Crítica: Era Uma Vez em Hollywood

Estreou nesta quinta-feira, dia 15 de agosto, o tão aguardado filme de Quentin Tarantino: “Era Uma Vez Em Hollywood”. E é claro, o The Feminist Patronum não deixaria de assistir ao filme e contar pra vocês tudo o que rolou. Portanto, vamos à crítica!


Divulgação: Sony Pictures

O filme conta a história inicial do ator Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), tentando ascender em Hollywood e conseguir o tão sonhado reconhecimento e fama por seu trabalho. Rick passa a imagem de um ator inseguro e que tenta atingir a perfeição a qualquer custo, sempre questionando seu verdadeiro papel na indústria cinematográfica. Porém, não conseguiria alcançar todos os desafios de sua profissão se não fosse por seu amigo e dublê, Cliff Booth (Brad Pitt).


A história de Cliff não é muito bem desenvolvida no primeiro momento, apenas sabemos que trabalha como dublê das séries de TV que Rick participa, e que mora em um trailer com sua fiel escudeira de estimação, Brandy. Porém, ao longo da história, descobrimos que ele teria sido acusado de matar a própria esposa e de ter “se safado por isso”, algo que o filme não explora muito bem, mas deixa bem claro o caráter agressivo do personagem e sua resistência física para aguentar certos desafios, por conta da profissão.


A personagem de Margot Robbie, Sharon Tate, entra em cena e sua vida com o cineasta Roman Polanski (Rafal Zawierucha) é explorada, sendo retratada ao mesmo tempo de forma humana, como na cena do cinema e com os pés descalços. O filme conta de forma um pouco isolada a história de Rick Dalton e Cliff Booth, para depois apresentar a vida da atriz. Até esse momento, não vemos nenhuma relação entre os três personagens, apenas se sabe que Sharon e Roman são vizinhos de Rick.


Divulgação: Sony Pictures

Um recurso muito bem explorado pelo diretor foi o uso constante de metalinguagens. O filme em si já seria uma metalinguagem, pois são atores interpretando outros atores e gravando cenas de filmes e séries dentro de um filme. Por isso, não conseguimos distinguir muito bem quando é uma cena do próprio filme (por exemplo, quando se trata de Rick Dalton, ou o próprio personagem atuando e cenas de Sharon Tate assistindo seu próprio filme, só que com a Sharon Tate original).


O filme conta com muitos outros atores de peso como Dakota Fanning, Kurt Russel, Al Pacino, Damian Lewis, Luke Perry (Riverdale/in memoriam), Clifton Collins Jr (Westworld), Keith Jefferson (Os Oito Odiados), Nicholas Hammond (Gallipoli), Timothy Olyphant (Santa Clarita Diet) e Lena Dunham (Girls).


Uma das cenas de prender o fôlego, foi sem dúvida, a ida de Cliff Booth ao rancho da família Manson, antes apresentado como um antigo local de filmagem, no qual Cliff costumava frequentar com Rick na época em que o mesmo gravava mais um episódio de seus seriados. Cliff chega até lá por intermédio de Cat (Margaret Qualley), uma das integrantes da família Manson, por mais que o filme não seja tão óbvio de chamar assim.


Divulgação: Sony Pictures

Quando Cliff questiona sobre um velho amigo, George (Bruce Dern), que costumava morar no set de filmagem, sentimos a tensão de todo o grupo ao tentar esconder algo, gerando uma curiosidade e determinação em Cliff para descobrir o que houve. Ao saber que seu amigo ainda morava na mesma casa, (com um pequeno acréscimo de alguns membros da família Manson) Cliff continua desconfiado, ainda mais por saber que George agora estava cego e com Alzheimer. A cena de tensão é concluída com Cliff descobrindo que o pneu do carro de Rick foi furado por um dos membros do rancho e se envolvendo em uma briga com o responsável.


Charles Manson (Damon Herriman), citado na cena, aparece apenas uma vez, quando surge na porta da família Polanski e de sua futura vítima, Sharon Tate, “por engano”. Talvez estivesse tentando investigar a rotina da atriz, mas de qualquer forma, o filme não deixa explicito.


Referências


Como um bom filme de Tarantino, não poderiam faltar referências aos filmes anteriores do diretor. A mais comum, o cigarro Red Apple, marca fictícia criada apenas para seus filmes, aparece em cenas de Leonardo DiCaprio incorporando Rick Dalton em cena gravando mais um episódio de “Baunty Law”, que seria um “faroeste espaguete”, por ter surgido na Itália.


Esses tipos de faroestes costumam ser uma grande inspiração para a maioria dos filmes do diretor, que incorpora os trejeitos dos “cowboys” e a forma em que os conflitos acontecem, além do enquadramento da câmera e o manuseio da arma em situações de duelo, por exemplo.


Outra referência percebida, foi à um filme famoso do diretor que também possui Brad Pitt no elenco: Bastardos Inglórios. Na cena, Rick Dalton usa um lança-chamas contra alguns nazistas em seu filme 14 Fists of McCluskey.



Trilha Sonora


Como o filme se passa nos anos 60, seu repertório musical não poderia ser diferente. Temos Simon & Garfunkel, Deep Purple, Paul Revere & the Raiders, Dee Clark e entre outros grandes nomes da música, que embalam tanto a história de Sharon Tate, quanto a dos dois amigos em Hollywood.


Divulgação: Sony Pictures

A cena final do filme traz a marca registrada do diretor. A violência exagerada toma conta do que seria uma invasão de três membros da Família Manson à casa de Rick Dalton, após uma passagem de 6 meses desde a visita de Clif Booth ao Rancho Spahn. Alheio de tudo o que acontecia, Rick Dalton, agora casado, só percebe que sua casa fora invadida porque um dos membros, já coberto de sangue, atravessa de forma abrupta a porta da varanda e se joga na piscina. A solução de Dalton? Ligar seu lança-chamas para acabar de uma vez com aquilo.


Vemos um Cliff Booth destruído e com uma facada na perna de brinde, resultado do confronto com os seguidores de Charles Manson. Ao final, testemunhamos o primeiro encontro entre os vizinhos Rick Dalton e Sharon Tate, que por acaso é fã do trabalho de Dalton e o que seria sua última noite viva, concluindo assim, o penúltimo trabalho de Quentin Tarantino, que pretende se aposentar depois de seu décimo filme.




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