Mulheres se juntam para investigar quadrilha de João de Deus

Após 10 vítimas acusarem o médium durante o programa Conversa com Bial no final do ano passado, centenas de outras pessoas tomarem coragem para fazer o mesmo, e o número de denúncias passou de 300. João de Deus negou e continua a negar que seja verdade, mas no dia 14 de dezembro de 2018 a justiça determinou a prisão do mesmo.


Em 16 de dezembro de 2018 uma advogada veio à frente durante o programa Fantástico e contou que há 10 anos atrás ela havia sofrido abuso pelo médium. Camila, com 16 anos na época, sofria de síndrome do pânico e procurava junto com sua família uma cura. Em seu depoimento a advogada conta que seu pai estava presente no momento do acontecido, e que João de Deus pediu para que ele ficasse de costas e fechasse os olhos para que ele pudesse tratar Camila.


"Falou comigo que eu ia ser curada, que era pra eu rezar. Eu fiz isso. E ele começou a passar a mão em mim. (...) E eu não - Eu tava confusa, sabe? Eu não tava entendendo, eu chorava muito. E ele falou assim 'Calma, isso faz parte do tratamento. Isso faz parte da cura.'" relata a vítima.


Após o ocorrido Camila ateou fogo em sua roupa e contou a sua mãe o que tinha acontecido. No dia seguinte sua família fez uma denúncia, e o processo só teve uma decisão em 2013 - 5 anos depois do ocorrido. João de Deus foi absolvido e o caso foi arquivado.


Durante essa semana novas acusações contra o médium vieram à tona, dessa vez, por tráfico internacional de crianças.


A ativista Sabrina de Campos compartilhou um vídeo em seu Facebook em que revela ter descoberto uma quadrilha organizada por João de Deus na qual garotas entre 15 e 18 anos seriam usadas como escravas sexuais, e o resultado desse abuso seria vendido internacionalmente.


Na legenda do vídeo Campos expressa a importância das denúncias e a gravidade dessa revelação:

"Amig@s e REDE! Precisamos que tod@s vocês COMPARTILHEM este vídeo nos seus feeds e marquem pessoas de Goiás e norte de MG. Estamos investigando de forma independente, apartidária, imparcial e neutra, os outros crimes de João Teixeira e sua quadrilha. Com o fim de colaborar com a Polícia Federal, FBI e Polícia Internacional da União Europeia, na identificação das rotas de fuga de tráfico de bebês e escravidão sexual das mulheres que sistematicamente foram obrigadas e coagidas a parir e entregar estes bebês. Eles são levados em geral, por guias turísticas espirituais (mas também por funcionários/as e quadrilha) para EUA, Europa e Austrália e vendidos por 20 a 50 mil dólares.

Nós garantimos anonimato absoluto e graças ao respeito da identidade de vítimas de abusos, ex-funcionárias, cidadãos de Abadiânia, Anápolis e MG, conseguimos alcançar de forma pacífica e organizada, o encaminhamento às autoridades competentes e imprensa de confiança, dados que culminaram na prisão temporária para julgamento de João de Deus.

Agradeço o apoio e sinto informar a alguns desavisados "shanti-shanti", que isto é um mundo REAL do qual a maioria aqui não está acostumada a tratar. O Brasil é um dos principais países que desaparecem com crianças, traficam pessoas e tem um mercado lucrativo que deixa cada vez ricos mais ricos e pobres mais pobres.

---------------------------------------------------------- OBS: NAO TENHO MEDO DE "PROCESSO" DE BANDIDOS E NEM AMEAÇA DE MORTE. SEJA POR PARTE DE MATADORES, POLÍTICOS, ADVOGADOS OU CÚMPLICES!

sa.bittencourt@protonmail.com coamebr@pm.me"



A ativista conta no vídeo que as meninas deveriam engravidar em troca de comida, e que após 10 anos sendo escravizadas as mesmas eram assassinadas. Sabrina pede a mobilização das autoridades, pois por mais que já tenha uma grande lista de relatos, ainda é necessário um maior número de provas.


NOTAS: A ativista Sabrina cometeu suicídio recentemente devido as perseguições que vinha sofrendo.

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