A importância de mulheres poderosas na construção da identidade de Eleven em Stranger Things

Não é de hoje que a rivalidade feminina acontece nas produções audiovisuais, perpetuando principalmente a disputa de duas mulheres por um homem como já aconteceu em Meninas Malvadas ou constantemente competindo contra a outra.


Na segunda temporada de Stranger Things, o relacionamento de Eleven (Millie Bobby Brown) e Max (Sadie Sink) não era o mais tranquilo. Ainda aprendendo a lidar com seus sentimentos após deixar o isolamento, a menina usou seus superpoderes para feri-la por ciúmes ao ver a nova integrante do grupo de amigos interagindo com Mike (Finn Wolfhard). Mas isso não durou muito tempo.


Atendendo aos pedidos dos fãs que já estavam cansados de ver mulheres competindo entre si pela atenção dos homens em produções hollywoodianas, e sem a amizade de Barb (Shannon Purser) e Nancy (Nathalia Dyer), que já haviam se desentendido por causa de Steve (Joe Keery) nos primeiros episódios, os produtores entenderam a importância da amizade entre duas garotas serem retratadas.


Seis meses após os eventos finais da temporada, quando todos acreditavam que o portal para o Upside Down estava selado, Eleven ainda não pode fazer grandes aparições em público, então permanece confinada na cabana com Jim Hooper (David Harbour), vendo o grupo nas poucas ocasiões que não está com o namorado, deixando o policial preocupado com os hormônios dos adolescentes. A única solução que ele encontra é forçar Mike a ficar longe de Eleven, convencendo ele a mentir e deixando a menina confusa com a situação.

Sem rivalidades


Cansada de passar tanto tempo com o pai assistindo TV, ela encontra em Max, uma adolescente rebelde, skatista, sem muita paciência com o comportamento de seu namorado Lucas (Caleb McLaughlin), com a língua bem afiada, mas também muito gentil, a companhia que ela precisava para curtir o verão em Hawkins da melhor forma possível. Quando as duas começaram a passar mais tempos juntas, afinal, “a vida é não é só garotos idiotas”.


Além de oferecer conselhos amorosos sobre o sumiço repentino do jovem, ela leva a amiga para um dia no novo local de lazer da cidade, o shopping Starcourt, para se distrair. Ao som de Material Girl, da Madonna, a sequência ambientada em 1986 mostra as duas fazendo compras, se divertindo nos provadores das lojas com peças cheias de brilhos e coloridas, descobrindo o que de fato a agrada em um momento de autodescoberta.


Ela não é a única


A personagem já havia vivido algo similar ao conhecer Eight, uma jovem que também passou pelos experimentos no laboratório do Dr. Brenner (Matthew Modine). Enquanto buscava conhecer mais sobre seu passado, Eleven encontrou pela primeira vez alguém que entendesse como é ter poderes únicos e que não a usava como máquina de destruição.


Entre referências a Jovens Bruxas e comparações ao X-Men, os momentos que as duas passaram foi juntas por um curto período de tempo ajudou a menina a não temer as habilidades que tem e usar ao seu favor, no que acredita ser o certo.


Mulher Maravilha


No episódio a amizade entre as duas é ainda mais fortalecida pela paixão pelos quadrinhos. Enquanto lia quadrinhos com Mike, Eleven fica admirada ao se deparar com uma HQ da Mulher-Maravilha #326, publicada no ano de 1985, em que Diana precisa fazer uma investigação na história: “É por isso que você não pode passar todo o tempo com Mike”, diz Max na cena antes de apresentar a heroína da DC Comics.


Assim como muitas outras histórias marcantes, é quando Max apresenta a princesa Diana: “ela é da Ilha Paraíso, que é uma ilha escondida onde só tem guerreiras amazonas”, que teve sua primeira grande referência na história. A cena não passou despercebida pelos fãs, que apontaram a importância da protagonista de Millie Bobby Brown passar mais tempo ao lado de uma companhia feminina, provando o quão benéfico é o laço de amizade entre as personagens, principalmente por ser ao lado de Max que Eleven é incentivada a descobrir sua própria identidade, sem ficar limitada a ser uma arma de destruição.


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