Crítica: After

Muitas expressões e beleza visual, mas não são esses os únicos componentes para um ótimo filme.



O fenômeno After, livro baseado em uma fanfic do Wattpad, teve sua adaptação lançada nos cinemas nesta quinta-feira (11/04) e já recebeu várias críticas, principalmente dos próprios fãs.


O livro conta a história de Tessa Young (Josephine Langford), uma garota simples e dedicada aos estudos que está começando seu primeiro ano cursando Economia na faculdade. Ao se envolver com sua nova colega de quarto, Steph Jones (Khadijha), e seus amigos, Tessa conhece Hardin Scott (Hero Fiennes-Tiffin), um garoto rude e fechado, o qual iria virar sua vida de cabeça para baixo. Ao longo da trama, o casal passa por dificuldades no relacionamento, ciúmes, episódios de posse entre os personagens, até que é revelado à Tessa que Hardin havia apostado com os amigos sua virgindade.


Desde o início das gravações, Anna Todd, a escritora de After e produtora do filme, afirmou que o filme seria uma adaptação, ou seja, algumas partes do livro não seriam colocadas ou poderiam sofrer mudanças.





No livro, o casal Hessa tem constantes brigas, o que faz muitos leitores afirmarem que Hardin e Tessa estão em um relacionamento abusivo de ambas as partes. O filme, porém, traz um casal harmonioso, sem discussões ou qualquer sinal de abuso mútuo, o que parece ser bom, porém muitas das telespectadoras irão idolatrar o casal, quando, na verdade, não é a finalidade. After mostra justamente um casal completamente problemático. Hardin e Tessa trazem problemas familiares e, consequentemente, psicológicos. A história do casal, no livro, serve para avisar as leitoras sobre tal tipo de relacionamento, para que, assim, vejam o que aconteceu com a principal e se afastem de qualquer situação parecida. A própria autora já comentou em uma entrevista que nunca se envolveria com alguém como Hardin.


Hessa

Uma das críticas mais feitas até agora pelos espectadores foi a romantização do casal. Enquanto no livro há brigas em quase todos os capítulos, Hessa não possui uma discussão sequer no filme. Obviamente brigas em excesso são prejudiciais a um casal, mas apenas um casal extremamente perfeito não brigaria. Como é de After que estamos falando, a falta de desentendimentos entre as personagens principais deixou muitos fãs frustrados. Além disso, o livro é bastante criticado por trazer um personagem tão rude e irracional como principal. Hardin sendo desrespeitoso com Tessa durante a história é uma característica muito importante para o desenvolvimento do casal e também para servir de exemplo para as leitoras. O que acontece no filme, porém, é uma mudança drástica na personalidade de Hardin. O personagem se desculpa por cada erro cometido, zela pela segurança e felicidade de Tessa desde o início de sua relação, a qual começou apenas pela aposta feita. A romantização de Hardin preocupou várias espectadoras, afinal o personagem do filme não nos dá motivos para fugir de uma relação com alguém como ele.


Diálogos

Além da falta das constantes brigas entre Tessa e Hardin, há pouco diálogo durante o filme, não apenas entre o casal, mas com todos. Landon Gibson (Shane Paul McGhie), o melhor amigo de Tessa, quase não aparece, sendo que no livro a principal sempre recorre a ele, em busca de conselhos, já que Landon e Hardin são meio-irmãos. A amizade de Tessa com Zed Evans (Samuel Larsen) também deixou as fãs desapontadas. Apesar de a aposta ter sido mudada — uma das mudanças positivas da adaptação, retomada em breve — Zed foi um personagem presente durante todo o livro. No filme, porém, “o concorrente de Hardin” quase não possui falas, ou seja, não constrói amizade alguma com Tessa.


Cronologia

O tempo durante o longa passou voando, mas não de um jeito positivo. Para quem leu os livros, os cortes não farão diferença, pois já se tem uma ideia do que acontece entre uma cena e outra. Porém, aos que estão conhecendo After pelo filme, ficarão bem perdidos. Longos espaços de tempo são pulados, o que faz a relação tanto entre Tessa e Hardin, quanto Tessa com os outros personagens, superficial. Não há uma aproximação gradativa. Em um primeiro minuto estão todos se conhecendo, e então, cenas depois, as relações já estão construídas e fortalecidas.


Aposta

Um aspecto positivo em toda a adaptação foi a mudança da aposta. No livro, Hardin, depois de descobrir que Tessa era virgem, apostou com os amigos que conseguiria tirar a virgindade dela. Como se já não fosse ruim, a aposta era entre Hardin e Zed, que, de início, claramente objetificaram Tessa. No filme, a aposta consistia em Hardin fazê-la se apaixonar por ele, para que depois ele a dispensasse. Nada de virgindade. Sem mostrar provas de que tiveram relações sexuais, que no livro são doentias: os lençóis com sangue e a camisinha usada.


Apesar de tantos pontos negativos, o filme conta com uma beleza visual extrema. As imagens das cenas nunca eram vazias demais, as cores eram harmoniosas, além da diversidade no elenco principal e nos figurantes.


As músicas também foram muito bem escolhidas. As letras se encaixavam perfeitamente no que estava acontecendo, deixando as cenas ainda mais emocionantes.


As atuações, principalmente de Josephine e Hero, são espetaculares, apesar de não serem exploradas de forma devida. Como não possuíam consistência alguma nos diálogos, os atores arrasaram nas expressões. Ao longo do filme, mais para os fãs, trechos do livro surgiam na mente. O filme realmente deu vida aos personagens, as características dos atores e atrizes remetem-se às exatas aparências e não se pode que atenderam às expectativas.


Ao fim de toda a análise, o filme After deixou os fãs a desejar. Personagens que poderiam ter sido mais explorados, personalidades com drásticas mudanças, partes importantes do livro sendo descartadas. Desde o início foi-se avisado que era apenas uma adaptação, porém as incontáveis mudanças na trama alteraram sua essência e sua mensagem. Assim como 50 Tons de Cinza e Percy Jackson: o Ladrão de Raios, um bom número dos fãs pareceu desapontado.



O filme After chegou aos cinemas brasileiros no dia 11 de abril de 2019.


Crítica escrita por Lívia

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