Euphoria retrata a realidade dos jovens do século XXI do jeito que adultos se recusam a enxergar

Quebrando tabus, o sucesso da HBO discute masculinidade tóxica, uso de drogas, violência e nudez


Conhecida por sua produções de alta qualidade, voltadas para o público adulto sem censura, a HBO deu início a uma polêmica com o lançamento de Euphoria, em julho de 2019. A criação de Sam Levinson, que usou a própria vida como inspiração para escrever o seriado, trouxe nomes já conhecidos em Hollywood como Zendaya (Homem Aranha: De Volta ao Lar), que está indicada ao Emmy como “Melhor Atriz”, Eric Dane (Grey's Anatomy), e Jacob Elordi (A Barraca do Beijo), para compor o elenco.



A produção foca em mostrar os dramas reais dos jovens da Geração Z, que estão vivendo suas primeiras experiências na adolescência durante o ensino médio e dramas intensificados pelas instantaneidade das redes sociais. Com sentimentos à flor da pele e explosão de hormônios, os personagens buscam descobrir qual seu verdadeiro lugar no mundo.


O que poderia ser mais uma trama teen parecida com uma das temporadas de Malhação, exibida pela TV Globo de segunda a sexta-feira, às 17h45, a emissora norte-americana mostrou aos domingos, às 23h, uma narrativa que navega com muita responsabilidade entre temas considerados tabus, como sexo, drogas, vícios, aborto, pornografia, gordofobia, nudez e identidade.


Trazendo Drake como produtor executivo, Euphoria conta a história de Rue Bennett, uma adolescente retornando à escola após passar o verão em uma clínica de reabilitação para tratar de seu vício em drogas e sem a menor pretensão de ficar sóbria. Sem romantizar o consumo de substâncias ilícitas, a personagem apresenta montagens de forma, literalmente didática, de todas as consequências que sofreu por conta do uso de drogas, servindo também como alívio cômico para a história pesada.



Os primeiros sinais de que a trama vai abordar temas pesados sem fazer rodeios surgem logo no episódio “And Salt the Earth Behind You”, que mostra a protagonista sofrendo uma overdose em casa, outros personagens fumando maconha, injetando drogas e fazendo tudo o que uma festa adolescente fadada a dar muito errado e sem a supervisão de adultos pode oferecer.


SEXUALIDADE


A chegada da jovem trans Jules (Hunter Schafer) ao colégio interfere na rotina nada pacata dos estudantes, mostrando logo em sua estreia uma cena de abuso sexual, trazendo também discussões sobre pedofilia e feminilidade.


Apesar de petições terem sido criadas por pais conservadores pedindo a retirada da série do ar por suas cenas de sexo, Euphoria explica com clareza a diferença entre a sexualização de personagens e a nudez. Destinada para o público maior de 18 anos, o roteiro debate a nudez masculina exibindo 80 pênis em um único episódio e as consequências do consumo de pornografia entre os jovens, principalmente para os homens.

Com a Kat, personagem da atriz Barbie Ferreira, o roteiro discute as primeiras experiências sexuais da adolescente, incluindo vazamentos de um vídeo íntimo em um site pornográfico sem seu consentimento. Ao descobrir que se tornou popular com a gravação, ela encontra uma confiança que estava escondida em sua personalidade tímida, e passa a cobrar para se exibir anonimamente para homens desconhecidos em troca de dinheiro e presentes.


VIOLÊNCIA


Com uma performance muito mais madura da que foi entregue na comédia romântica da Netflix, o personagem de Jacob Elordi, abre o debate para a masculinidade tóxica e como as atitudes são reflexos da infância dele. Sob a influência do poder da família de classe média, o jovem branco, cisgênero e com a carreira promissora de capitão do time de futebol americano, que enxerga sua agressividade e capacidade manipuladora como uma qualidade para ser o exemplo de homem bem sucedido.



Para chegar ao topo, não importa em que ele vai precisar derrubar para tirar de seu caminho, ou muito menos, quem vai precisar enfrentar para proteger sua namorada, Maddy (Alexa Damie), o exemplo perfeito de mulher feminina que deve ser protegida. Mesmo assim, nem ela escapa do comportamento agressivo de Nate, se tornando vítima desse comportamento por ameaçar expor que a vida do rapaz não é como a de um comercial de margarina.


Por trazer muitos assuntos sensíveis de forma explícita, é necessário tomar cuidado com todos os gatilhos que a série apresenta quando for assistir. Após um final de tirar o fôlego, Euphoria foi oficialmente renovada pela HBO e todos os episódios da primeira temporada estão disponíveis no streaming da emissora.


nossa equipe tfp.png
  • YouTube
  • Twitter
  • Instagram

© 2020 por The Feminist Patronum.