M-8: Uma ótima representação do racismo estrutural e da violência contra o jovem preto no brasil

Atualizado: 6 de Dez de 2020

Um estudante de medicina chamado Maurício (Juan Paiva), tem sua primeira aula de anatomia, nessa ele conhece M-8 (Raphael Logam), um cadáver que estará sendo usado para material de estudos. Aos poucos, coisas estranhas envolvendo a origem desse corpo despertam um interesse pela sua identidade. Baseado no livro de Salomão Polakiewicz o filme M-8, que foi dirigido pelo cineasta Jeferson De, cujo a obra é intensa, inteligente e envolvente.


Divulgação Migdal Filmes

Com o roteiro e direção certeira de Jeferson, temos, aqui, uma jornada com pauta religiosa e racial constantemente presentes. A forma como a religião espirita foi retratada na história deveria servir de exemplo para como nós temos que tratar dela: com naturalidade e sem que as pessoas precisem esconder, sem contar que, diferente de muitas outras produções audiovisuais (Que fingem que outras crenças não existem), esta da uma relevância importantíssima para o desenrolar da trama. Já a pauta racial, se apresenta através das barreira impostas entre Mauricio e seu objetivo principal, que, aliás, estão diretamente ligadas ao racismo institucional. É muito provável que, ao longo do filme, você se pegue arrepiado, pensando no quanto aquilo é preciso e detalhes como: os carros dos amigos brancos, os olhares (ou a falta deles) de um médico para o garoto, a veste de uma empregada serem iguais aquelas preto e branca de desenho (sendo que já estamos no século 2021) e o comentário nitidamente racista de um colega de classe, reforçam tal ideia. Tudo isso ainda esta acompanhado de um suspense em cima de M-8, onde sua conclusão pode levar vários espectadores as lágrimas.


E a trilha sonora? Está repleta de rap nacional (Rincon Sapiencia principalmente), mas também possui uma parte instrumental, que é composta por tambores, remetendo bastante a música de matriz africana.


Para finalizar, o elenco principal -Juan Paiva, Mariana Nunes e Raphael Logam- dão um show de atuação, Juan tem uma presença forte de tela, além de conseguir conquistar qualquer espectador. Mariana, representa TÃO bem o que é ser uma mulher preta no Brasil, isso em apenas um monologo, além de também ter uma presença de tela muito forte E Raphael bem... fazer um personagem que está morto é uma tarefa bem difícil e este ator te prende muito com os seus olhares precisos. Eles, diferente de alguns atores que fazer os personagens secundários, fogem da artificialidade (algo que é bem comum em produções brasileiras) é crível, é real, é poderoso.


M8: Quando a Morte Socorre a Vida é um filme que possui uma mensagem bem maior do que aparenta, onde seu único esta no fato de não ter uma duração maior que 1h e 24 min. A produção irá estrear no dia 3 de Dezembro, somente nos cinemas.




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