Crítica: Spin Out

A história complexa e muito bem elaborada que abriu 2020 na Netflix vai muito além da patinação. Em 10 episódios, Spin Out aborda todos os sacrifícios que um atleta precisa fazer para se tornar o melhor e como o tratamento da saúde mental é essencial.


Katarina Baker (Kaya Scodelario) é uma patinadora artística que precisa superar o trauma de um acidente para conseguir recuperar sua confiança no gelo, ao mesmo tempo que Justin Davis (Evan Roderick) precisa de uma nova parceira pois a sua sofreu um acidente e não irá retornar mais. Após muita relutância pela parte de Kat, ambos se tornam parceiros e precisam redescobrir como patinar para essa parceria dar certo, lutando contra todos os problemas pessoais e mentais que assombram ambos.



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O que poucos sabem sobre Kat é que ela herdou a bipolaridade de sua mãe, Carol Baker (January Jones), e precisa viver sob medicamentos controlados. O desenrolar do relacionamento entre mãe e filha é complicado e um dos pontos centrais mais interessantes da série, a forma como a doença de uma interfere na vida de outra e vice e versa é interessante e muito bem elaborado, em um primeiro momento vemos a mãe lutando contra os remédios e precisando ser internada para tratamento intensivo, enquanto na segunda metade da série vemos a personagem principal deixar seu tratamento de lado para tentar reconquistar “sua confiança” e acaba desencadeando muitas consequências ruins para si mesma.


Não existe nenhum personagem dessa história sem um contexto e desenvolvimento, todos são centrais e necessários. A irmã de Kat, Serena (Willow Shields), possui enorme importância na vida de sua irmã e mãe, onde ao fim da primeira temporada a união das três é essencial para termos a conclusão que a temporada teve. Jenn (Amanda Zhou), melhor amiga de Kat, está seriamente machucada mas continua no gelo para não decepcionar os pais, usando e abusando de medicamentos para se manter de pé.



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A história também aborda o preconceito nos bastidores do esporte. Vemos Marcus (Mitchell Edwards), um atendente negro que trabalha com Kat, em busca de oportunidades nos gelos mas tendo sua jornada muito mais difícil graças à sua cor. Enquanto a história também apresenta a vida pessoal da treinadora de Kat e Justin, Dasha (Svetlana Efremova), uma atleta olímpica russa que precisou abrir mão do amor de sua vida por se tratar de um relacionamento do mesmo sexo e sua época jamais permitiria tal união. Ela precisa lidar com as consequências de suas escolhas ainda 30 anos depois.


Os bastidores de um esporte belo e muito violento, que envolve muita pressão, dor e desafios diários tanto no gelo quanto fora dele.


A atuação de todos os atores é impecável, mas é impossível não enaltecer o trabalho da Kaya Scodelario nessa narrativa. É possível perceber quando ela está bem em seu tratamento e quando as coisas começam a dar errado, te proporcionando uma experiência muito mais imersiva ao assistir a série.


Desenvolvida por Samantha Stratton, a série apresenta uma técnica impecável ao apresentar as cenas de patinação, misturando perfeitamente a leveza e dor do esporte, ao mesmo tempo que trabalha muito bem o drama pessoal de cada personagem.






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