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Crítica: Sombra e Ossos - 1° temporada

Alina Starkov queria apenas salvar seu melhor amigo, Mal, de ir para a Dobra sozinho. Em uma aventura improvisada, ela revelou-se o maior mito Grisha: A Conjuradora do Sol, o único dom no mundo capaz de destruir a Dobra das Sombras que perigosamente divide Ravka e alastra uma guerra iminente.



Para um leitor da fantasia atual, os nomes Sombra e Ossos e Six of Crows não são estranhos.


Na verdade, ambos os livros fazem parte de um mesmo universo conhecido como Grishaverse, de Leigh Bardugo. Em Sombra e Ossos conhecemos a história de Alina, o Darkling e a guerra dos Grishas, enquanto em Six of Crows, vemos um mundo mais "real", voltado para intrigas, aventuras nas ruas de Ketterdam e grandes roubos.


Um dos maiores temores do fãs do Grishaverse em relação à adaptação da Netflix era entender como essas duas histórias poderiam coexistir no mesmo enredo sem, eventualmente, modificar ou falhar com o enredo.

Eu te digo como, convide a própria autora para escrever a adaptação!


  • ENREDO

Créditos: Netflix

Alina e Mal são melhores amigos de infância que cresceram em um orfanato e conseguiram sobreviver até a vida adulta através de sua incontestável união. Enquanto Mal se tornou um talentoso Rastreador do Exército, Alina provou ter uma ótima memória e talento para desenhos, se tornando valiosa para os Cartógrafos.


Porém Mal é convocado para um trabalho que envolve atravessar a Dobra, a misteriosa Sombra que divide o país e é repleta de aves carnívoras conhecidas como Volcras.

Alina, em um momento de desespero, consegue participar da missão acreditando que a mesma não seria nem metade perturbadora do quanto foi.

  • A DOBRA E OS GRISHAS

Créditos: Netflix

No universo criado por Bardugo existem o que chamamos de Grishas, pessoas que, de alguma forma, foram escolhidas para herdar poderes místicos. Dentre os poderes existem os Corporalki, cujo poderes são voltados para o corpo humano, os Materialki, Grishas que podem manipular materiais como vidro e metais, e os Etherealki, ou seja, os conjuradores que manipulam os elementos da natureza, como nossa protagonista principal.

O que difere os poderes da Alina em relação aos outros, e que torna ela quase uma Santa, é que nunca existiu um Conjurador do Sol antes, e, segundo a profecia, este seria o único poder Grisha capaz de destruir a Dobra de uma vez por todas.


A Dobra das Sombras por sua vez foi criação do Herege Negro em um momento de fúria séculos atrás. Como você pode imaginar, o poder das Sombras também é extremamente raro, por isso existe um único Grisha vivo a possuí-lo, que é ninguém menos que o General do Exército, Kirigan.



  • SIX OF CROWS - OS DREGS DE KETTERDAM

Créditos: Netflix

Uma vez que a Conjuradora do Sol é revelada, as apostas mudam, e todo mundo está colocando um preço diferente pela sua cabeça. É aqui que entram os Corvos.

Eles são apenas humanos tanto na adaptação quanto nos livros, mas enquanto sua duologia historicamente é muito mais aclamada que a trilogia Sombra e Ossos, a adaptação viu necessário unir as duas histórias para manter um enredo mais duradouro e resistente aos episódios de quase uma hora. Mas acredite quando eu, um fã de longa data do Grishaverse, digo: essa foi a melhor escolha possível.

  • OPINIÃO

Das mãos de Eric Heisserer (A Chegada, Bird Box), o Grishaverse chega à Netflix com altas expectativas e um elenco que trouxe Ben Barnes para à frente do negócio como General Kirigan (fãs dos livros, vocês sabem quem ele é).


E não é de se surpreender que a Netflix optou por fazer barulho no momento de anunciar a série já com o elenco definido, afinal, as escolhas de atores para seus respectivos personagens foi impecável. Enquanto muitos conhecerão o nome pela presença de Barnes, será impossível concluir os 8 episódios sem ter pelo menos algum novo ator ou atriz favorita na sua lista. Performances como a de Freddy Carter dando vida ao líder dos Corvos Kaz Brekker é assustadoramente fiel à sua personalidade e faz o coração do fã sair pela boca assistindo (é verdade, eu sou a fã). O mesmo pode ser dito de Amita Suman e Kit Young, que dão vida a Inej Ghafa e Jesper Fahey respectivamente e são nomes que foram um espetáculo à parte na trama.


É importante ressaltar que este não é um universo fácil de entender, e imagino que se eu, que li todos os 5 livros, estranhei o primeiro episódio e todas as idas e vindas de lugares, personagens brincando com magia e personagens na cena seguinte jogando cartas em um bar, imagino que será um desafio maior ainda para quem não está habituado com o Grishaverse logo de cara.


Mas não desista tão cedo! Vai valer a pena, eu prometo.

A série é fiel aos livros quando precisa ser, e ousa em realizar alterações quando precisa surpreender nos momentos de tensão, em especial no episódio 5 (sério, eu venero tudo sobre esse episódio).

Outro ponto que facilmente chama a atenção é a qualidade e precisão dos figurinos e efeitos especiais da série. É um mundo tão longe da nossa realidade e, mesmo assim, a Netflix entrega um trabalho que convence o espectador de que tudo aquilo é real, que pode acontecer.

Créditos: Netflix

A próxima declaração é para você, fã do Maly dos livros, que buscou motivos que não existiam para defender seu favorito:

Vocês conseguiram, vocês ganharam um ator tão carismático para o personagem que ele ficou magicamente interessante! É um feito diretamente das mãos de Archie Renaux.


Aliás, eu não posso encerrar essa crítica sem também aclamar a performance de Jessie Mei Li como Alina Starkov, que após entregar lindamente uma protagonista coesa do início ao fim, ganha minha torcida para ver sua carreira decolando.

E com uma finale eletrizante que implora por uma segunda temporada, a Netflix entrega Sombra e Ossos de forma épica e coesa para realização dos fãs e para conquistar o coração do novo público.


Sombra e Ossos chega à plataforma na próxima sexta-feira, 23 de Abril.


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