Katie Bouman: A Mulher que Captou a Primeira Imagem do Buraco Negro

Na quarta-feira (10), o mundo foi surpreendido com a primeira imagem de um buraco negro na história da humanidade captada pelo projeto Event Horizon Telescope (ETH). Katie Bouman, uma cientista norte-americana de 29 anos, foi responsável pela criação do algoritmo que levou a essa descoberta.


Em sua página do Facebook, Katie compartilhou sua alegria. “Observando, incrédula, a primeira imagem que eu já fiz de um buraco negro que estava em processo de reconstrução”.

Em dezembro de 2016, a cientista realizou uma palestra em um evento TED para falar sobre uma solução alternativa que possibilita fotografar um buraco negro. Ninguém imaginava que, em menos de três anos, isso seria uma realidade.


Katie estuda imagens computacionais que focam na criação de sistemas que integram algoritmos que possibilitam a observação de fenômenos impossíveis de serem medidos pelos meios tradicionais. Durante os últimos 3 anos, ela trabalhou na construção do algoritmo que ajudou a criar três microprocessadores de código e coordenou a seleção dos parâmetros de imagem, que levaram à captação da primeira imagem do buraco negro.


O trabalho realizado pela equipe do Event Horizon Telescope envolveu 200 cientistas, centenas de terabytes de data distribuídos pelo mundo e supercomputadores, que são máquinas usadas para cálculos complexos e tarefas intensivas. O objetivo da pesquisa era construir um telescópio computacional do tamanho da terra que captasse imagens do buraco negro que ajudariam no estudo sobre a relatividade geral em regimes de forte campo gravitacional. O papel de Katie era garantir que os métodos usados captassem precisamente o centro da Galáxia M87.


Em entrevista a revista TIMES, a cientista mostrou-se surpresa. “Nós todos olhávamos os computadores enquanto as imagens apareciam. O anel surgiu tão facilmente. Foi inacreditável”, disse.


Buracos negros são regiões do espaço tão densas que nem mesmo a luz pode escapar de sua atração gravitacional. Foram precisos 8 radiotelescópios espalhados ao redor do mundo e uma pilha de discos rígidos de dados de imagem para armazenar a imagem. Tudo que se sabe é que o buraco negro captado na imagem corresponde a cerca de 6 bilhões de vezes a massa do Sol e está na galáxia Messier 87 (M87), que é aproximadamente 53 milhões de anos luz da Terra.


Âmbito da ciência

Especialmente nos setores da ciência, tecnologia e engenharia, as mulheres sofrem desigualdade de gênero. Um estudo realizado pela UNESCO em 2015 mostrou que somente cerca de 34% dos profissionais no ramo da pesquisa são mulheres.


Após a descoberta, Katie é mais uma das incríveis figuras femininas vistas como inspiração para outras que sonham em trabalhar no campo da pesquisa, que é majoritariamente composto por homens. “Desde que você esteja animada e motivada a trabalhar com isso, você nunca deve sentir como se não fosse capaz”, disse.



O Laboratório de Ciência da Computação e de Inteligência Artificial do MIT postou uma foto em que compara Bouman a Margaret Hamilton, cientista que, em 1969, ajudou a escrever o código de software que possibilitou a viagem do homem à lua. No entanto, Katie ainda promete fazer muita história. A cientista de 29 anos compartilhou que pretende continuar trabalhando com a equipe da Event Horizon Telescope, que agora planeja captar não só imagens, como vídeos do buraco negro.


Formada em Engenharia Elétrica pela Universidade de Michigan, Katie conquistou muitos feitos desde o início de sua carreira: 2º lugar no prêmio Ernst A. Guillemin por melhor tese em Engenharia Elétrica no MIT, Prêmio de Excepcional Pesquisadora na Conferência Europeia de Visão Computacional em 2016 e na Conferência de Visão Computacional e Reconhecimento de Padrões em 2017, além de outras honrarias. Atualmente, ela é pós-doutoranda pelo Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian e professora assistente no Departamento de Matemática e Ciência da Computação do Instituto de Tecnologia da Califórnia.



Texto por Mariana Iuata

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