the feminst patronum logo

Crítica: Stranger Things 3 (com spoilers)

A série dirigida pelos irmãos Duffer sempre foi alvo de grande expectativa à cada temporada. Com mais um mistério à frente, Mike, Eleven, Dustin, Will, Lucas e Max combatem um inimigo antes dado como derrotado na temporada 2 : o devorador de mentes ressurge e mais poderoso do que nunca, fazendo outras pessoas de hóspedes, sendo Billy ( irmão de Max) seu principal “recrutador”.

Divulgação : Netflix

O novo ciclo se passa um ano depois de Eleven ter supostamente fechado o portal, livrando a cidade de Hawkins dos perigos do Upside Down. Como se passa no verão, próximo ao feriado do dia 4 de julho, vemos figurinos mais coloridos, penteados variados e estilos próprios da estação de acordo com a época. Com a proximidade do feriado e a construção de um novo shopping center na cidade, novas distrações são estabelecidas, deixando a população de Hawkins alheia ao perigo que correm.

Para nos contextualizar na nova realidade dos personagens, somos apresentados aos casais que se formaram ( Mike e Eleven, Nancy e Jonathan, Lucas e Max, Dustin e Suzie) e os personagens que ainda tentam superar as perdas do passado, como é o caso de Joyce Byers ao ver seu então namorado Bob ser despedaçado pelos demo-cães. Sabemos que Nancy e Jonathan agora trabalham para o Hawkins Post, Dustin passou as férias em outra cidade onde conheceu sua namorada, e Steve trabalha em uma sorveteria no Starcourt.


Novas personagens também são inseridas, como Robin, colega de trabalho de Steve, e Erica (irmã de Lucas), também vemos um destaque maior de Karen Wheeler, a mãe de Mike e Nancy. Foi interessante observar a evolução de muitos deles, em especial a de Hopper e todo o desenvolvimento paternal e protetor quando se tratava de Eleven, principalmente quando o relacionamento dela com Mike estava envolvido.


Percebemos que algumas restrições foram impostas com relação ao contato de El com outras pessoas, e vemos também essas regras sendo quebradas quando ela e Max decidem se divertir em um dia sem garotos. Essa cena, assim como outras que serão faladas mais pra frente nessa matéria, foram importantíssimas para a representação de um empoderamento feminino, destacando a personagem “Eleven” não só como namorada do Mike, dotada de superpoderes, e filha do xerife Hopper, mas também como alguém que toma suas próprias decisões e está descobrindo seu próprio estilo, como uma adolescente normal. E o resultado, é essa cena maravilhosa :

Divulgação : Netflix

Essa amizade entre Eleven e Max, desenvolvida ao longo da temporada, foi uma das coisas mais bonitas de se ver, de verdade. A forma como elas se divertem, se preocupam uma com a outra, principalmente quando Max ajudou Eleven a construir sua confiança de forma individual, sem depender de outras pessoas para isso.

Divulgação : Netflix

E durante alguns episódios da temporada vemos algumas sequências também que envolvem Nancy Wheeler tentando se fazer ouvir em uma equipe formada somente por homens no jornal local, onde ela como estagiária, é diminuída e suas ideias para uma grande história, não são levadas a sério. A forma como tratam do machismo em diversas áreas, ambiente de trabalho, relacionamentos, foi bastante interessante e importante. Para um problema que, infelizmente, ainda persiste na atualidade, poderia se dizer que cenas como essas, em um seriado que se passa nos anos 80, ainda ocorrem, e com mais frequência do que nunca.

Divulgação : Netflix

E para provar que todos estavam errados, Nancy e todo o elenco feminino, mostram seus superpoderes, tomam grandes decisões em horas de desespero e não se deixam abater quando a ameaça aparece à espreita: o enfrentam cara a cara e não aceitam serem “donzelas em perigo”. Para o caso de Nancy, continuar investigando o caso dos ratos e dos fertilizantes, a levou em descobertas que se provaram que ela estava certa, mesmo após sua demissão. A vingança de Nancy chega quando ela finalmente consegue se vingar de um dos jornalistas que zombavam de sua ideia; para ela, aquilo foi a prova concreta de que ela não deveria ter desistido.

Divulgação : Netflix

Algo que não agradou muito nessa temporada, foi a escolha de manter todo o elenco separado em núcleos para depois juntar todos no episódio final, a fim de resolver finalmente o mistério da fenda que ainda continuava aberta. Mas, a importância desse processo foi considerado, pois cada grupo foi responsável por desvendar cada parte desse quebra-cabeça gigante que envolviam russos, devoradores de mentes, ratos e pessoas servindo de hospedeiras para os devoradores de mentes.


Eleven como sempre, possui o maior destaque na batalha para derrotar o devorador por conta de suas habilidades sobrenaturais, ao tentar localizar Billy e todas suas visões que contribuem para a solução do problema. Porém, acaba descobrindo no final que estaria perdendo seus poderes ao tentar amassar uma lata de coca-cola com o poder da mente, coisa que ela fazia sem pensar duas vezes. Talvez aquilo fosse apenas um teste, mas em algumas cenas também do último episódio, vemos uma certa dificuldade para manipular seus poderes para atividades do cotidiano. Uma das hipóteses para esse enfraquecimento, seria o fechamento do portal. Será mesmo? Comenta pra gente o que vocês acham.

Divulgação: Netflix

Até mesmo aqueles que não queriam estar envolvidos no início, acabaram se interessando pela ideia de “salvar o mundo”, que é o caso de Robin. E em uma briga entre americanos e russos, ela teve um importante papel para decifrar o código inicial interceptado por Dustin, que levaria à uma série de eventos e descobertas para o verdadeiro motivo da construção do shopping Starcourt. Na verdade, todo o shopping era usado como fachada para abrigar um grande laboratório russo onde abrigava a máquina que abriria o portal novamente para o Upside Down.

Divulgação : Netflix

Ver a dinâmica entre Steve Harrington, Dustin, Robin e Erica foi o um dos maiores exemplos de desenvolvimento de personagens, quando tratamos de Steve, ainda com seu ar galanteador de sempre, o personagem se torna mais humilde e menos arrogante, principalmente quando confessa seus sentimentos por Robin, depois de tudo o que os dois passaram.


Há quem diga também que o grupo formado para decifrar o esquema dos russos não teria sido o mesmo sem a sagacidade dele e alguns pedidos estão rolando no twitter para que seja feito um spin-off somente com os quatro. Seria bem interessante ver, para falar a verdade.


Referências


Claro que, como toda temporada, desde o início da série, Stranger Things apresenta uma variedade de referências à cultura pop das antigas. Algumas explícitas, citadas diretamente; outras escondidas, dependendo da interpretação e conhecimento do espectador com relação aos filmes e séries da época. Apenas alguns easter eggs foram identificados, alguns até mesmo revelados no trailer na época de divulgação da temporada. Outros são apenas algumas suposições, até porque o ano de alguns dos filmes ultrapassa o ano em que se passa a temporada.


Alguns exemplos de referências implícitas seria à Jurassic Park(1993), Duro de Matar(1988) e O Exterminador do Futuro (1984). O primeiro, se refere à cena do último episódio onde Will, Jonathan, Nancy e Lucas se escondem do devorador de mentes atrás do carro e esperam até que seja seguro eles saírem dali.

Divulgação : Netflix