Crítica - "Bom Dia, Verônica", uma série necessária

Atualizado: Out 7

Bom Dia, Verônica”, uma das novidades de outubro da Netflix, é aquela série necessária - e muito forte - que traz à tona algumas falhas do nosso cotidiano que devem ser discutidas. Baseada no livro homônimo de Ilana Casoy e Raphael Montes, publicado pela DarkSide, a série conta a história da escrivã Verônica Torres.


Divulgação Netflix

Casada e mãe de um casal de adolescente, Verônica vive um dupla jornada para cuidar da família e da parte burocrática dos casos da Delegacia de Homicídios de São Paulo. Mas sua vida muda de rumo após presenciar um suicídio, e por conta disso, ela decide investigar por conta própria dois casos de violência contra mulheres.


No papel principal, Tainá Müller trás ao público uma mulher extremamente forte e que não deixa a opinião alheia afetar aquilo que acredita, transformar as críticas em combustível para continuar lutando pela justiça e um mundo correto. E é esse mundo imperfeito que vemos na produção nacional, uma delegacia repleta de funcionários corruptos e machista.


Além da misoginia, machismo e violência doméstica, a série também alerta sobre os perigos da internet - claro, há histórias de encontros e reencontros incríveis, como “Com Amor, Simon”, mas também, existem os casos assustadores de golpistas e agressores que conhecem as vítimas virtualmente.


Como toda adaptação, alguns personagens são diferentes do livro, por exemplo, o delegado Wilson Carvana (Antônio Grassi) é extremamente machista na obra e na série essa característica foi amenizada, mas isso não diminui a importância do personagem na trama. Como um segundo pai de Verônica, o delegado por momentos parece ser o vilão da história e em outros o protetor de Verônica, e isso perdura até o último episódio.


E para aquelas que admiram produções criminais e gostam de entender a história do agressor de forma aprofundada, sentirá falta de explicações sobre o passado de Brandão (Eduardo Moscovis), mas isso não é um empecilho para se apegar a história do policial e de sua mulher, Janete (Camila Morgado), que se coloca como culpada ao viver um relacionamento extremamente abusivo e violento.


Mas não se engane, Bom dia, Verônica é aquele tipo de série que te deixa sem fôlego e com uma imensa vontade de entrar na tela e ajudar a todas as mulheres. Com cenas de embrulhar o estômago - de tamanho desespero - e outras de muita tensão, não recomendo a série para quem é sensível, pois pode acarretar gatilhos emocionais, principalmente em mulheres que já foram vítimas de golpes, assédio e violência doméstica.



  • YouTube
  • Twitter
  • Instagram

© 2020 por The Feminist Patronum.