A conquista pelo voto feminino

Na atual conjuntura é fácil dizer como as coisas estão "fáceis" para as mulheres, afinal não temos que sair pelas ruas pedindo o direito ao voto, ou até mesmo pedir pelo direito de trabalhar fora de casa sem a permissão do marido.

Permissão do marido? Como assim?

Oh meu jovem gafanhoto, até mais ou menos 80 anos atrás as mulheres precisavam da permissão do marido para fazerem aquilo que queriam, como viajar, trabalhar, dirigir, e até mesmo expressar sua opinião.

Mas não estamos aqui para contar como as mulheres ganharam seus direitos, bom, nem todos. Hoje vamos falar do direito ao voto feminino, e como ele foi importante na história da humanidade.

Levando em consideração nosso estado político, posso dizer que ainda é um privilégio estar escrevendo isso sem ser censurada ou acusada de fake news. Calma galera, não foi a Pabllo Vittar que foi longe demais.


Voltando um pouco, na época da Grécia antiga, tivemos a primeira votação, sim aquela lá que acabou decidindo o nome da cidade de Atenas (se você não se lembra disso, conselho a ler algum livro de mitologia grega, é realmente muito esclarecedor).

Como todos sabem, Atena venceu Poseidon por apenas um voto, deixando o mesmo bem irritado (ai, homens...), e para acalmar o mesmo, as mulheres decidiram cumprir três castigos (oi?), que nenhuma mulher votaria novamente, que nenhum filho tivesse o nome da mãe, e que ninguém as chamassem de atenienses.


O primeiro país que garantiu o voto feminino foi Nova Zelândia, em 1893, com um movimento liderado pela Kate Sheppard.

Já no Reino Unido onde as Sufragistas ficaram mundialmente conhecidas, o movimento só inciou em 1897.


Vamos falar um pouco sobre as Sufragistas, afinal elas foram bem importantes para que as mulheres do mundo inteiro (ou quase) pudessem votar.


As Sufragistas


Em 1903, foi fundada a WSPU (Women Social and Political Union). Lideradas pela Emmeline Pankhurst, criaram jornais, panfletos, e outros meios de comunicação para falarem de seus ideais, sempre usando as cores, verde, violeta e branco.

Apesar de tentarem conseguir uma voz no meio de tantas pessoas influentes, nunca eram escutadas, até a passeata no Hyde Park, em Londres , com 500 mil mulheres.

Levando as coisas para um lado mais radical, em 1909 começaram as greves de fome, uso de bombas, depredação ao patrimônio público e violência. Um dos episódios mais marcantes foi a tentativa de colocar fogo no trono onde a mais de 700 anos eram realizadas as cerimonias de coroação da monarquia britânica.

Nas duas primeiras décadas do século XX, mais de 1000 sufragistas foram presas e torturadas. Mas em 1918 a notícia de que mulheres com mais de 30 anos e donas de alguma propriedade, conseguiram o direito de voto.

Somente 10 anos depois, as mulheres conseguiriam o mesmo direitos dos homens, de votar e concorrer a uma cadeira no parlamento.





No Brasil


A luta no Brasil foi certamente diferente do que aconteceu no Reino Unido, mas mesmo assim passamos por poucas e boas, só conseguindo o direito de voto em 1932.

Com várias brechas na Constituição, em 1910 foi fundado o primeiro partido brasileiro formado inteiramente por mulheres, o Partido Republicano Feminino. Inspiradas pelas Sufragistas, foram organizadas passeatas e divulgação de jornais com os ideais do partido.

Em 1919 foi apresentado o primeiro projeto de lei que defendia o direito de voto feminino, mas o mesmo ficou engavetado por anos (ah, que novidade).

Só em 1927 o estado do Rio Grande do Norte permitiu que as mulheres votassem, sendo a primeira a professora Celina Guimarães Viana, em Mossoró. Seguindo seu exemplo, mais 15 mulheres votaram. Infelizmente o governo caçou seus votos e foram considerados inválidos, alegando que o estado não poderia ter autorizado o voto feminino.



Com a criação do primeiro Código Eleitoral brasileiro, em 1932, houve a criação da Justiça Eleitoral, padronizando que todos os votos deveriam ser secretos, obrigatórios para homens e mulheres.

Entretanto, apesar de terem conseguido o direito ao voto, ainda era preciso de um emprego remunerado ou autorização do marido. Só em 1965 as condições para voto se igualaram.

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