Crítica: ‘Duas Rainhas’

Atualizado: 11 de Abr de 2019

Enriquecido de discursos atuais, fotografia incrível, e figurino e maquiagem impecáveis, ‘Duas Rainhas’ é o filme perfeito para os amantes da História, pois retrata toda a trama que envolveu Mary Stuart e Elizabeth I no século XVI.


O filme é baseado no livro de John Guy, ‘Queen of Scots: The True Life of Mary Stuart’ (Rainha dos Escoceses: A Verdadeira Vida de Maria Stuart, em tradução livre), dirigido por Greta Gerwig e com roteiro adaptado por Beau Willimon cujo currículo é composto por nada mais, nada menos que House of Cards (2013-2018). Além disso, temos atrizes aclamadas pela Academia para compor o elenco: Saoirse Ronan (Lady Bird – A Hora de Voar), como Mary Stuart, e Margot Robbie (Eu, Tonya), como Elizabeth I.


Duas Rainhas aborda a tumultuada vida de Mary, que sai da França e vai para a Escócia com o objetivo de recuperar seu trono legítimo, o que deixa sua prima Elizabeth I em estado de pânico, já que a presença da personagem de Ronan é vista como uma grande ameaça à sua posição de rainha inglesa.



Além da rivalidade entre as duas, a obra retrata a vida pessoal de Maria Stuart, que em todos os instantes da sua vida se mostrou firme em suas decisões e disposta a honrar seu título de nobreza. Porém, o momento mais esperado do filme, ocorre quando as duas rainhas se encontram, ocasião responsável por um dos momentos mais tensos do filme.


Existe um grande enfoque na guerra de tronos entre Mary e Elizabeth durante a narrativa, porém é válido ressaltar algumas problemáticas sociais abordadas durante o filme e que, ao longo de centenas de anos, foram perpetuadas até os dias atuais. São elas:


Intolerância religiosa: Mary Stuart assume o Catolicismo como sua religião, enquanto a Escócia é um país rigorosamente protestante. Quando o pastor fica ciente disso e percebe que a Rainha não mudará sua escolha, passa a difamá-la de todas as formas, propagando ódio contra ela e incentivando a população.


Machismo: Em uma realidade não muito diferente da atual, os homens tinham grande dificuldade em aceitar uma mulher no cargo máximo de poder. Em diversos momentos da narrativa, a rainha da Escócia sofre dificuldades, conspirações e traições em seu meio por não ser considerada a pessoa mais indicada para governar, principalmente por nunca abdicar de suas decisões e por ser uma mulher.


Epidemias: Durante o filme, também é retratado o momento em que uma das rainhas – Elizabeth I-, contrai varíola, doença hoje erradicada, mas que nesse momento do filme, foi responsável por uma grande epidemia. É importante falar sobre isso porque as consequências dessa enfermidade trazem diversos complexos de inferioridade para a Rainha, inclusive o de se comparar e invejar

sua prima Maria. Ademais, a partir dessa situação, é possível enxergar como a beleza da rainha vai se deteriorando, e que o trabalho da maquiagem foi incrível, mostrando também que Robbie não é só “um rostinho bonito”.



Em mundo extremamente machista, em que as atitudes das rainhas deveriam girar de acordo com a vontade dos homens da época, isso acabou custando caro, ou melhor, uma vida. Apesar de algumas incoerências históricas (como a presença de um homossexual na corte da rainha, e um encontro entre as duas que supostamente nunca aconteceu), é um filme que vale muito a pena.


Duas Rainhas, foi indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Figurino e Melhor Maquiagem e Cabelo, já está em cartaz nos cinemas brasileiros.


Texto por Yasmin Cardoso.

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