Crítica: Good Omens

Depois de quase 4 anos, desde a pré produção até o lançamento, Good Omens chegou na Amazon Prime Video com grande divulgação e altas expectativas.



Antes de falecer, Terry Pratchett (que se juntou a Neil Gaiman em 1989 para escrever o livro inspiração da série: Belas Maldições) pediu para seu amigo de longa data ser o responsável pela adaptação.


Mesmo entendendo os desafios, Neil Gaiman embarcou nessa jornada como forma de prestar uma homenagem ao amigo, que faleceu em 2015.


Desde o anúncio, Good Omens já carregava uma enorme responsabilidade: esse é um livro extremamente clássico para ambos os autores.


Mas a Amazon não decepcionou e escalou um time de muito respeito para trabalhar na série: Douglas Mackinnon (Sherlock) como diretor, Rod Brown como produtor e Neil Gaiman como roteirista. Além de David Tennant (Doctor Who e Jessica Jones) e Michael Sheen (Masters of Sex) no papel dos protagonistas Crowley e Aziraphale.


David Tennant (Doctor Who e Jessica Jones) e Michael Sheen (Masters of Sex)

A premissa da série acompanha a história do fim do mundo com o nascimento do anticristo e a guerra final entre céu e inferno, onde o anticristo completando 11 anos de idade chegaria ao auge de seu poder e iria dar início ao armagedon.


Crowley e Aziraphale deveriam ser inimigos, onde um é um demônio e outro um anjo. Mas, graças aos séculos na Terra, eles se tornam bons amigos que não querem ver seu planeta tão querido destruído.


A série em si é extremamente fiel ao livro, desde o enredo aos pequenos detalhes e referências.


De praxe, algumas cenas foram removidas e outras adicionadas. O ponto mais alto dessas mudanças em relação ao livro fica a cargo do Anjo Gabriel, onde no livro ele mal é mencionado, e na série ele se faz presente em momentos decisivos. Obviamente,  a escolha do ator também foi importante, Jon Hamm, o premiado ator de Mad Men e quase o novo Batman dos cinemas, não poderia dar errado.


Outro ponto extremamente positivo da série, que teve uma leve mudança em relação ao livro, é a relação entre o Aziraphale e Crowley. No livro eles possuem sim uma amizade divertida e de longa data, mas nada tão próximo e íntimo como na série, mudança que, na minha opinião, deixou a história tão mais interessante e próxima do telespectador ao ponto de me deixar ansiosa pela próxima cena dos dois juntos.


Aziraphale e Crowley

O final agitado, cheio de cenas de ação e momentos de sentir o coração na boca compensa o começo lento e introdutório, mas não pense que o fim da série é o mais interessante no final das contas.


Estamos falando de uma série que conta com inúmeras referências a acontecimentos históricos, séries do mundo geek, e até mesmo a outras obras dos autores, tanto quanto obras que o próprio Neil Gaiman é fã.


Foram tantas referências que os produtores da série lançaram um desafio aos fãs de Doctor Who para que tentassem encontrar tudo o que foi escondido ali especialmente para eles.


David Tennant em Doctor Who

Como mencionado anteriormente, o final agitado é ao mesmo tempo um final previsível e com medo de se arriscar, sem fugir do que  o livro apresentou.


Enquanto a série peca com a zona de conforto no final, se arrisca (e me permito dizer que acerta) nas críticas às histórias bíblicas e suas crenças de uma maneira sutil, como na cena onde Crowley e Aziraphale estão olhando para a Arca de Noé e Crowley se pergunta como Deus teria coragem de afogar até mesmo as crianças.


Em conclusão, podemos dizer que Good Omens cumpre com o que promete e faz jus ao livro, onde em alguns momentos, consegue até mesmo superá-lo.


Não é a toa que a melhor forma de adaptar Neil Gaiman, é deixar ele mesmo fazê-lo.


Assistam Good Omens no Prime Video hoje mesmo!



Observação: se ler tudo isso não te convenceu a ver a série, saiba que o cast também conta com a voz de Benedict Cumberbatch como Satã, Brian Cox como Morte e Frances McDormand como Deus. 




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