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Frankenstein, ou Prometeu Moderno

É claro que todo mundo já ouviu falar de um dos maiores clássicos de terror da literatura: “Frankenstein”, escrito por Mary Shelley. Mas você sabe a real história você sabe como foi criado um dos monstros mais famosos? Pois é, então continue lendo este esse texto e saiba quem foi Frankenstein.


Foto por Mariana Oliveira

A trama se inicia com cartas de Robert Walton direcionadas à sua irmã - descobrimos apenas no fim do livro de quem se trata, o primeiro ponto que me agrada é a forma indeterminada que é datado “Em 17…”.


Victor Frankenstein, nome muitas vezes atribuído à criatura, na verdade corresponde ao criador. Frankenstein é um jovem rapaz de uma família abastada e que não tinha muitos ideais. Não trabalhava não estudava e não sabia o que fazer no futuro. Sua única certeza era seu fascínio pela ciências de modo geral e filosofia, áreas questionadas pela pessoas, que diziam não ser uma ciência “de verdade”, inclusive o chamavam de louco.


Seu pai insiste que Victor faça alguma coisa, então sai do país estudar, e a partir daí a história inicia. Ao entrar na faculdade conhece alguns professores que julgam seu gosto, mas também se envolve por outras áreas se dedicando integralmente aos experimentos. Montou seu próprio laboratório e a partir desses estudos ele se vê fascinado pela criação (o ato), e busca por em prática. Juntando partes de corpos e artérias e coisas afins para sua “grande obra”. Passa noites inteiras e longos dias no aprimoramento dessa obra, da sua criação, até que finalmente ganha vida e automaticamente seu fascínio morre. Victor sente muito medo, nojo, repugnância (adjetivos que ele mesmo utiliza para descrever) e foge abandonando sua criação no laboratório.


A princípio, o leitor pode justificar esta reação como natural, afinal ele conseguiu, mas aos poucos notamos o quanto Victor Frankenstein é orgulhoso e desumano. Abandonou trabalho que lutou para desenvolver. O desafeto é tão grande que nem nomeou sua obra, alucinou durante dias e ao se destinar, ou falar a respeito, utiliza adjetivos pejorativos, se abstendo de toda responsabilidade e crimes causados pela criatura.


Durante a leitura, você se põe no lugar do monstro: Solitário e rejeitado pelo próprio criador, apenas busca viver, literalmente, e feliz, sem pessoas fugindo de medo e o chamando de demônio. Aprender a falar, apreciar a natureza e a humanidade, fez com que desejasse ter uma companheira. Isso é dito, mas fica muito claro em seu diálogo com Victor, podemos comparar sua índole à inocência de uma criança. E só se torna o ser mal que Frankenstein tanto afirma, por negar o direito de vida a ele. A falta de suporte de, no mínimo, seu criador, geraram consequências.


“Pela primeira vez, fui invadido pelos sentimentos de vingança e de ódio. Não procurei dominá-los”

Aqueles que lêem a edição da L&PM Pocket, pode desfrutar, além de toda esta obra de Mary Shelley, contam com o posfácio de Harold Bloom. Deixa uma crítica da obra atrelada à história da autora, e ao contexto social da época. A leitura deste é tão importante quanto o livro em si.



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