Crítica | Stargirl 

Estreando como atriz, Grace Vanderwall leva seu ukulele para o mais novo filme da Disney e mostra como demonstrar empatia e se aceitar como uma pessoa diferente pode transformar as vidas das pessoas.

Baseado em A Extraordinária Garota Chamada Estrela, livro escrito por Jerry Spinelli, o filme original do Disney+ acompanha a jornada de Leo Borlock (Graham Verchere), um garoto que decide se encaixar nos padrões estéticos de sua nova escola, no Arizona, para escapar do bullying. Mas tudo muda com a chegada de uma nova aluna chamada Stargirl (Grace VanderWaal), que não se importa em ser diferente e muda completamente sua visão sobre si mesmo. Assim como Luna Lovegood em Harry Potter, a jovem de vestes coloridas em um cenário sóbrio chama a atenção de todos do colégio Mica High, deixando o protagonista que sempre tentou se manter invisível completamente fascinado. A escolha dos produtores de trazer a jovem vencedora do programa de televisão norte-americano, America's Got Talent de 2016, é crucial para o desenvolvimento da trama, já que ela carrega o posto de amuleto da sorte do time de futebol americano, que passou a vencer todas as partidas desde que a garota começou a se apresentar poucos minutos antes das partidas, arrastando toda a cidade pacata para as arquibancadas nos dias dos jogos.

Ainda que os números musicais sejam um pouco repetitivos e pareça uma tentativa falha de reproduzir o que foi feito em High School Musical, as doces faixas inéditas transmitem o toque de magia que todos imaginam que a protagonista carrega. Toda a narrativa que cerca a Stargirl, que na verdade se chama Susan, acaba deixando Leo, o bullying e todos os outros personagens de lado, focando no espírito livre, cativante e empático, que se esforça para levar pequenas alegrias inesperadas para o dia a dia dos estudantes como o foco principal. De forma sutil, a menina consegue transformar todos os que tiveram o mínimo contato com ela, trazendo mais cores, arte, alegria e a motivação que faltava para transformar a escola em uma grande comunidade. Ignorando a proposta de manter uma conversa atual no filme dirigido por Julia Hart, a Disney acaba repetindo o feito de Vingadores: Ultimato e Star Wars: A Ascensão Skywalker, colocando cenas com três segundos de duração de casais LGBTQ+ para se intitular como um estúdio inclusivo.

Mesmo soando como mais do mesmo, Stargirl entrega a mensagem para o público “family-friendly” da plataforma de streaming de uma forma quase poética: Seja você mesmo, independente dos olhares, dos comentários, das críticas, sempre ajudando a quem precisa e sendo gentil. Conversando diretamente com os jovens que estão se descobrindo e tentando encontrar seu próprio lugar no mundo, a personagem acaba tendo a mesmo importância da Leslie, tendo grandes chances de ser o Ponte para Terabítia da nova geração.

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