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Dica de Livro | A Casa Amarela

A Casa Amarela: A sensibilidade retratada pela imortalidade de uma família sobrevivente ao Furacão Katrina


A Casa Amarela é um dos melhores livros de 2019, recomendado pelo Washington Post, New York Times, The Guardian, New York Public Library, o melhor da década pelo LitHub, recomendadíssimo pela família Obama. O romance biográfico foi publicado no Brasil ano passado (2021) pela Somos Livros, marca editorial da DarkSide Books.

Que livro intenso. Uma família (linhagem) que passou por dois furacões (o Betsy em 1965 e o Katrina em 2005) e sobreviveu merecia ter sua história imortalizada e Sarah M. Broom, teve a sensibilidade para realizá-la. O mais interessante é a centralidade da casa amarela - objeto central de toda narrativa - na vida de cada um, o que ela representa(va) para cada um.


É um livro cheio de detalhes, que inicia muito antes do nascimento de Mo, com nomes de membros importantes, para todas as cicatrizes deixadas por membros dessa família e pelo Estado. São tantas informações (principalmente com os nomes) que você acaba se confundindo se não estiver prestando muita atenção. Por ser autobiográfico, nada é perdido, cada detalhe, por mais simples que seja, tem um peso enorme na sequência de fatos, além de ser importante para a autora - claro, são várias gerações de sua família, mas para o leitor pode ficar um pouco enfadonho.


De qualquer modo, o livro não fala só da família da Sarah, seus 11 irmãos e o sofrimento passado numa região esquecida de Nova Orleans. O significado da casa amarela mesmo antes de ela existir. A grande responsável pela união e o que cada um que morou ali considera (ou não) como lar, tudo isso regado ao descaso do governo com aquele bairro e todos seus moradores, desde de sempre, mas triplicado depois da destruição pelo Katrina, como se não existissem. Sem terem para onde ir, e uma promessa vazia de reconstrução, alimentados por uma esperança falsa... E o pior, a demolição do que restou das moradias após a devastação, a única coisa própria que eles tinham.

Foto por Mariana Oliveira

O brilho da narrativa não está vinculado à uma história de superação, porque não é. Não é feito para que o leitor se comova e pense “coitadinhos”, porque não é. Mas foi escrito pensado em perpetuar as vidas da família de Sarah, um memorial em grande parte para Lolo, sua mãe e a todos que de alguma forma fizeram e podem fazer parte da Casa Amarela.


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