Nightflyers: “Agora a Matança é no Espaço”

Atualizado: 7 de Mar de 2019


Já conhecemos George R. R. Martin, criador da aclamada série "Game of Thrones" e escritor - entre dezenas de outros livros e contos - das "Crónicas de Gelo e Fogo", que são um fenômeno mundial da fantasia por todo o mundo. E claro que já não é segredo para ninguém que as páginas das suas histórias costumam vir salpicadas de sangue.


A nova aquisição do catálogo da Netflix é um original do canal SYFY, que tem por base uma “novela” thriller de ficção científica escrita por George e que, como era de esperar, (spoiler alert!) tem as suas tão famosas mortes frequentes. Mas não vale cair em enganos, porque o gênero e o enredo são totalmente diferentes do que somos habituados a ver no universo semelhante à idade média de Westeros: conheça a cativante história de “Nightflyers”, que estreou na Netflix neste dia 1º de Fevereiro, e tem tudo para arrasar os corações dos fãs de ficção científica.

Imagem de alguns dos protagonistas no episódio 6 da primeira (e, de momento, única) temporada

ENTENDA A HISTÓRIA


Embora George tenha escrito a história nos anos 80, “Nightflyers” passa-se num futuro ainda bem distante dos tempos atuais – no ano de 2093. E no futuro, como já era esperado, o planeta Terra está morrendo, colocando em risco a sobrevivência da humanidade.


O cientista Karl D’Branin pensa ter descoberto uma forma de salvar o ser humano da extinção. Isto porque um objeto espacial que ele já observava há algum tempo toma um desvio de trajetória que seria impossível ser tomada por um corpo celeste normal. Ele assume que trata-se de uma nave alienígena, e que os seres que viajam nela são a única solução para o problema em que o nosso planeta se encontra.


Que louco, né? Ao fim de 2093 anos sem contato com raças extraterrestres, a comunidade científica recusa-se a acreditar nas suas teorias mirabolantes. Mas Karl recebe uma chamada do famoso Capitão Roy Eris, da nave espacial Nightflyer, que lhe dá a hipótese de rumar com destino à nave dos apelidados Volcryn e tentar estabelecer contato com eles.

O cientista a observar a proximidade da Nightflyer à nave Volcryn, num dos episódios finais

Na nave encontramos diversas personagens interessantes e com muita bagagem de passado nas costas: Melantha, uma jovem criada por alterações genéticas exatamente para viagens no espaço; Rowan, um bioquímico que conhece os Volcryn melhor do que ninguém; Lommie, que tem uma ligação neural com a nave, que lhe dá o poder de ‘falar’ com esta; Agatha, a sua ex-namorada terapeuta que vem acompanhada de Thale, um L-1 (humano com capacidades telepáticas) que assusta todo mundo; e o próprio Capitão Eris, que só sai dos seus aposentos sobre a forma de um holograma.

Melantha, Thale, Agatha, Augustine, Roy Eris, Lommie, Rowan e Karl (da esquerda para a direita)

A certa altura pessoas começam a morrer de formas misteriosas e, ao que tudo indica, o telepata Thale é o culpado: os seus poderes telepáticos assusta a maior parte da tripulação, que o toma como uma "aberração". Mas nem sempre as coisas são o que parecem: é quando Karl começa a ver e ouvir a sua filha falecida, Skye, pela nave que os protagonistas são levados a entender que o horror que temiam encontrar no espaço não está nos Volcryn, porque esteve na Nightflyer o tempo todo.

Skye era a filha de Karl, que morreu de um vírus infeccioso pouco antes de ele embarcar na Nightflyer


O QUE ACHAMOS?


É importante começar a crítica mencionando que o enredo tem uma história muito ambiciosa, especialmente se tivermos em conta que a edição original do conto foi escrita em 1980 - altura em que os celulares mal eram uma realidade. Em "Nightflyers", temos naves futuristas que os seres humanos ainda demorarão séculos a conseguir conceber; seres humanos com poderes de telepatia e geneticamente modificados para propósitos concretos; espíritos aprisionados em objetos tecnológicos e, paralelamente ao "mundo real", uma infinidade de Universos Virtuais.

Tudo isto, somado com o passado e os segredos que as personagens (até as secundárias) carregam na bagagem, torna o enredo o que esperávamos de uma série co-produzida por GRRM: brilhante, cativante, sempre com segredos por descobrir a cada episódio. Além disso - e isto, George diz que aprendeu com Tolkien, autor de "O Senhor dos Anéis" -, também há mortes violentas e um toque final de fantasia de ficção científica que torna a história credível e viciante, com um guião quase perfeito e uma cinematografia incrível, com destaque nas cenas de paisagens espaciais de grande angular.

A cinematografia de "Nightflyers" é talvez a mais bonita alguma vez produzida num original SYFY

Embora o feedback da comunidade de ficção científica tenha, até agora, sido bastante positivo, os críticos parecem não ter sido convencidos pela nova série de Martin, que obteu as modestas classificações de 6,0/10 no IMDB e de 36% no Rotten Tomatoes. As principais críticas são o final, que, de alguns pontos de vista, deixou muita coisa em aberto – possibilitando a imaginação do espetador ou, noutro caso, possibilidade de uma segunda temporada, caso os fãs assim o quiserem – e também o roteiro. Este, na maior parte do tempo, é cronologicamente organizado e tudo parece perfeito (embora um pouco confuso, no início): mas há brechas em que, do nada, num momento clímax, a história avança oito meses e muitas coisas aconteceram nesse meio tempo.


Claro que ficamos sempre pensando que não dá para explicar cada minutinho de uma viagem espacial que dura anos numa série de dez episódios com cinquenta minutos cada um. Mas, por outro lado, continuamos a ter perguntas: “Por que é que aqueles dois se aproximaram?”; “O que aconteceu depois daquele momento tenso?"; "O que é que Fulano disse quando soube que Ciclano fez aquilo?”. Há também algumas atuações que deixam a desejar, mas isso é compensado com atuações brilhantes, em que devem ser destacados, para além dos protagonistas, Sam Strike (Thale) e Maya Eshet (Lommie) que, embora não sejam o “foco principal” da história, interpretam os seus papéis muito bem.

Agatha de "Nightflyers" é mais uma protagonista feminina inspiradora no mundo da ficção científica

Resumindo e concluindo, “Nightflyers” é uma série realmente ótima. Excluindo a violência, a história é totalmente diferente de “Game of Thrones”. No entanto, uma coisa prevalece: a forma como as histórias se encaixam e desenvolvem, de uma forma viciante, que já é uma marca de George R.R. Martin nos seus livros e séries. Para quem gosta de séries como “DARK” (que não tem qualquer relação com o espaço), que têm plot-twists inesperados e finais surpreendentes – e que são, no mínimo, filosóficos –, de suspense e de ficção científica, “Nightflyers” é tudo isso e muito mais.


Definitivamente a Netflix acertou em “Nightflyers”.

Assista o trailer para a série aqui em baixo. Já assistiu? Conta pra gente o que você achou!



nossa equipe tfp.png
  • YouTube
  • Twitter
  • Instagram

© 2019 por The Feminist Patronum.