Crítica: Malcolm & Marie

Se eu pudesse definir Malcolm & Marie em uma única frase seria citando o melhor comentário do Letterbox sobre o filme que é: “Se História de um Casamento fosse uma propaganda da Calvin Klein”.


Divulgação: Netflix

Dirigido por Sam Levinson, criador de Euphoria, o longa é um projeto ambicioso da Netflix filmado durante a pandemia em uma mansão localizada na Caterpillar House, na Califórnia, e se passa em uma única noite. Com Zendaya e John David Washington nos papéis principais, a trama acompanha um casal após a grande estreia de Malcolm como diretor de um longa, enquanto sua Marie não parece satisfeita com a noite, sendo coadjuvante de seu sucesso e cansada de conviver com o ego e narcisismo do namorado. E é assim que começa uma DR de 106 minutos de duração.


Com um formato minimalista, o que chama atenção do longa é a movimentação da câmera, a fotografia em preto em branco e uma trilha sonora marcante, comandada novamente por Labrinth. Que poderia ser definido também como a versão estendida dos especiais de Euphoria, da HBO, focado em Rue.


O grande diferencial do longa são seus monólogos filmados em planos-sequências, que parece ter se tornado a especialidade de Levinson nos últimos anos. Na mesma intensidade que os diálogos te cativam e te prendem devido a intensidade das discussões sobre egoísmo e reciprocidade, se torna cansativo em diversos momentos por vagar nos dilemas mal resolvidos do casal por falta de comunicação.


Mais uma vez, Zendaya consegue capturar a atenção do público ao mostrar a angústia, medo e mágoa de uma ex-atriz viciada em drogas que serviu de inspiração para a protagonista da história de Malcolm. Assim como o carisma de John David Washington se destaca transitando em um grande egocêntrico e completamente apaixonado pela jovem artista.


Além do trunfo do roteiro, atuação, direção e trilha sonora, o que também merece destaque é a fotografia de Marcell Rév, que também reprisa sua parceria com Levinson. Desta vez, ele deixou de lado as cores cintilantes e deu o grande estilo do longa em preto e branco.


O único defeito do longa pode ser exatamente a que se propõe, discutir a relação do diretor com os críticos que analisam seu trabalho. Mesmo as cenas sendo divertidas, dando espaço para John David brincar em frente às câmeras enquanto ouve as primeiras impressões de seu filme, a discussão real de Sam Levinson com Katie Walsh, a “crítica branca” do jornal LA Times, a respeito do texto escrito sobre seu filme País da Violência (2018), tira um pouco o foco complexidade e profundidade dos conflitos do casal e aparenta ser apenas uma tentativa de “vingança” pela antiga crítica.



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