A mudança no cenário do futebol feminino


Arquivo Público - Museu do Futebol

Por muito tempo o futebol feminino - assim como qualquer outro esporte praticado por mulheres - teve sua proibição assegurada por lei. Durante a ditadura de Getúlio Vargas, mais especificamente no ano de 1941, o artigo 54 do decreto de lei n° 3.199 afirmava:


”Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país.”.

Resumindo, se tratou de um preconceito que foi naturalizado, chegando até ao Legislativo, que afirmava que a prática de esporte era contrária à natureza feminina.


Mesmo quando a história teve sua reviravolta, o caminho trilhado até chegar ao momento em que estamos foi e ainda é árduo. É fato que vitórias no Legislativo não significam vitórias sociais e culturais, isso é claro com a persistência do preconceito até os dias de hoje. Na escola onde cresci, apenas os meninos jogavam futebol, o desejo de uma menina de praticar a atividade por puros fins recreativos e educativos não era a menor das preocupações dos professores.


É irônico pensar que mesmo a jogadora Marta tendo se tornado uma verdadeira estrela do futebol no mundo, muitos esquecem que o futebol feminino sequer existe. A visibilidade da modalidade é absurdamente baixa, não por acaso, mas por todo um contexto histórico em que a prática dele foi considerada como um circo ou um erro pela sociedade.


Foto: Andre Borges/ComCopa

Por falar em Marta, é impossível não lembrar de Sissi, sua antecessora. Craque, pioneira do futebol feminino, fez parte da primeira seleção brasileira e virou sensação no mundo, mas até hoje não tem reconhecimento proporcional aos seus feitos, nem mesmo em seu próprio país. Pelo contrário, durante os anos em que jogou, seu cabelo raspado não apenas foi alvo de piadas, como foi um dos motivos que a impediu de participar de um Campeonato em São Paulo.


Foto: Allsport

Pois é: nada nunca foi flores, mas com muita luta - como sempre - mais uma barreira foi quebrada. O ano de 2019 marca a primeira vez que a Copa Feminina vai ser transmitida pela TV aberta. Ou seja, a primeira das 8 copas disputadas pela seleção que vai chegar às casas de todos os brasileiros.


Foto: Acervo do Museu do Futebol

Ainda há muito a ser mudado, mas esse é o momento para celebrar a conquista das mulheres que agarraram essa causa, tanto as que marcarão presença nos gramados da França a partir de hoje, quanto as que vieram antes delas. Hora de celebrar o futebol feminino, com o legado de Sissi, Pretinha e Márcia Taffarel. O futebol da incansável Formiga, da brilhante Cristiane, da estrela Marta, de Andressinha, Tamires, Ludmilla e muitas outras que vamos acompanhar pelos próximos dias construindo suas histórias no gramado.

Foto: Lucas Figueiredo/CBF.



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