As mensagens poderosas por trás das produções da Disney Channel




É incontestável que grande parte da chamada Geração Y (nascidos entre 1980-2000) cresceu assistindo as séries ou os queridos filmes produzidos pela Disney Channel, os Disney Channel Original Movies. Algumas questões importantes sobre essas produções que marcaram uma geração são o que nós muito provavelmente deixamos passar despercebidos.


Durante toda nossa vida, mas principalmente durante a infância e adolescência, o que consumimos acaba por moldar nossa visão de mundo e não é diferente no mundo do audiovisual, muito pelo contrário, essas produções carregam diversos tipos de mensagens intencionais e mesmo que não tenhamos compreendido totalmente quando crianças, elas estavam lá.


Relembrar e descobrir novas perspectivas sobre alguns dos nossos programas favoritos da infância é o objetivo principal desse post. Espero que vocês também se surpreendam (positivamente!) com as coisas que descobri revisitando esse passado memorável e nostálgico da Disney Channel.



Cheetah Girls




Throwback do ano de 2003, conhecemos a história de amizade entre quatro garotas determinadas, sonhadoras, cheias de garra, e de suas jornadas como um grupo musical em busca do estrelato. As Cheetah Girls foram interpretadas por um elenco bem diverso, o que não era nada comum na época. Raven Symone interpreta Galleria, uma das pouquíssimas protagonistas negras que vimos na infância, além de ter um corpo que foge aos padrões. Adrienne Bailon aparece como a latina Chanel, Kiely Williams, também afro-americana interpreta Aqua, e Sabrina Ryan dá vida a Dorinda, uma menina humilde que precisa trabalhar desde cedo para sobreviver.  



Nós nos chamamos de Cheetahs, porque a chita é a mais rápida e feroz felina na selva.”

O filme, produzido pela inesquecível Whitney Houston, nos apresenta uma narrativa cheia de empoderamento, que conta a história de jovens meninas, independentes (como diz Galleria: se ele não respeita minha arte, ele não pode me ter) que crescem e lutam por seus sonhos como verdadeiras chitas. Ao invés de ignorarem suas diferenças sociais e étnicas, o que é típico dos filmes teens - isso quando contam com diversidade - elas as reconhecem por meio de diálogos e canções, e celebram suas individualidades assim como a união que se deu apesar delas.


Conheça o hino que inventou o feminismo:




Jump In



O filme estrelado por Corbin Bleu e Keke Palmer, conta com um elenco majoritariamente preto, além de mostrar um pouco da cultura negra presente no Brooklyn.


O destaque aqui vai para a forma como é retratada uma problemática que só ganhou maior visibilidade nos últimos anos e que ainda assim é pouco debatida: masculinidade tóxica. Corbin Bleu dá vida a Izzy Daniels, um garoto adolescente, recém órfão de mãe e que pressionado pelo pai de diversas maneiras para se tornar um grande boxeador. Certo dia, Izzy leva sua irmã mais nova para assistir uma competição de pula-corda. Lá, ele termina se interessando pela atividade e mais tarde se oferece para integrar a equipe de Mary (Keke Palmer) com o pretexto de completar temporariamente a equipe que havia perdido uma integrante.


Era óbvio que o que Izzy realmente desejava era deixar o boxe de lado e se dedicar ao salto com corda, mas tinha medo de decepcionar seu pai por se tratar de uma atividade considerada feminina. Quando seu maior rival no boxe, Rodney, descobre o que ele faz fora dos rings, o ameaça e o humilha na frente de toda a escola, Izzy é inclusive chamado de “mariquinha” por ele. Ele supera o preconceito, vai para a grande competição de corda e quebra com as amarras que lhe foram impostos desde cedo. É importante pensar que, como um homem negro, a esfera de preconceito que se dá com Izzy, no que tange a masculinidade tóxica, é muito maior. Mesmo no ano de 2019, é visível a forma agressiva que isso afeta a vida de homens negros.


Outro ponto que chama atenção no filme é a presença feminina de Tammy (Rebeca Williams) no boxe. Ela vence a grande competição do esporte, a Luva Dourada, e com seu próprio exemplo - uma mulher num meio dominado por homens - ela serve como inspiração de Izzy para seguir fazendo o que ama independente do preconceito.


O longa está disponível na Netflix Brasil.



Os Feiticeiros de Waverly Place




Wizards of Waverly Place foi a primeira série da Disney Channel a apresentar uma história com personagens latinos em destaque. A sitcom explorou o cotidiano de uma família latino-americana dona de uma lanchonete, os Russo, que vivem no Waverly Place, em Manhattan. A matriarca da família é Theresa Russo, interpretada por María Canals Barrera, uma imigrante que se casa com um descendente de italianos, o feiticeiro Jerry Russo (David DeLuise).


O elenco principal da série é realmente representativo. Todos os atores são de origem latina, como Selena Gomez, Jake T. Austin e María Canals Barrera, ou italiana para representar a parte do pai, como David Henrie e David DeLuise. Isso dá um significado ainda maior para a construção dos personagens. Também fizeram participações especiais a cantora colombiana Shakira e o ator Wilmer Valderrama.


Ao longo do seriado, além dos atores se jogarem esporadicamente no espanhol, são tratadas diversas questões comuns a famílias latino-americanas, principalmente no que condiz a celebrar e manter viva a cultura mesmo em um continente diferente. Existem alguns episódios que se desenrolaram totalmente acerca disso. Um bem memorável faz parte da segunda temporada, quando Alex faz aniversário e é pressionada por sua mãe para que tenha uma quinceañera, uma festa latina tradicional para moças que completam 15 anos. Por ter crescido nos Estados Unidos, a festa inicialmente não faz sentido para a jovem Russo, mas ela acaba por ceder quando percebe o quão importante é para sua mãe que eles não deixem de valorizar suas origens.

As Visões da Raven



Mais uma vez, a atriz Raven Symoné faz um papel muito importante no universo das produções infanto-juvenis. Raven é uma protagonista negra, plus-size, super empoderada, que tem o poder de ver o futuro e sonha em um dia ser uma estilista famosa.


Cheia de momentos fashion durante a série, Raven produz as próprias roupas. Quando enfim consegue o emprego de seus sonhos numa revista de moda e tem a chance de preparar um desfile com seus designs, se decepciona ao perceber a falta de representação de mulheres com o físico como o dela. Corajosa, Raven tem a atitude de subir na passarela com seu vestido, e ao ser discriminada por sua chefe, que diz que ela não possui “o visual”, a jovem  lhe ensina uma poderosa lição:


“Caso não tenha percebido, as pessoas vêm em todas as formas, tamanhos e são todas lindas. Coloque isso na sua revista.”







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