Interseccionalidade: O que é?

HISTÓRIA POR TRÁS DO TERMO

Em 1968, uma mulher negra chamada Emma DeGraffenreid se juntou com outras quatro mulheres negras e processou uma empresa de venda de automóveis por discriminação trabalhista. O argumento de DeGraffenreid era de que a empresa não as contratava simplesmente pelo fato de serem mulheres negras.


A corte, no entanto, concluiu que isso seria impossível pois a General Motors tinha mulheres [brancas] como secretárias e homens negros como factory workers. Por focar em discriminação de gênero e discriminação de raça separadamente, a Corte não percebia que o problema se encontrava na interseção entre sexismo e racismo.


O TERMO

O termo “interseccionalidade” apareceu pela primeira vez em 1989 em um documento escrito por Kimberlé Crenshaw, “Demarginalizing The Intersection Of Race And Sex: A Black Feminist Critique Of Antidiscrimination Doctrine, Feminist Theory And Antiracist Politics.” (“Desmarginilizando A Interseção da Raça e Sexo: A crítica de uma Feminista Negra sobre a Doutrina de Anti-discriminação, Teoria Feminista e Políticas Anti-racistas”)



De acordo com o Dicionário Oxford Americano, interseccionalidade é

A natureza interconectada das categorizações sociais como raça, classe e gênero, considerada como a criação de sistemas de discriminação ou desvantagem sobrepostos e interdependentes; uma abordagem teórica baseada em tal premissa.”

Ficou meio confuso? Tudo bem, a gente explica melhor. Basicamente, interseccionalidade se refere às diferentes identidades que uma pessoa possui e como elas determinam o poder social e político dela.





Essas identidades incluem mas não se limita a:

  • Sexualidade

  • Raça

  • Cultura

  • Orientação sexual

  • Idade

  • Identidade de gênero

  • Classe social

  • Religião

  • Nacionalidade

  • Etnia

  • Ocupação


Quando pensamos sobre isso, podemos perceber que às vezes certas mulheres podem ter muito mais em comum com os homens que fazem parte de sua vida do que com mulheres de outros países.


Por isso é muito importante que sempre que assuntos como a comunidade LGBTQ+ ou feminismo estejam sendo abordados, você repare nas vozes que estão na bancada. Se numa conversa sobre feminismo estejam falando apenas mulheres brancas de classe média, por exemplo, os tópicos abordados estarão abrangendo somente o feminismo branco. E se numa discussão sobre as dificuldades da comunidade LGBTQ+ estejam apenas mulheres branca e negras fisicamente capazes, como fica a posição dos transexuais, homossexuais fisicamente incapazes etc?


Um erro muito comum na história dos Estados Unidos é dizer que as mulheres puderam começar a votar em 1920, quando na verdade, apenas mulheres brancas ganharam esse direito. Foi apenas em 1965 que mulheres negras conseguiram vencer essa luta. Nesse caso podemos confirmar que a agenda do feminismo branco é posto como feminismo em geral, esquecendo das minorias que também fazem parte do grupo.


Na época de Carnaval a atriz Maria Casadevall apareceu com os seios à mostra em um bloco no Rio de Janeiro e comentários sobre como essa atitude era “lendária” surgiram por todos os lugares. O tabu sobre o corpo feminino deve sim ser extinguido, mulheres deveriam sim ter o direito de mostrar os mamilos da mesma forma que os homens sem serem taxadas como “putas”; mas essa não é uma prioridade fora do feminismo branco.


Na verdade, o feminismo negro luta bastante contra tal ação já que esta fortalece um dos muitos estereótipos da mulher negra. A mulher negra é muitas vezes vista como aquela mulher irreverente, aquela com pé de samba, aquela que diz sim para qualquer ocasião. Desde muito jovens são sexualidades, escutando comentários sobre seu corpo avantajado e curvas definidas. Em vez de lutarem para expor seus corpos, o feminismo negro dá preferência a assuntos como a solidão da mulher negra.


Esta, sem nos prolongarmos, é uma grande luta dentro do feminismo negro e muitas vezes esquecidas por aqueles de fora. E por solidão não necessariamente fazemos alusão à relacionamentos amorosos, mas sim à laços familiares e círculos de amizade. Em breve falaremos mais sobre esse assunto, então fiquem de olho aqui no blog!


O que você deve levar de tudo isso?

Identifique e reconheça as suas identidades, saiba dos seus privilégios e desvantagens.

Quando estiver falando sobre os obstáculos encontrados dentro da comunidade x ou no movimento y, lembre-se conta que existem milhares de identidades se misturando em uma única pessoa, e que por isso nem sempre podemos falar de forma generalizada.


Tente pensar além do singular. Entenda que mesmo quando pertencemos a um grupo, ainda sim somos diferentes.

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