Os Testamentos, a continuação de uma história

Atualizado: Jan 29


Àqueles que não conhecem a história de “O Conto da Aia”, é baseado na história da Offerd. Uma mulher casada, tem uma filha e trabalha, até que é implantado uma nova república, onde as mulheres férteis são separadas para se tornarem aias, com o único objetivo: procriar para certas famílias que não podem gerar por si.



A história se passa em um futuro distópico, onde o país ficou tomado por uma radiação como consequência de uma guerra, atingindo as pessoas de forma que as mulheres se tornaram, em sua maioria, inférteis. O sucesso da trama ganhou uma série de tv e uma edição ilustrada, agora recebe uma sequência dos segredos da República de Gilead com “Os Testamentos”.


A forma com que os capítulos são chamados é a transcrição do depoimento de cada uma dessas personagens, isso é algo que acho incrível nesse livro, não é dado o nome das personagens logo de cara, também não é feita relação de forma muito evidente aos personagens de “O Conto da Aia”. A Offred, por exemplo, é mencionada duas ou três vezes. Você entende quem é aquele personagem por conta da narrativa, de como a história está sendo abordada, detalhes.


Algo que recebe muito enfoque no livro é a bebê Nicole, que se tornou um símbolo daquela república. Como trabalhado na série de tv, a bebê Nicole havia fugido de Gilead e a ânsia em tê-la de volta no continente fez com que houvesse imagens dela expostas em todos os lugares, como um mártir. Outro grande símbolo de é a própria figura da Tia Lídia, que tem uma estátua em Gilead.


Temos os veteranos da história, mas também a inserção de novos personagens, como as Pérolas: mulheres de Gilead e, como todos, possuem uma vestimenta característica. Elas usavam vestidos de seda prata, com mangas e barras longas, o cabelo estava sempre preso e coberto por um chapéu, as características pérolas no pescoço e um sorriso falso no rosto. Assim como as Aias, elas caminhavam em dupla. Sua função é peregrinar à outros países, recrutar o máximo pessoas para viver em Gilead e descobrir o paradeiro da bebê Nicole. Costumavam deixar folhetos com a foto de Nicole.  


Inicialmente temos a narração da tia Lídia, uma das fundadoras de Gilead e uma figura também vista como o pior pesadelo na vida das aias. Ela descreve um pouco do passado, como foi a vida dela antes da república de Gilead, e do presente, como ela se transformou na tia Lídia. É possível ver relatos sentimentais e pensamentos.


Os testamentos de tia Lídia são escritos diretamente ao leitor, ela tem a total intenção de passar a história para alguém contar a história para alguém. Aborda bastante sobre o Mayday e sua parceria com o Comandante Judd.


A Testemunha 369 A é uma garota que vive dentro de Gilead, servir o país e obedecer suas regras era seu maior objetivo.  Detalha com característica física e de personalidade como é a escola, sua vida em casa, as pessoas que convivem com ela. Descreve sobre sua mãe e o amor que ambas sentiam uma pela outra e a história que sempre contava, além do seu “medo” pelas Aias.


“Meu nome nessa época era Agnes Jemina, Agnes queria dizer “ovelha”, dizia minha mãe, Tabitha".

Pouco tempo depois da morte de mãe dela, seu pai, um Comandante muito importante, casa com Paula, uma viúva. Ambas se odeiam, Agnes conta que fazia o máximo para evitar o contato com a Paula. Não demora muito e chega uma Aia, Ofkyle, em sua casa e logo fica grávida, sendo ignorada de vez.


Em certa ocasião acaba descobrindo que na verdade a Tabitha era sua mãe adotiva e que sua mãe era uma Aia. Seu medo por aquelas mulheres foi substituído pela curiosidade, na ânsia de descobrir quem era sua mãe, se é que ainda era propriedade do governo.



Agnes estava prestes a casar, algo que não queria. Sai de sua escola tradicional para uma escola preparatória oficial para noivas. O casamento não acontece e se tornou uma Postulante (aprendiz de Tia). Tia Lídia se torna mais próxima dela, apresenta certos dossiês, revelando qual Aia é sua mãe.


A testemunha 369 B é a Daisy, uma menina que mora fora de Gilead. Seus pais, Neil e a Melanie tem uma loja de roupa, uma espécie de bazar, chamado Clothes Hound. Sua narração inicia em seu aniversário de 16 anos.


“Aquele aniversário foi o dia em que descobri que eu era uma fraude. Ou não uma fraude, como mágico incompetente: era falsificada, como uma antiguidade falsa. Eu era forjada, e de propósito.”

Embora eles fossem pais dela, sentia, principalmente da Melanie, a falta daquele amor de mãe.


“Apesar de tudo o que tinha feito por mim, a Melanie tinha um cheiro distante. Cheiro de sabonete floral para visitas na casa de alguém que você não conhece. O que quero dizer é que, para mim, ela não tinha cheiro de mãe.”

Daisy retrata sua realidade, a escola que frequentava e as longas horas que passava no Clothes House. Até que em certa ocasião, a loja explode, Neil e Melanie morrem e Daisy vai parar no SanctuCare, centro onde ficavam os refugiados de Gilead conhece novas pessoas que a auxiliam e confessam que Neil e Melanie não eram seus pais de verdade e que ela nasceu em Gilead, o lugar e a cultura que mais odiava.


A garota entra em contato com o Mayday, que possui um informante de dentro de Gilead com um arquivo com toda a sujeira e corrupção por trás de Gilead, e se torna peça chave do plano para destruir esta república.


Daisy consegue entrar em Gilead e acaba fazendo uma “parceria” com Agnes e, juntas, descobrem quem é o informante de dentro de Gilead pegar o dossiê e destruir Gilead.


De forma geral, o livro é a continuação de “O Conto da Aia”. A trama se passa 15 anos após à história inicial, com três personagens principais e vários novos. Não mencionam diretamente os personagens da primeira história. Este é um livro que quanto mais você come (lê) mais sente fome.



Embora se trate de uma continuação, a história permanece original. Aqui diferentes experiências são fundamentais para o desfecho, cada detalhe é aproveitado, nenhuma vírgula é em vão e a adrenalina constante te faz um testemunha. Também deixa de forma clara que por muito que você saiba de Gilead, não é o suficiente.


Nolite te bastardes carborundorum.


Ficha Técnica

Capa comum: 448 páginas

Editora: Rocco; Edição: 1 (9 de novembro de 2019)

Idioma: Português

Autora: Margareth Atwood

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