Crítica: "Infiltrado na Klan"

“Infiltrado na Klan” passa-se nos Estados Unidos nos anos 80. Embora sempre tenha sido o país com a maior diversidade cultural, com pessoas de todas as etnias e religiões, sempre existiram homens com uma espécie de “complexo de Hitler”, e foi assim que surgiu a Ku Klux Klan.

Adam Driver e John David Washington, que intrepretam as personagens principais da história

Ron Stallworth é um dos poucos polícias negros que existem nessa altura, e também a personagem principal do filme de Spike Lee, que se baseia na história verídica de Ron. O enredo gira em volta do detetive, que é o primeiro policial negro a conseguir infiltrar-se na KKK. Após estabelecer contacto, a “organização” mostra-se interessada em conhecê-lo: mas Ron não pode, obviamente, ir ele mesmo, devido a ser negro. Por isso o seu parceiro Phillip (Flip) Zimmerman assume a sua identidade em frente aos membros da KKK, chegando aos níveis mais altos da organização.

O filme reconta a história verídica de Ron Stallworth, um polícia que realmente existiu e investigou a KKK sob disfarce

Esta história seria ridícula se não fosse real: parece mesmo impossível ver um preconceito tão obsessivo e louco como acontece no filme, em diversas cenas que parecem feitas para ser caricatas mas que, ao mesmo tempo, não provocam o riso ou sequer uma reação positiva do espetador.


As piadas dos membros da KKK e a forma como se referem às pessoas de raça negra ofensivamente apenas incentivam o desconforto, e uma invisível dorzinha no coração só de pensar que cenas de agressão foram verdadeiras, aconteceram, e ainda acontecem no presente. O filme não termina como se esperava, com os heróis a derrotar os vilões, mas sim com a mensagem de que este preconceito ainda existe, ainda é um tema atual, com imagens cruéis verdadeiras da "guerra civil" que se instalou nas ruas americanas em 2017 devido à influência da Ku Klux Klan.


Spike Lee, Topher Grace e Adam Driver no set de "Infiltrado na Klan"

“Infiltrado na Klan” é um filme de reflexão, com uma banda sonora incrível, atores que não desapontam e uma forma leve de abordar os conceitos de racismo mas que, ao mesmo tempo, consegue atingir as pessoas no coração de uma maneira impressionante. É realmente um filme digno de Óscar: não é à toa que o filme ativista foi nomeado para seis e levou um prémio para casa na noite passada.





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