Especial Dia da mulher: 10 super-mulheres que você precisa conhecer




O dia 8 de março (ou seja, hoje!) é um dia muito especial para todas as mulheres. É no chamado Dia Internacional da Mulher que todos ao redor do globo se reúnem para celebrar o facto de que as mulheres existem e têm uma existência tão significante como a dos homens – que deve ser reconhecida.


Claro que não vale de nada parabenizar-nos e, durante o resto do ano, dizer que o feminismo é ridículo e rebaixar o sexo feminino. Feminismo é a crença e a causa que defende que as mulheres devem ter direitos iguais aos homens. Durante séculos, mulheres com conhecimentos científicos eram queimadas segundo o manual Malleus Malleficarum, um livro que tinha todos os detalhes de como as identificar e as queimar em praça pública, ainda vivas, como “bruxas”.

Das histórias de mulheres queimadas vivas na idade média surgiu o lema feminista "Nós somos as netas das bruxas que vocês não conseguiram queimar"

Por isso, antes de começar o nosso Especial, vale destacar que o Dia Internacional da Mulher é todos os 365 dias do ano (366 se for bissexto), não só aqui mas como em todas as partes do mundo: devemos enaltecer todas as mulheres incríveis que passam e passaram por este mundo, sempre, a toda a hora. Não apenas uma vez por ano: isso não é suficiente.


Então aqui vai: parabéns a todas nós, que aguentamos de tudo e mesmo assim somos vistas pelo sexo masculino como inferiores. Parabéns a nós, que por vezes ao andar na rua temos medo de sermos assediadas ou violadas. Parabéns a nós, que somos vistas por alguns homens como aquelas que têm como única função neste mundo lavar a louça e cuidar das crianças. Foi assim durante muito tempo e, em alguns países, ainda é. Até nos nossos países considerados “desenvolvidos” há uma grande discrepância nas ofertas de emprego, nos salários e na forma como as pessoas são vistas ao andar na rua. Mas vamos lutar, porque nós somos o futuro deste mundo: como outras mulheres poderosas lutaram para que nós, hoje, tivéssemos direito ao voto, a conduzir, a trabalhar, a estudar ou simplesmente a algo tão simples como usar calças. Este é o dia em que relembramos às pessoas que somos fortes e que nunca cairemos, e em que damos os parabéns a nós mesmas por mais um dia de luta. Parabéns, meninas!


Hoje, no Especial 2019 do Dia da Mulher do TFP, decidimos tentar trazer algo para vocês: para além da emblemática história que deu origem ao reconhecimento deste dia, dez mulheres icónicas que lutaram (algumas deram mesmo a sua vida) para construir um mundo mais igualitário do que aquele em que elas viveram. E, mais uma vez, parabéns a todas nós, por tudo!


A História


Como surgiu o dia da mulher? Há um mito que circula já há algum tempo – mas, desde que a ONU oficializou 8 de março como dia da mulher, ninguém confirmou que realmente tenha sido esse o motivo da escolha do oitavo dia do terceiro mês do ano. Diz-se que a data foi escolhida homenageando um grupo de operárias grevistas que foram assassinadas em 1857.


A história dessas tecelãs é um acontecimento que teve imensa repercussão: elas foram queimadas vivas numa fábrica de tecidos em Nova Iorque, Estados Unidos, numa forma de reprimir a greve, que tinha como objetivo a igualdade de género e melhores salários e condições de trabalho. Isto teve origem em dois acontecimentos na mesma cidade: a longa greve efetuada pelas costureiras, que durou quatro meses (de novembro de 1909 a fevereiro de 1910) e resultou em enormes prejuízos para as empresas têxteis e o incêndio acidental de uma das fábricas da Triangle Shirtwaist Factory, em 1911, devido às más condições de segurança do local. Entre os 146 falecidos nesse acidente, 129 eram mulheres, e 90 delas atiraram-se pelas janelas do prédio durante o incêndio – o que deu ainda mais sinais de que o ocorrido podia não ter sido um acidente.

Artigo do jornal "The New York Herald" sobre o incêndio

Daniela Lima, escritora e ativista, relatou o incêndio no texto “Às Que Vieram Antes de Nós: Histórias do Dia Internacional das Mulheres” desta forma:


“Era perto do fim do expediente da tarde de sábado, 25 de março de 1911, quando uma nuvem de fumaça se espalhou pelos três andares superiores do Asch Building, em Nova York. Ouviu-se o som de estilhaço de vidro seguido de um forte estampido. As trabalhadoras da Triangle Shirtwaist Company, que ocupava o espaço, acreditavam que fossem fardos de tecido ou pedaços da fachada que se desprendiam do prédio consumido pelo fogo. Logo perceberam o horror absoluto: aquele estranho estampido vinha dos corpos de mulheres e meninas que se jogavam das janelas tentando escapar das chamas.”

Embora não se tenha grandes certezas do que aconteceu naquela fábrica em 1911, uma coisa é sabida: o primeiro Dia da Mulher foi celebrado na cidade de Nova Iorque após ser proclamado pela ONU em 1975, embora já fosse comemorado desde 1909.

10 Mulheres Que Mudaram o Mundo


1. Valentina Tereshkova

(Rússia/União Soviética)


Valentina Tereshkova era uma cosmonauta russa, que se tornou, a 16 de julho de 1963, a primeira mulher a ir ao espaço. Fazia parte do proletariado e foi escolhida entre 400 participantes para a missão Vostok 6, que pretendia estudar o efeito do espaço no organismo feminino. Tinha apenas 26 anos quando circulou 48 vezes o nosso planeta e, já com mais de 80, Valentina diz que tem planos de ir morar para Marte. O feito da Roscosmos em escalar Tereshkova foi tão chocante, na época, que só 20 anos depois uma segunda mulher iria ao espaço.


2. Malala Yousafzai

(Paquistão)


Malala foi a nossa girl-power do mês de fevereiro e temos até um vídeo no YouTube explorando mais a fundo a sua história inspiradora. Ela é uma jovem ativista paquistanesa que teve de fugir do seu país apenas por querer estudar: mas o Paquistão, sobre a influência do grupo terrorista Talibã, proibiu as meninas de ir à escola. Arriscou a própria vida ao dar o seu testemunho num blog à BBC, e teve de fugir para Inglaterra. Foi a mulher mais jovem de sempre a vencer o Prémio Nobel da Paz e tem uma fundação que defende os direitos das mulheres e de todos à educação.


3. Bertha Lutz

(Brasil)


Bertha Lutz foi bióloga, ativista feminista e política brasileira. Era especializada em anfíbios e fez vários estudos e livros relacionados com isso. Não casou e nem teve filhos - o que, dado o ano do seu nascimento (1894), era um facto que fazia com que as mulheres fossem olhadas de lado. Representou as mulheres brasileiras em vários eventos feministas a nível mundial e criou a União Universitária Feminina, com o objetivo de incentivar o acesso do sexo feminino brasileiro ao ensino superior. Fez parte do Movimento Sufragista Brasileiro que, em 1932, garantiu o direito ao voto feminino no país.


4. Marielle Franco

(Brasil)


Marielle Franco foi política, socióloga, feminista e defensora dos direitos humanos. Começou a ser militante após perder uma amiga, vítima de uma bala perdida, num tiroteio entre polícias e traficantes. Foi assassinada junto ao seu motorista, Anderson Pedro Gomes, de uma forma covarde e desumana. Marielle é um símbolo da resistência feminina brasileira: Marielle, presente!


5. Emily Murphy

(Canadá)


Emily Murphy foi a primeira magistrada no Canadá e no império do Reino Unido, e ficou conhecida pela sua luta pela igualdade de género. Em 1929 conseguiu derrubar a regra canadense que afirmava que mulheres não eram consideradas pessoas, o que abriu caminho para o feminismo no Canadá.


6. Marie Curie

(Polónia)


Marie Curie foi uma cientista polonesa com naturalidade francesa, que efetuava estudos na área da radioatividade. Foi a primeira mulher a ser galardoada com um Prémio Nobel, a única a vencer em diferentes categorias (Física e Química) e única mulher a ganhá-lo duas vezes. É conhecida como uma das mentes mais brilhantes da história e os seus atos mudaram para sempre os ideais estereotipados sobre a inteligência feminina.


7. Coco Chanel

(França)


Coco Chanel foi uma estilista francesa que fundou a famosa e prestigiada marca Chanel. Foi ela que revolucionou o vestuário feminino, libertando milhões do desconforto de espartilhos e atavios. Durante a sua vida sempre incentivou as mulheres a brilharem, e a ser quem quisessem ser - sem que ninguém as condenasse por isso.


8. Leila Diniz

(Brasil)


Na época de um Brasil retrógrado e dominado por uma ditadura militar, nasceu Leila Diniz, atriz e ativista feminista e pioneira na liberação da mulher e da vontade sexual. Leila simplesmente quebrava o tabu, lidava com a maior naturalidade com o seu corpo e com a liberdade e os direitos das mulheres. Morreu num acidente de avião, e até hoje é o símbolo da liberdade feminina.


9. Virginia Woolf

(Reino Unido)


Virginia Woolf, britânica, é principalmente conhecida pelo seu ofício como escritora: vários livros seus são lidos e apreciados pelas crianças e pelos mais velhos, considerados intemporais. Mas Virginia revolucionou o mundo literário no século vinte ao escrever sobre a presença da mulher na sociedade. Por ter tido um romance com outra escritora, Vita West, em 1922, o "tabu" homoafetivo foi também abordado nos seus livros.


10. Ada Lovelace

(Reino Unido)


Ada Lovelace nasceu em 1815, no Reino Unido, e é considerada a primeira programadora do mundo. A sua vida girou em volta de pesquisas relacionadas a números, que foram publicadas muito depois da sua morte. Nos anos quarenta, as anotações de Ada inspiraram o programador e matemático Alan Turing a desenvolver algoritmos que inspirariam os primeiros computadores modernos. E isto tudo no século dezoito, em que nem sequer existia água corrente!




É impossível fazer caber todas as mulheres incríveis e inspiradoras neste simples post. Afinal, uma delas está a ler isto agora mesmo! Faltou alguém nesta lista? Conta para nós nas nossas redes sociais (@fempatronum no Insta e no Twitter). Feliz nosso dia! <3






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