Dia de Santa Joana D`Arc

A Guerra dos Cem Anos (1337-1453), protagonizada por França e Inglaterra, é um dos eventos históricos mais conhecidos da humanidade. Junto desse episódio, surgiu uma das personalidades mais fortes e influentes no universo feminino: Joana D'Arc.



Joana nasceu no dia 6 de janeiro de 1412, em Domrémy, e morava no campo com uma família humilde e extremamente devota à Igreja Católica, o que a levou ao mesmo caminho de fidelidade à Igreja. Cumpria tarefas comuns do meio que vivia, como capinagem, costura, fiação, cozinha, limpeza e a guarda dos cavalos da comunidade.

Curiosamente, Joana não sabia ler nem escrever, algo comum à população do século XIV. Se sabia assinar seu nome, já era algo grandioso.


Ainda em sua infância, teve uma forte experiência mística, quando relatou ouvir vozes do São Miguel Arcanjo, Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarida de Antioquia, que a estimulavam a socorrer a França, até então prejudicada na Guerra. Anos mais tarde, essa experiência que vivenciou seria usada contra ela em seu julgamento.


Três anos após a sua visão, Joana vai para a cidade de Vaucouleurs pela primeira vez a fim de se apresentar ao rei Carlos VII, porém, os homens responsáveis por escoltá-la não acreditaram em sua história, e assim, ela resolve voltar para sua cidade natal.

Porém meses depois, os ingleses cercaram Orléans, a última cidade fortificada a caminho de Bourges, na qual o rei, Carlos VII, se refugiou. Então, pela segunda vez, Joana tenta aprovação para ser levada ao rei, que dessa vez é aceita.



Durante seu percurso até a residência do rei, Joana viaja mais durante a noite, já que o caminho está repleto de forças inimigas. Antes de chegar em Chinon, onde Charles VII está em residência, ela manda uma carta anunciando sua chegada, e apesar de hesitar, recebe a menina em seu castelo.


Apesar de impressionado com o seu discurso, o rei resolve encaminhar Joana para ser “examinada” pela Igreja Católica, em Poitiers. Por fim, depois de muitos questionamentos e exames (inclusive para constatar se ainda era virgem), foi concluído que não havia maldade nenhuma em Joana e nem ideias contrárias à Igreja. Além disso, o rei e seus súditos já estavam desesperados, e viram em Joana alguma esperança, já que ela havia sido enviada por Deus.



Joana vai à Tours, se veste com uma armadura (é importante ressaltar que Joana se vestia de maneira mais “masculinizada” para evitar que fosse atacada fisicamente e principalmente sexualmente, já que o ambiente era majoritariamente masculino), enquanto o rei organiza um novo exército e monta um trem de suprimentos para o povo de Orléans, que sofria com a fome, já que a cidade estava cercada.


O trem chega à Orléans com os suprimentos, e na mesma noite, Joana entra na cidade trazendo alegria a todos os presentes naquele lugar. Todos tinham muito medo de perder suas vidas e seus bens, mas com a presença dela se sentiam agraciados, multidões queriam tocá-la e tocar em seu cavalo.


O Fort des Tourelles, que bloqueava o acesso à Orléans, é tomado por Joana e seu pequeno exército. No dia seguinte, durante uma missa, os dois exércitos inimigos ficaram frente a frente, e por um milagre, os ingleses deixaram a cidade sem luta. O cerco de Orléans é levantado, e os ingleses são desmoralizados apenas pela presença de Joana.

Em Loches, Joana encontra o rei, onde o aconselha a partir para Reirns, e em Reim recebesse a coroa que lhe era de direito. Com essa coroação, o rei ganhou diversas cidades vizinhas e reconquistou diversos territórios, que antes estavam sendo habitados pelos ingleses e que após as vitórias de Joana, saíram em retirada.



Entretanto, em 1430, algumas coisas começaram a dar errado: Joana começou a perder batalhas, e ela foi capturada pelos burgúndios, que juntamente com os ingleses celebravam tal vitória. Até então, Joana era extremamente temida por eles. Assim que foi capturada, seu exército começou a ser dizimado, alguns foram mortos, outros afogados.

Durante 7 meses, Joana fica presa em dois castelos diferentes, e depois é entregue ao rei da Inglaterra. Seu julgamento começa no dia 9 de janeiro de 1431, e termina em 30 de maio com sua morte na fogueira, da Place du Vieux-Marché em Rouen. Sozinha durante 5 meses, enfrenta dois juízes – o Bispo de Beauvais e o inquisidor- além de seus 30 a 60 assessores.


Recebeu as seguintes acusações:

  • Feitiçaria: o poder do mal era atribuído ao estandarte que carregava, que ela considerava tão valioso, além dos anéis em seus dedos.

  • A impureza e as relações suspeitas com os seres que ela clamava e apareciam para ela

  • Ações de guerra contendo elementos de ódio ou crueldade

  • O uso de roupas masculinas que eram escandalosas e proibidas para uma mulher

  • Não se submeter à Igreja


No dia 23 de maio de 1431, é pregado um grande sermão pedindo a Joana que se submeta à Igreja. Assim, ela assina um “Calendário de Abjuração” – um documento que comprova sua submissão-, onde sua maior acusação é vestir roupas masculinas. Mas seus carcereiros a ameaçavam quando usava roupas femininas, ou lhe davam apenas roupas masculinas para vestir, obrigando-a usar apenas esse tipo de roupa. Foi vendida para a Inglaterra por 10 mil coroas de ouro, e levada para Rouen. Lá, foi cuidadosamente examinada a fim de constatarem o uso de feitiços mágicos, espíritos malignos ou pecados. Entretanto, nada digno de censura foi encontrado, além das roupas que usava. Esse foi o argumento final utilizado para a condenarem e a queimarem viva.


Joana D’arc foi beatificada em 1909, e em 1920 foi canonizada pelo Vaticano. Hoje, 30 de maio, celebramos o seu dia, e podemos constatar ao longo de sua história sua bravura e coragem, independente dos obstáculos que a cercassem. Que Joana floresça pelo menos um pouquinho em cada uma de nós, independente de nosso credo.





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