Frida Kahlo: a filha da revolução

Atualizado: 23 de Jul de 2019

Enquanto para uma considerável parcela que faz parte de gerações mais antigas, o nome Frida Kahlo pode não dizer muita coisa. Já para as gerações mais novas, um simples esboço da monocelha da artista mexicana se tornou um signo. De forma instantânea, é capaz de remeter a uma série de significados e a uma conexão vívida com a artista, que se dá por meio do conhecimento de sua história de vida e contribuição para a arte.


Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón se tornou um verdadeiro ícone da cultura pop. O olhar profundo como um reservatório de segredos, as sobrancelhas grossas ligadas uma à outra, o buço aparente, sem contar as vestimentas de cores vibrantes, os adornos e estampas floridas compõem uma figura inconfundível, de presença marcante no imaginário social. Ela aparece em camisetas, canecas, materiais escolares, no instagram e, basicamente em todos os lugares. Ao contrário do que geralmente acontece, o consumo da imagem da pessoa Frida não significou o esvaziamento de sua memória. Isso se deve, é claro, às pessoas que fazem questão de manter seu legado vivo e sua história lembrada. Conforme o tempo passa, ela se torna para cada vez mais meninas e mulheres, uma identidade que produz enorme admiração.



Mas, afinal, o que ela fez de tão importante que, além de ter a tornado um ícone artístico e ter sido homenageada com um Museu, a fez um símbolo da luta das mulheres?


Kahlo nasceu num período bem peculiar da história de seu país de origem: no ano de 1907, quando começava a Revolução Mexicana. A Revolução que viria mudar a identidade nacional, que levaria o povo à uma outra direção, de resistência indígena e popular, que traria uma renovação cultural. Amadurecendo junto dessa nova perspectiva de México, e muito engajada socialmente, Frida sempre fez questão de se chamar hija de la revolución. É importante pensar que a arte acompanha a história, e assim, a revolução não se dava apenas na política e na ideologia do povo mexicano, mas também era demonstrada na arte. Nesse sentido, o trabalho de Frida (com forte influência indígena) foi também resultado de uma crescente busca pela quebra dos padrões estéticos europeus, que ocorria naquele momento político. O homem com quem se casaria mais tarde e com quem viria a ter um relacionamento abusivo, Diego Rivera, foi inclusive, um dos expoentes do movimento artístico do período.


Mas não pense que a arte de Frida deve ser limitada ao momento político mexicano. De fato, seu envolvimento com o meio artístico se deu de forma intensa, bastante pessoal, e pode-se dizer trágica. Ela sofria de poliomelite desde os seis anos de idade, e na adolescência, foi vítima de um grave acidente de ônibus. Foi durante sua recuperação, que sua alma renasceu por meio da arte, e fez nascer aquilo que viria fazer com que ela se tornasse o ícone Frida Kahlo.



Frida pintou suas dores, vivências, medos, seu casamento conturbado, a maternidade. Pintou sua luta como mulher, sua luta pela sobrevivência. Seus famosos autorretratos, quadros e fotografias expunham o olhar melancólico, sentimentalista e dramático que tinha pela vida, visto tudo que lhe ocorreu. Mas as cores vibrantes que compunham suas obras, enquanto guerreava pela sua própria vida, escancarava sua alma resiliente e colorida.


Algumas das principais e mais encantadoras obras de Frida:


As Duas Fridas, de personalidades distintas. Retrato pintado após sua separação de Diego Rivera. No fundo, a tempestade que se aproximava.


Hospital Henry Ford (1932). Frida havia sofrido três abortos, um deles nos Estados Unidos. Essa é uma das obras mais pessoais e comoventes da artista.


Autorretrato. O colar de espinhos representava a crise de seu casamento com Diego Rivera.




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