Como a Saga Crepúsculo abriu espaço para o protagonismo feminino nos cinemas

Chegando às telonas em 21 de novembro de 2008, a Saga Crepúsculo se tornou rapidamente um fenômeno mundial inesperado até mesmo para produção do filme. O blockbuster conta a história de Bella Swan, (Kristen Stewart) uma adolescente de 17 anos que ao se mudar para chuvosa cidade de Forks, acaba se apaixonando por um garoto misterioso, que curiosamente é um vampiro de 109 anos.


O que muitos não sabem, é que a diretora Catherine Hardwick planejou fazer filme menor, quase de arte, como foi definido pelo ator Robert Pattinson, que interpreta o imortal Edward Cullen, mas que acabou conquistando milhares de fãs pelo mundo.

Baseado nos quatro livros escritos por Stephenie Meyer, Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer, a primeira adaptação arrecadou U$ 69 milhões, somente em seu primeiro fim de semana, se tornando de fato, um marco na indústria do entretenimento.

Antes da Saga, poucas eram as franquias de fantasia que dominavam o setor, como Harry Potter, Senhor dos Anéis e As Crônicas de Nárnia. Apesar do sucesso estrondoso e de nos oferecer algumas das maiores personagens femininas do cultura pop como a Hermione Granger e as irmãs Lúcia e Susana Pevensie, nenhum deles eram liderados por uma protagonista feminina, especialmente em histórias que envolviam romance, considerado sexista e pejorativamente “coisas de mulheres”.

Por muitos anos, Crepúsculo deteve o recorde de maior filme dirigido por uma mulher na história do cinema, mas esse título foi passado para Sam Taylor-Johnson, por seu trabalho em 50 Tons de Cinza (publicado a princípio como uma fanfic de Crepúsculo), que acumulou U$ 81.1 milhões, em 2015. Sendo superado pela estreia de Mulher Maravilha, de Patty Jenkins, que arrecadou a quantia de U$ 100 milhões.

Essas ainda são histórias marcadas por inúmeras críticas sobre sua história, produção, e por inúmeros boicotes. Por conta da influência de Crepúsculo, que foi uma peça fundamental para o lançamento de muitas das produções que assistimos hoje em dia. Afinal, quantos outros filmes escritos, dirigidos, estrelados e baseados em um livro escrito por uma mulher você já assistiu?


Não apenas isso, após a estreia da saga, muitos estúdios começaram a apostar na temática para adaptar outras obras literárias. Agora não apenas focados em romances com vampiros, mas também com anjos, lobisomens e zumbis, sendo liderados por protagonistas femininas como em Jogos Vorazes, Os Instrumentos Mortais, 16 Luas, Divergente, A Hospedeira (também escrito por Meyer), Fallen e A Academia de Vampiros. Algumas dessas produções chegaram inclusive, com a frase “a nova Saga Crepúsculo”.

Na TV não foi diferente, já que o gênero já era popular por conta de True Blood e Buffy - a Caça Vampiros. Ainda assim, as obras de Stephenie deu mais destaque para séries como Diários de um Vampiro, que chegou a ganhar dois spin-offs, Os Originais e Legacies. Provando que a cultura pop sempre amou vampiros e seres místicos, as empresas investiram pesado em produções voltadas para adolescentes, como Teen Wolf e Shadowhunters.

Por conta desses dessas obras, que ganharam seu próprio espaço e gostaram legiões de fãs, muito se começou a discutir sobre a importância da representatividade feminina, que cresceu significativamente nos últimos anos, ainda sem contar a super heroínas que assim como as hq’s de Diana Prince, tiveram suas próprias adaptações como Aves de Rapina, Jessica Jones, Agente Carter e Viúva Negra, discussões sobre a importância da representatividade feminina na cultura pop e a busca por inclusão tem crescido cada vez mais.

Após milhões de bilheterias, com o novo livro da Saga Crepúsculo, Midnight Sun, vendendo mais de 3 mil cópias em 24 horas, e as famosas séries voltando, como Jogos Vorazes e a adaptação de Percy Jackson para o Disney+, aponta que essas histórias não foram somente importantes para Hollywood, mas também para o crescimento pessoal de diversos jovens que se sentiram representadas pela primeira vez por essas heroínas.




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