexuais e pansexuais. Lembrando que as opções de romance heterossexual ainda são maiores e mais amplas, e um personagem masculino hétero tem ainda mais possibilidades e exclusividades. Mas ainda sim é um game divertido, interativo e bem representado pra quem esta procurando romance homo afetivo em videogames.


5 — Assassin’s Creed: Syndicate e Assassin’s Creed: Odyssey (multiplataforma)



O nono game da franquia é ambientado em Londres no ano de 1868, durante a revolução industrial, e o jogador controla os gêmeos Jacob e Evie Frye, podendo alternar livremente entre os dois durante o game. Um dos roteiristas chegou a comentar a bissexualidade de Jacob Frye, e mais tarde o tumblr oficial do game se pronunciou após o burburinho confirmando sua orientação sexual. O jogo também traz o personagem de menor destaque Ned Wynert, um homem de negócios transgênero.


Já em Assassin’s Creed Odyssey o jogador tem a opção de controlar um dos irmãos: Kassandra ou Alexios em 431 a.C na Grécia antiga. Independente de qual personagem escolher, você terá total liberdade para escolher os romances durante a trama podendo assim ficar com homens e mulheres. Abençoada seja Atena.




A nossa lista fica por aqui, mas a quantidade de personagens LGBT em jogos é, felizmente, grandiosa. Desde Aloy em Horizon Zero Dawn até Kung Jin em Mortal Kombat X. Uma coisa é certa: as minorias estão tomando seu devido espaço nos videogames mostrando que nós existimos em todos os universos, e que estamos aqui pra sermos sobreviventes em apocalipses, assassinos de credos em épocas medievais, adolescentes em escolas procurando se encaixar, e muito mais.


E o que essas franquias tem em comum? O fato de que nenhum grito homofóbico pode desestabilizar uma história bem construída com personagens reais.




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