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A Cidade Perdida | A arte de fazer cinema divertido

O cinema pode nos proporcionar clássicos da sétima arte, conceitos escondidos e ambíguos, a vida mundana sendo retratada em um telão de maneira singela e verdadeira aos públicos, com diálogos poéticos ou até, filmes mudos. Temos clássicos muito celebrados, e passamos muitos anos tentando fazer mais filmes que tivessem tanto impacto cultural quanto os maiores.

Divulgação: Paramount Pictures

Nos últimos anos, especialmente durante a pandemia, vemos filmes mais fracos sendo lançados, histórias bagunçadas ou até imorais em produções que parecem ser inacabadas. Nas grandes produtoras, há pilhas de roteiros a serem lidos e possivelmente gravados, porém são realizados os que são escritos por alguém com nome (lê-se dinheiro).


As produções mais famosas, os maiores filmes sendo lançados nos últimos tempos são poderosos por dinheiro, todo o dinheiro que irá movimentar na bilheteria ou pelo marketing capitalista, ao invés de termos longas que chegam a ser celebrados por tamanha grandiosidade em sua arte. Embora tenhamos muitos diretores talentosos e boas histórias sendo contadas, não temos investimento em NOVAS histórias e NOVOS diretores, NOVOS atores.


Cidade Perdida, da Paramount, é uma dessas produções gigantescas, porém, com um diferencial: esse é realmente prazeroso e inteligente. Alguns filmes tentam demais passar seriedade que se perdem e são esquecidos rapidamente.


Vemos em Cidade Perdida, não necessariamente o lado capitalista do cinema e não o lado de níveis artísticos inovadores, mas sim um filme engraçado, divertido, com atuações incríveis e humor inteligente e atual.


Loretta Sage (Sandra Bullock) é uma escritora muito amada, porém reclusa, conhecida por sua saga de livros eróticos de aventura, cujas capas são posadas pelo modelo Alan (Channing Tatum). Durante a turnê de lançamento da mais nova edição, um milionário obsessivo e colecionador (Daniel Radcliffe) a sequestra para que ela faça a tradução de um pedaço de certa escritura antiga. Alan então, vai ao resgate de Loretta.


Loretta é uma personagem muito bem escrita, com várias dimensões de sua personalidade sendo atuadas por todo o charme de Sandra Bullock. Além de escritora, ela trabalha com arqueologia, linguagens, história… Temos aqui uma tropa da mulher inteligente e bonita com homem bonito e “burro”, resumo do personagem de Tatum. A história deles é bem desenvolvida, há uma real amizade construída antes que algo de real amor aconteça, são cenas gostosas de assistir.


Daniel Radcliffe faz perfeitamente o papel do vilão, ele tem tudo o que um bom antagonista precisa em termos de atuação. É fácil ignorar uma motivação estúpida quando o ator é tão convincente.


Beth (Da’vine Joy Randolph), assessora de Loretta, é uma personagem maravilhosa em cenas muito boas, o trabalho de Da’vine deve ser celebrado. É importante notar que o papel de Beth também se aplica a uma “tropa” (padrão narrativo usado para contar histórias), essa sendo a da “melhor amiga negra”, assim como The Black Cinephile no YouTube explica em seu vídeo The Black Best Friend Trope Explained. A crítica e analista de cinema diz alguns fatores que se encaixam perfeitamente com nossa personagem Beth: ela aparece em maioria de suas cenas trabalhando, durante a trama inteira ela viaja para tentar salvar sua escritora (branca), chegando magicamente no final do filme. Não aprendemos muito sobre sua pessoa além de que trabalha muito e que está cansada. Ao final do filme, sua única contribuição e crescimento pessoal foi ter ajudado Loretta. Essa é uma velha técnica usada por Hollywood que deve ser erradicada do cinema.


Entretanto, é uma ótima opção para assistir no fim de semana ou quando precisar de um quentinho no coração, esse filme com certeza vai te trazer essa magia muito apreciada nos tempos atuais.


O filme mostra o amor de uma maneira muito gostosa, real e perdoadora.


Cidade Perdida, dirigido por Aaron Nee e Adam Nee, estreia dia 21 de abril nos cinemas do Brasil.



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