Crítica: “O Mundo Sombrio De Sabrina” - 2ª Temporada

Após os acontecimentos da primeira parte e do especial de natal intitulado “Um Conto de Inverno”, O Mundo Sombrio de Sabrina retornou ao catálogo da Netflix nesta sexta-feira (05/04) para sua segunda parte.


Créd. foto: NETFLIX

Como na temporada anterior, Sabrina (Kiernan Shipka) continua com o espírito de justiceira, mas de uma forma mais sombria e rebelde. No entanto, sua relação com o mundo dos mortais é abalada após a jovem bruxa assinar o Livro da Besta, fazendo com que ela largue os estudos no Colégio Baxter e se dedique integralmente a Academia de Artes Ocultas.


Desde o primeiro episódio, é possível ver Sabrina lutando contra o machismo, a misoginia, a intolerância, a xenofobia e a discriminação de gênero que rodeiam Greendale. E, representatividade é o que não falta! Susie (Lachlan Watson), que na primeira temporada mostrou ter dúvidas sobre sua identidade sexual, retorna como Theo, em homenagem a sua tia Dorothea, e passa por todas as dificuldades de um homem transexual com a ajuda de seus amigos e de seu pai.


Alguns episódios focam mais no poder e na ascensão de Sabrina no mundo bruxo, enquanto outros são mais voltados para a vida amorosa das personagens. Diversos casais são formados ao longo da temporada, como Sabrina e Nicholas (Gavin Leatherwood), Rosalind (Jaz Sinclair) e Harvey (Ross Lynch), Zelda (Miranda Otto) e Padre Blackwood e, Hilda (Lucy Davis) e Dr. Cee (Alessandro Juliani). Mas, claro, todos eles enfrentando muito drama para poderem ficar juntos.


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A bruxa mergulha de cabeça no mundo sobrenatural e chega à beira da morte, mas consegue se salvar e tem como recompensa o total controle sobre seus poderes e sua magia, rendendo uma comparação de Sabrina com a Fênix Negra de X-Men. Contudo, uma profecia que declara Sabrina a Mensageira do Inferno muda os rumos da história e rende a aparição de Luke Cook como Senhor das Trevas em sua forma humana.


Durante a temporada, a jovem bruxa encara três principais vilões: Padre Blackwood (Richard Coyle), Senhor das Trevas e a Ordem dos Inocentes, um grupo de caçadores de bruxas que querem pregar a palavra de Deus nas criaturas sobrenaturais. E, cada vilão desempenha um papel importante na ascensão de Sabrina.


É importante ressaltar os episódios de machismo e de misoginia que são praticados por Blackwood, bem como o relacionamento abusivo que ele estabelece com Prudence (Tati Gabrielle). Prudence, cega pelo desejo de ter um pai, tolera o patriarcado em que Blackwood vive e faz tudo que ele ordena, inclusive revelar a existência de Leticia, bebê roubada por Zelda no final da primeira temporada.


Créd. da foto: NETFLIX

A nova temporada também está cheia de surpresas. A Sra. Wardwell (Michelle Gomez), que mostrou ter um incrível poder de persuasão sobre Sabrina na primeira temporada, retorna para os novos episódios com uma vulnerabilidade que prejudica sua relação com a personagem de Kiernan, que desmascara a “vilã”. Por outro lado, a Tia Zelda mostra um lado maternal e protetor, chegando a se rebelar contra o Senhor das Trevas quando descobre que ele quer Sabrina como sua rainha.


Vários acontecimentos norteiam a série que, certamente, cumpre sua missão de mostrar um lado mais sombrio de Sabrina. Além disso, o final da temporada é marcado pela ascensão feminina no mundo bruxo, tendo duas importantes figuras assumindo os cargos de Suma Sacerdotisa e Rainha do Inferno.


A produção da Netflix, porém, desenvolve de forma rasa a trama e histórias de Rosalind, que descobriu na primeira temporada ter uma espécie de poder de visão, o Tino, que lentamente a cegaria, e de Theo, que apareceu de forma abrupta e sem muita explicação, assumindo ser um homem transexual. Ambos os personagens assumem um papel importante no decorrer da história, mas eles só ganham destaque no último episódio da segunda parte.


Vale lembrar também que Salem, que desempenhou um papel importante na série de TV Aprendiz de Feiticeira, que é uma versão menos sombria da produção da Netflix, aparece bem menos do que na primeira temporada, assim como Harvey.


Apesar de pequenas falhas na construção da história dos personagens coadjuvantes, a nova temporada mostra o lado rebelde de Sabrina e a ascensão da bruxa no mundo sobrenatural. Com 9 novos episódios, O Mundo Sombrio de Sabrina garante o envolvimento dos telespectadores na trama e encerra com uma deixa para uma possível 3ª temporada. Vamos esperar e torcer para que a Netflix renove a série.


Escrito por Mariana Iuata


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