Crítica: Peterloo

Em 1819, uma manifestação pacífica na cidade de Manchester a favor de uma reforma parlamentar, se transformou em um dos eventos mais violentos da Inglaterra, conhecido até hoje como o Massacre de Peterloo.


Divulgação: Diamond Films

Escrito e dirigido por Mike Leigh, o longa levanta discussões políticas que podem ser facilmente ser associadas às que ocorrem em 2019. Uma sociedade elitista prioritariamente branca que não está preocupada com as necessidades mais pobres e desempregados.


O filme não possui um protagonista, mas acompanha o jovem soldado voltando para casa como um dos poucos sobreviventes da batalha de Waterloo. Nesse cenário, ele encontra a dura realidade da falta de emprego, pouco alimento, muita pobreza e trabalhadores cansados de viver cada vez com menos.


Dentro deste contexto, a narrativa é bem arrastada, mesmo todo esse tempo sendo aproveitado com debates sobre a reforma em busca por representação parlamentar e longos discursos feitos pelos governantes britânicos. O filme deixa claro a aversão a dominação da burguesia privilegiada que não sentem nem uma gota de empatia pelos desfavorecidos, explicitando sempre a ganância e a sede por poder.


Divulgação: Diamond Films

O ritmo quase estático utilizado pelo diretor só ganha intensidade no terceiro ato, quando todos os trabalhadores estão prontos para reivindicar seus direitos de forma pacífica e serem ouvidos pelo governo em St. Peter. A manifestação logo se torna um episódio extremamente violento quando os militares a cavalos avançam contra toda a população virando um banho de sangue.


Peterloo evidencia toda a brutalidade dos militares numa sequência feroz, que é o ponto alto do filme. Cada ato de violência é exibido de forma chocante encarado com frieza pelos soldados, recriando com sucesso o monstruoso massacre que deixou milhares de inocentes (incluindo crianças) mortos.


Peterloo chega nos cinemas brasileiros dia 12 de setembro.




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