Crítica segunda temporada de “Coisa Mais Linda”

A segunda temporada de “Coisa Mais Linda” chegou nesta sexta (19/06). Em seu último ano conhecemos Malu, Ligia, Adélia e Thereza, 4 mulheres que mesmo tendo suas diferenças apoiavam-se umas às outras. Duas delas (Malu e Adélia) viram sócias e abrem o “Coisa mais linda”, que é um bar musical, e este, se torna um grande sucesso trazendo muitos frutos, porém, após levar um tiro e perder sua melhor amiga, Malu também tem que lidar com a volta de seu marido e a tomada de seu clube e é daí que se inicia esta nova temporada.



Nós primeiros episódios nós entramos em contato com uma Maria Luiza abatida, pensativa e sem vida, aquele “espirito livre” que se manifestava usando o corpo está, agora, preso em olhares precisos e solitários, já as outras duas personagens estão lidando com a difícil tarefa que é criar uma criança, sem cruzar limites, já que em uma das ocasiões a filha não é sua. Novos personagens são introduzidos, estes tem um peso significativo para movimentar a trama em alguns momentos, mas quando não usados podem causar a sensação de excesso de personagens. Uma pessoa que roubou a cena neste novo ano foi Ivone (irmã de Adélia), a princípio parecia que a garota estava ali para ser o “vozeirão” do quarteto ou para ser apenas foco de sub-trama da série, contudo, ela cria sua própria identidade e se torna genuinamente interessante de acompanhar.


No meio da temporada temos seu ponto de virada, nele quando parece que a história ira se render ao novelesco, somos surpreendidos com um plano divertido e muito bem montado que chega até a ser recompensador e aliviante de se assistir, afinal depois de tanto sufoco e raiva passadas antes, tanto nós quanto as personagens, merecemos paz, dali em diante as coisas fluem de forma mais leve, pelo menos até chegada dos últimos episódios...


A fotografia permanece com aquele filtro meio amarelado que serve para mostrar o clima quente do Rio de Janeiro, igual aos figurinos que possuem cores claras (a não ser que a situação peça o contrário) o que nos desperta uma profunda vontade de se viver naquele tempo.


Temas sociais como: machismo, feminismo e racismo seguem sendo apresentados através de comentários que, por exemplo, ditam aonde uma mulher deve expressar sua opinião, um presente dado a uma criança que não necessariamente se parece com ela e oportunidades que só servem de deixa para segundas intenções (o famoso: "você tem potencial, que tal almoçar comigo um dia?"). Isso tudo é muito bom, pois não tira o foco da trama principal, mas ajudam a lembrar que não é preciso demostrar de forma expositiva esses tipos assuntos para dizer sua importância



Me dói dizer, mas a temporada peca em algumas partes, e o tempo é uma dessas, assim como na primeira ele é corrido, coisas importantes acontecem em um episódio e acabam no mesmo, julgamentos acontecem, doenças são curadas e conflitos são resolvidos muito rápido, parece que os roteiristas querem que tudo caiba em 6 episódios, não importa como, isso pode deixar o expectador perdido e com uma sensação de “mais já?”, outro detalhe são momentos dramáticos interrompidos no meio; eles chegam a ser introduzidos; você se envolve e no instante seguinte; tem um corte, que interrompe a cena e mostra outra menos importante.


O final de toda essa jornada é satisfatório e emocionante, os ganchos para a terceira temporadas são gradativos e vão desde de mudança para outro pais até uma morte misteriosa. Já sabemos que, se não for cancelada, os próximos episódios de “Coisa Mais Linda” terão muito o que responder.

nossa equipe tfp.png
  • YouTube
  • Twitter
  • Instagram

© 2020 por The Feminist Patronum.