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É sempre a hora da nossa morte amém | Resenha

A morte pode te encontrar antes do final deste texto.


Aurora é uma mulher encontrada à beira da estrada, desmemoriada, mas que um dia foi professora de português, hoje vive em um abrigo para idosos. A assistente social, Rosa, é sua maior aliada - no caso a única. A cada novo dia, separado pelo início de um novo capítulo, tenta recordar de seu passado. Busca em suas memórias turvas, como sua filha Camila morreu, ou era sua amiga Camila? Não, está viva. Qual delas mesmo?


Mariana Salomão Carrara soube aproveitar esse sentimentalismo das incertezas vividas por Aurora (será que é Aurora, mesmo?), toda sua luta para relembrar do passado e os momentos em que viveu com sua amiga Camila ou sua filha Camila. Ela gerou um bebê, ou é apenas a lembrança de sua amiga grávida? Nem a certeza tem de qual das duas morreu, se é que uma delas morreu. Foi acidente de avião, de carro ou um coco que caiu em sua cabeça enquanto caminhava na praia. Eram amigas mesmo ou não se falavam por alguma briga mesquinha?


Aurora não tem certeza de nada, ao mesmo tempo tem plena ciência da “memória” daquele dia. Rosa desenvolve seu papel enquanto assistente social buscando através dos fragmentos de Aurora sua verdadeira história para a devolver para sua casa e sua família. A única certeza de Aurora é que sempre é hora de nossa morte, ainda que em vida.


Através deste livro é interessante perceber o quanto nossa vida é volátil, que podemos perdê-la mesmo em vida. A lembrança de um fusca colorido e uma oração aprendida de modo errado e o medo de entoá-la em voz alta temendo que aqui e agora fosse o momento de partida. Em vida: a perda de afetos, lembranças, mas principalmente ser devolvido aos lugares de onde fugiu. O temor de verso rezado de forma errônea desde a infância, evidenciando que todo momento é hora de nossa morte. Amém


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