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O Governo Brasileiro e sua facilidade de excluir a população LGBTQIA+

Atualizado: 11 de mai.

O Museu da Diversidade Sexual foi fechado no dia 30 de abril por tempo indeterminado por decisão da justiça após denúncia



A reclamação veio do deputado estadual Gil Diniz (PL). O político questionou o grupo social que gerencia o museu e a destinação de verbas ao seu funcionamento. Gil Diniz argumenta que é muito dinheiro para uma exposição no meio do metrô e usa suas redes sociais para se referir em terceira pessoa: “o carteiro - como é conhecido - fechou o museu LGBT”. A juíza que acatou o pedido se justificou dizendo que o Instituto Odeon, responsável pela administração (assim como o estado de São Paulo) já teve contas legados quando essa administrava também o Theatro Municipal de São Paulo.


No entanto, o Instituto Odeon só começou a administrar o projeto neste ano de 2022, enquanto o MDS existe desde 2012.


Segundo a Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo pelo Instagram, eles, na companhia de outras associações voltadas para a comunidade, tentaram entrar em conversa com o governo estadual para melhor organização, porém não obtiveram respostas.



O Museu já sofreu outros boicotes, como a promessa feita por Geraldo Alckmin, no ano de sua eleição, de garantir o espaço de um casarão abandonado na Avenida Paulista, que não foi cumprida. Após sua gestão, o atual governo de São Paulo causou a demissão de toda equipe do Museu durante a transição entre as OS parceiras, acarretando uma perda enorme de arquivos: cerca de 8000 itens de acervos que ninguém sabe onde foram parar.


É de extrema importância que preservemos espaços culturais como esse, é de extrema urgência que reabram o museu e deixem a exposição Duo Drag acontecer.

Nas palavras de Luana Sousa, jornalista e estudante de arte: “Quando pensamos no que uma visita ao museu nos traz, nada mais nítido do que a cultura, o conhecimento e a história. Museus são uma forma macro, um recorte de uma história que já aconteceu e que é de extrema importância ter conhecimento. O Museu de Diversidade Sexual é um pedaço do que temos aqui, de todo o espaço e de tudo que abrange o nosso país, além de ser um local de fácil acesso, ele conta com material gratuito que eleva o que as pessoas tem acesso visual ali, a importância desse espaço é mais do que crucial, chega a ser essencial.”


O decreto de número 51.916, estabelecido em maio de 2012, assegura as atribuições de preservar a pesquisa, divulgação e valorização da contribuição LGBT à cultura.


Desde então, o espaço mostra diversas partes da comunidade como lésbicas, travestis, drag queens, transformistas, até personagens do teatro Underground de São Paulo. Já foram enaltecidos vários artistas LGBT+s que se reuniram para mostrar o cotidiano das LGBT, suas artes, seus amores. Já houve exposições sobre questões étnico raciais as, a comunidade no futebol, cinema LGBT, coletivos artísticos, lançamentos de livros e muito sobre as noites gays paulistanas.



Em dezembro de 2021, foi firmado um contrato entre o Governo de São Paulo e a Secretaria da Cultura que garante que o Museu da Diversidade tenha sua gestão renovada e seu espaço físico expandido. Isso é vital, pois esse é o primeiro museu de toda a América Latina desse tipo.


Vemos o descaso do governo e instituições há anos em diferentes situações. Bons exemplos disso são o fechamento antecipado do QueerMuseu em Porto Alegre após reclamações do MBL, Movimento Brasil Livre; A exibição censurada da peça “o Evangelho segundo Jesus Cristo” que conta com a atriz transexual Renata Carvalho no papel principal, além da negligência à Cinemateca Brasileira, que a levou ao incêndio.


Todas essas artes devem ter eventos culturais reservados e garantidos, considerando seu gigante impacto na construção de uma população, além de âmbitos culturais, musicais e mercadológicos. Esse paralelo também é encontrado na tentativa de parar bailes funks, como diz o estudo por Tamiris Coutinho em seu livro Cai de Boca no Meu Bucetão, e assim como diz Adriana Facina em ‘Baile Funk’, disponível no Wiki Favelas, censurar o conteúdo de um museu é criminalizar seus modos de vida, seus valores, suas culturas.


Graças à internet, os ataques de censura podem ser minimizados pela liberdade e compartilhamento instantâneo de conhecimento. Devemos, então, ver nossas redes sociais não somente como escape entretenimento, mas também como plataforma ampliadora de vozes.


Ao compartilharmos uma matéria com 15 pessoas, cada uma dessas tem certa probabilidade de repassar para mais 15 pessoas, assim, gerando o famoso boca a boca. Devemos postar as artes censuradas e trazermos muita atenção ao Museu da Diversidade Sexual. Assim, todas as tentativas de nos calar serão falhas. Que a arte nunca seja morta!



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