Crítica: Love, Victor

Love, Victor chegou à plataforma de streaming Hulu na última quarta-feira, deixando todos os fãs do Simonverse, criado por Becky Albertalli, emocionados a menção do nome Simon mesmo depois de 2 anos do lançamento de seu filme.


A continuação de Com Amor, Simon é o segundo volume no meio audiovisual mas que na verdade é adaptação de uma série de livros conhecidos como Simonverse, onde já temos Simon vs. a agenda Homo Sapiens, Leah Fora de Sintonia e Love, Creekwood (lançamento em Julho/20 no Brasil) como referência para as adaptações que não são tão fiéis, mas que mantém a essência da história.


Mas, se você espera que Love, Victor siga o mesmo tom que Love, Simon, você está muito enganado. Enquanto Simon é uma pessoa que já tem certeza de quem é e precisa encontrar a melhor forma de contar aos outros, Victor está um passo antes, ele precisa entender quem ele realmente é e do que gosta, antes de machucar as pessoas a sua volta. Love, Simon pode ser considerado um romance gay, mas Love, Victor talvez faça mais parte da auto descoberta, novos amigos e os desafios em família.


HISTÓRIA

A família Salazar acabou de ser mudar para Atlanta. Descendentes de Colombianos, os pais de Victor (Michael Cimino) e Pilar (Isabella Ferreira) vem de uma família rigorosa e que leva as tradições muito a sério, por isso, quando Victor conhece Creekwood, seu novo colégio, ele tem certeza que finalmente vai conseguir descobrir quem ele é sem medo de julgamentos ou vergonha.


Obviamente nada é tão simples e ele descobre que, mesmo após Creekwood viver toda a revelação de Simon, as pessoas não são tão mente abertas como ele esperava.


Até então estamos falando apenas do primeiro episódio, que serve como ótima introdução a série e aos personagens, e não te obriga a assistir o filme do Simon para entender o enredo principal, mas que torna a experiência muito mais especial para quem se apaixonou pelo filme anteriormente (como eu).



PERSONAGENS

Se vamos falar sobre os personagens, eu não poderia começar falando sobre qualquer outra pessoa que não o novo melhor amigo de Victor, Felix (Anthony Turpel), que te conquista desde os primeiros segundos e não decepciona até o fim, ele é incrível, carismático, atencioso e se torna aquele personagem que você pensa “merecia mais”, espero ver mais dele em uma possível segunda temporada.


Somos introduzidos também a Mia (Rachel Hilson) e Lake (Bebe Wood), as melhores amigas mais famosas do colégio e que se aproximam de Victor instantaneamente, sendo Mia a primeira grande paixão de Victor nesta série.


Mas é com Benji (George Sear) que Victor entende sua atração por alguém do mesmo sexo, seu colega de classe e colega de trabalho, levando em consideração que todos no colégio parecem ser ricos e Victor não tem dinheiro nem para pagar a matrícula do basquete.


Benji é carismático (lindo) e se torna aquele personagem misterioso que você quer muito ver em cena mais vezes, fico contente com o desenvolvimento dessa relação que nasce como uma amizade necessária entre os dois.



CROSSOVER

Ok, falamos sobre o enredo e os personagens, mas em que momento a série se conecta com o restante do Simonverse? Simples, Victor já conhecia a história de Simon por ter sido um acontecimento famoso no colegial e criou muitas expectativas sobre como seria sua recepção. Quando ele se vê decepcionado com as pessoas do colegial, Victor decide enviar uma mensagem de desabafo para Simon, reclamando sobre a vida, sobre o fato dele ter amigos e uma família que o apoiaram, e que as coisas no mundo real não são tão fáceis, mas Victor jamais imaginava que Simon responderia sua mensagem, e jamais imaginava que eles se tornariam amigos virtuais.


Para quem amou Love, Simon como eu, foi MUITO emocionante escutar a voz do Nick Robinson (Simon) novamente, falando sobre seu namoro com Bram (Keiynan Lonsdale) e sua vida na faculdade. Foi mais emocionante ainda ver as participações especiais nessa série, não vou dar spoilers, mas pode esperar que tem muita coisa legal a caminho.



CONCLUSÃO

Love, Victor é uma série adolescente, sobre isso não restam dúvidas. É uma série leve porque trata de assuntos muito sérios, e é lenta em alguns momentos porque precisa ser, os personagens precisam de profundidade em uma série que envolve tantos sentimentos, e sabemos que com 10 episódios de 30 minutos isso pode ser um desafio, mas na minha opinião a produção, roteiro e direção lida muito bem com o tempo disponível.


Após assistir a série eu concordei com a decisão de remover essa produção do Disney+ e deixar nas mãos do Hulu, sinceramente, não imagino a Disney ser corajosa e aberta o suficiente para falar sobre romance LGBTQ+, sexo, álcool e gravidez no formato que eles trabalham hoje, e prefiro assistir a uma série honesta do que algo fictício.


A sensação de coração quentinho ao mesmo tempo que se apaixona por todos os personagens é gratificante, e com muitas pontas para uma possível segunda temporada.


Hoje Love, Victor não está disponível em nenhuma plataforma brasileira, mas pode ficar tranquilo que se a série chegar por aqui avisaremos vocês!


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