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"Animais Fantásticos 3: Os Segredos de Dumbledore" vale a pena?

Em 2016 estreava nos cinemas o longa "Animais Fantásticos e Onde Habitam", seu grande sucesso rendeu a garantia de uma franquia que teria em sua totalidade 5 filmes. Já em 2018 estreava "Animais Fantásticos e os Crimes de Grindelwald", este foi duramente criticado devido ao seu roteiro fraco, além de decisões que mudariam coisas já pré-estabelecidas na saga Harry Potter. Agora estamos aqui, em 2022, após: regravação, reescrita de roteiro e mudança de ator prestes a contemplar a estreia do terceiro filme e a pergunta que fica é: bom ou bomba?

Divulgação: Warner Bros. Entertainment Inc.

Ao contrário do esperado, esse filme, é de fato, bom. Ele consegue agradar bastante o fã de Harry Potter e sua historia esta mais amarrada que as antigas. Tantos acertos se dão pelas mesmas mudanças ditas no parágrafo acima e (talvez) pelo medo de estragar ainda mais a franquia.

O roteiro, desta vez, não foi concebido somente pela escritora JK. Rowling (não apoiamos a transfobia e o feminismo radical da mesma), ela chamou ninguém mais, ninguém menos que Steve Kloves, o roteirista de todos os filmes da franquia de “HP”, ou seja, desta vez temos alguém que realmente entende de estrutura de roteiro decidindo o que entra e o que sai, o resultado disso foi uma historia redonda, sem deus ex-machina e com final fechadinho. Outra coisa presente é a consciência de que alguns personagens já não cabem mais na franquia, portanto estes recebem um fechamento de ciclo. Mas, em contra partida tudo isso, se você prestar bastante atenção em situações/cenas específicas irá notar que há um acúmulo de estratégias já utilizadas na saga do menino que sobreviveu, principalmente as utilizadas em Relíquias da Morte parte 1 e 2.

Sem dar spoiler, mas falando coisas que podem sim ser consideradas spoilers, vale ressaltar algumas decisões que irão dividir o publico, principalmente em relação a revelação do final de “Crimes de Grindelwald”, além da pouca (ou seria melhor dizer nula?) aparição do Brasil, de verdade o máximo de português que temos presente aqui é de um monte de figurantes gritando “Santos! Santos!”. Pelo menos a personagem que a atriz Maria Fernanda Cândido interpreta tem um papel importante para a trama.

Uma coisa muito admirável é a facilidade de paralelos que podemos fazer com a vida real, aqui temos isso: uma narrativa que demonstra a quase ascensão do neonazismo devido a ignorância de pessoas poderosas e a sedução de lideres duvidoso.

Em relação aos personagens e as atuações, os destaques ficam para Jude Law (como Albus Dumbledore) e Mads Mikkelsen (como Gellert Grindelwald). Law transmite toda a bondade de seu personagem com seu olhar, é como se realmente estivéssemos vendo Dumbledore mais novo e Mikkelsen faz com que a mudança de intérprete passe despercebida e nos trás a sensação de que nunca houve outro ator em seu lugar, já os outros atores estão bem... padrões, não há novidades e nem maior desenvolvimentos pra eles (principalmente se levarmos em conta que esta é a finalização de uma trilogia), temos uma inserção de nova personagem, Lally Hicks (interpretada por Jessica Williams), que, sim, é bem cativante e divertida, contudo serve apenas para “tapar um buraco” deixado pela atriz de Tina Goldstein.

A direção de arte, apesar de escura, é linda e transforma as principais batalhas com varinhas em um espetáculo que vale a pena de se pagar para ver em um cinema de tela grande. Trilha sonora impecável e que usa e abusa da nostalgia e efeitos visuais bons como o dos outros dois filmes.

Quanto ao futuro de "Animais Fantásticos" nos cinemas, arrisco-me a dizer que é incerto, principalmente por causa da finalização de ciclos e narrativas que este possui, mas de fato, se este terceiro render boa bilheteria, as pontas “soltas” deixadas no filme pode sim render mais um quarto (pois seremos sinceras, Harry Poter e tudo que envolve o mundo mágico continuará a ser explorado pelas empresas enquanto ainda tiver público.)

“Animais Fantásticos e os Segredos de Dumbledore” estreia dia 14 de abril somente nos cinemas.

Texto por Giulia Cardoso
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