Crítica 'Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars'

Apesar de pouco citado em outros continentes, o programa Eurovision da Canção é um sucesso inegável! Alcançando mais de 190 milhões de espectadores ao redor do mundo, a competição de talentos é mais popular até que o The Voice e já revelou talentos como Céline Dion e ABBA. O filme ‘Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars’ que homenagearia o reality show que existe desde 1956 e reúne representantes de todos os países da União Europeia, coincidiu de estrear justamente no ano em que a competição foi cancelada devido a pandemia de covid-19.

Divulgação Netflix

Chegando na Netflix no dia 26 de junho, a comédia apresenta dois aspirantes a cantores que sonham em representar a Islândia na maior competição musical do mundo. De forma quase caricata e fadada ao fracasso, Sigrid (Rachel McAdams) e Lars (Will Ferrell), que cresceram juntos em Husavik, esperam há anos pela chance de mostrar seu grande talento ao vivo na televisão.

Sigrid, uma professora apaixonada, não mede esforços para tornar possível o sonho de Lars, um cara cansado de envergonhar o pai por nunca ter conseguido alcançar seus objetivos. Destinados tentar honrar o nome do país, eles conseguem se destacar (de forma negativa) entre os competidores, mas é somente quando uma grande tragédia acontece que eles garantem uma vaga entre os artistas mais talentosos da Europa.

O filme comandado por David Dobkin, conhecido por dirigir famosos videoclipes da banda Marron 5, não economiza em cenas que deixa o telespectador desconfortável de tanta vergonha alheia. Da mesma forma, o roteiro escrito por Ferrell brinca com o texto, se encaixando bem com o reality show que adora o exagero e a breguice.

O grande destaque de Eurovision fica por conta de Rachel McAdams, que além de já ter se provado uma excelente atriz, é ela que rouba a cena e entretém o público de verdade. Diferente de Lars, Sigrit possui um verdadeiro talento artístico e encanta facilmente os telespectadores com sua voz angelical, sendo quase deprimente ver a personagem presa a uma fracassada carreira para não abandonar o grande amor.

Apesar de ser quase impossível não vibrar com as algumas cenas musicais, como a performance de I Gotta Feeling, música do grupo The Black Eyed Peas, o filme não consegue manter a profundidade que planejou ter. Os mitos e lendas tradicionais do país poderiam ambientar melhor a história, mas acabaram sendo ignorados a maior parte do tempo, assim como o laço criado entre a torcida da população pelos músicos cativa mas não consegue se manter por muito tempo.

Muitos fãs também ficaram decepcionados com as pequenas cenas de Demi Lovato, a candidata favorita para ganhar o concurso, que exibe vocais poderosos na música In The Mirror. Já o músico selvagem de Dan Stevens, mesmo recebendo mais tempo de tela, não ganhou o desenvolvimento que deveria. O personagem chega a citar brevemente que precisar esconder a própria sexualidade em seu país de origem, a “mãe Rússia”, mas informação não é explorada.

‘Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars’ entra para o catálogo do streaming como uma surpresa agradável para quem deseja se divertir sem levar a história tão a sério. Podendo até passar despercebido por muitos assinantes, o filme encerra com a força subestimada de provar que até mesmo os sonhos mais impossíveis pode se realizar.



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